sexta-feira, 30 de julho de 2010

Saudades

Tô aqui pensando no que aconteceu de 3 de maio até hoje, dia 30 de julho... Nada de muito grandioso, e nada de desinteressante. Não fiquei mega doente, não estive na Coréia, não arrumei um novo trabalho, e não superei meus medos. Continuo começando as minhas frases com "não", o que me faz concluir que sou uma pessimista por natureza. Fiz aniversário. No dia 3 de maio tinha 26 anos, e agora tenho 27, e um computador novo também, que só uso para falar no skype. Ele me afronta com tanta higiene, clareza e perfeição. Ele é um Pereira Passos 2.0. Tive vontade de vir nesse espaço vomitar algumas coisas, senti saudades, mas quando tudo na vida está nos eixos, é quando temos menos tempo para nós mesmos. Manter a perfeição dá mais trabalho do que viver no caos, e isso vale para o emocional. Se tudo está fora do controle podemos gritar, ficar com a unha por fazer, chorar na rua, encher a cara como se não houvesse fígado amanhã, falar sem parar, não emitir som algum, ficar horas olhando para o teto sentindo a mais baixa e medíocre auto misericórdia, qualquer coisa vale, você está no caos. Agora quando tudo vai bem, ai de você se surtar, não pode, é feio, ai ai ai!
Li em um blog de uma moça corajosa, que quando tudo volta ao normal, achamos que seria como antes, mas na verdade nunca mais será. Me encontro neste momento da vida, aprendendo a lidar com a calmaria depois de muito tempo de ondas pesadas. Ufa!
Meu rosto coça alucinadamente neste exato momento, e meu estômago contorce por conta própria. Isso me faz digna de gritar?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Nova perspectiva

Hoje eu recebi um e-mail que falava sobre simplicidade. Era um agradecimento, e nele dizia que a vida é feita de coisas pequenas. Meu lado hippie, católico, Kumbaya my Lord respondeu da forma mais simples que conseguiu. Todos os dias eu tento levar a diante este projeto de simplificação da vida. Um dia eu ainda chego lá!

" Felicidade se encontra em horinhas de descuido" - Guimarães Rosa


Sabe, durante muito tempo eu acreditava que era pesada, e que felicidade só poderia ser encontrada se fosse como eu sonhava, então vivia em uma grande frustração. Até que passei por provas, por conta da minha mãe, e encontrei meus amigos que me mostraram que a vida tem que ser um pouco que nem o AA - "Só por hoje e um dia de cada vez". Aprendi, sobretudo, que felicidade está nas pequenas coisas, no fazer nada, no sentar na areia, na maneira mais singela de se conectar com os espaços. Às vezes achamos que só estamos vivos quando estamos rendendo e produzindo, mas é bom perceber que se está vivo simplesmente vivendo, e que para isso é necessário estar inserido dentro dos espaços e fazendo atividades onde há vida, sejam elas: nossa casa, nossos amigos, comendo, andando, dormindo, chorando e rindo.

É um pouco a minha tatuagem: " Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como sou conhecido."

Eu fui hippie, e carrego um pouco desse ranço, talvez nada desse e-mail faça sentido, mas se você, dessa experiência que estamos vivendo, sair uma pessoa melhor, eu já fico muito contente.

Da minha parte, depois de muitas coisa confusas pelas quais passei, posso dizer que você também me mostra um lado simples que eu tinha deixado um pouco de lado, e isso me deixa uma pessoa feliz.

terça-feira, 13 de abril de 2010

No meu karaokê
















C'mere - Interpol

It's way too late to be this locked inside ourselves
The trouble is that you're in love with someone else
It should be me. Oh, it should be me
Sacred parts, your get aways
You come along on summer days
Tenderly, tastefully

And so may, we make time
Try to find somebody else
This place is mine

You said today, you know exactly how I feel
I had my doubts little girl
I'm in love with something real
It could be me, that's changing!

And so may, we make time
To try and find somebody else
Who has a line

Now season with health
Two lovers walk a lakeside mile
Try pleasing with stealth, rodeo
See what stands long ending fast

Oh, how I love you
And in the evening, when we are sleeping
We are sleeping. Oh, we are sleeping

And so may, we make time
We try to find somebody else
Who has a line

Now season with health
Two lovers walk a lakeside mile
Try pleasing with stealth, rodeo
See what stands long ending fast

* Fotos de Buamai


sexta-feira, 26 de março de 2010

No fim do corredor só escuridão, ou eu não te amo mais e já sabia

Em 2008 encontrei o homem da minha vida. Depois de terminar um namoro de cinco anos, fui parar em uma aula bem longe, e naquele espaço sagrado da sala de aula, em contraste com o quadro branco, estava ele - o homem da minha vida. Durante quase um ano, eu o respirei, pensei nele, na nossa vida, nos nossos e-mails, filhos, louças e cobertas. Não havia dúvida: encontrara o meu amor eterno. Mesmo não dando certo, mesmo sendo platônico, mesmo sabendo que na verdade ele era uma piração minha, nada tirava da minha cabeça que era dele o meu coração. Este blog guarda muito daquele sofrimento de querer e não ter. Em março do ano passado ele se foi, nossa relação inexistente tinha chegado ao final, e eu tive que administrar a quantidade de amor produzida e não usada que estava no meu estoque. De março até julho, almocei, jantei e lanchei amor não correspondido, mas com a certeza que ia acabar, que ia passar, porque sempre passa. Março foi a última vez que nos vimos, eu, como sempre, com a melhor roupa que uma aluna pode usar, ele com o distanciamento que um professor deve ter. Na vida real vestíamos bem nossos papéis sociais, na internet, no gmail mais precisamente, a coisa era um pouco diferente. O tempo passou, eu nunca mais o vi. Às vezes pensava no que ele estaria fazendo, e achava curioso o fato de nós nunca nos encontrarmos nessa cidade que nem é tão grande. Destino, acredito eu.

Ontem enquanto andava pelos corredores da Universidade, olhava as portas e pensava nas opções que cada porta daquelas escondia. Cada número na porta era um pequeno simulacro do saber e da escolha. Foi nessa olhada, na porta ao lado da minha sala, que quem estava lá, de pé, superior e contrastando agora com o quadro verde de giz atrás? O homem da minha vida. Olhei, dei um sorriso, e voltei para minha carteira, mas já pensando nos planos dissolvidos, no aperto do peito que eu sentia há um ano atrás, no vazio de olhá-lo através de um vidro sujo com um e-mail de formandos fixado no meio da testa. Até que no intervalo nos esbarramos no corredor. Nós nos cumprimentamos, ele falou dele, como sempre, e seguiu caminho. Meu coração não bateu mais forte, minhas pernas não bambearam, não senti a secura na boca . Não consegui ser agradável, não consegui olhar no olhos dele, só via o pescoço curto que faz com que a barba e os pêlos do peito se juntem formando uma maçaroca capilar - ah, como eu amei essa maçaroca. Ele seguiu pelo corredor, eu continuei no meu lugar inabalável, imóvel, sem ver o deslizar dele pelas portas. Em uma fração de segundos vi o homem da minha vida seguir em frente, e vi uma vida que não me pertence mais, seguindo ao lado, em passos rápidos, rumo a não me interessa aonde, exceto que ao final dessa trajetória não há luz. Porque passa,sempre passa, e novas vidas surgem e novos homens para preenchê-las também.

Daquela vida passada você continua sendo Rei. Na verdade, não foi você que saiu dela. Fui eu.



terça-feira, 23 de março de 2010

Oi!

Adoro esse filme. This is England. Filme que mostra como um movimento que começa com uma mistura de estilos musicais bem legais, pode se tornar uma ideologia execrável. Da minha adolescência, guardo com certa saudade e parcimônia meu amor pelo Madball.

terça-feira, 16 de março de 2010

Contraponto

* Foto de Grégory Markovic

Em uma janela um falava sobre a morte, de como todos morriam, e que assim seria até os finais dos tempos. Em uma outra janela, falava-se da vida, da magia de nascer e da perpetuação das espécies.
Nesse momento tive que fazer uma escolha. Estava ali na minha frente a difícil tarefa de optar por um caminho. As nuvens carregadas do sudeste se dissipam antes de chegar no nordeste. Eu sempre soube disso.

terça-feira, 9 de março de 2010

É clichê but I like it

Sou muito bem representada por esse trecho do filme Jules et Jim (1962) do Truffaut:


"Je te dis: Je t'aime
Tu me dis: attends
Tu me dis: prends moi
Je te dis: va t'en!"




Solta o Jon Brion DJ.



Tempos Modernos

Vivemos uma explosão de redes de relacionamentos que fazem a gente estar conectado com tudo e todos ao mesmo tempo. Essa febre começou por aqui com o Orkut, veio o Myspace, surgiu o Formspring, e o famigerado Facebook. Criei meu perfil no Facebook em 2006, depois de ler sobre ele na revista Glamour inglesa. Achei que era uma espécie de Orkut, só que com gringos. Como queria arrumar um inglês, fui correndo criar minha conta. No início não tinha muita gente, era um ambiente bem família e higiênico, todo branquinho. Hoje em dia olho para ele e me sinto em um cortiço, não é a toa que o apelidei carinhosamente de Cortiçobook. Todo mundo fala com todo mundo, é gente dando pitaco na sua vida, na do seu amigo, falando da sua mãe, cachorro, periquito e papagaio. Me sinto um pouco afrontada, e às vezes tenho a sensação que meu perfil virou orelhão de porta de favela. Agora mesmo tá rolando um alô para o tio no meu álbum de fotos, uma discussão sobre um filme, e o uso da câmera analógica x digital. De todas as coisas que o Facebook me proporciona: alegrias, tristezas, risos e indiferenças, o que mais me agonia é a síndrome do curti. Estou virando o personagem do Charles Chaplin, em Tempos Modernos, que depois de um dia apertando parafusos, sai apertando tudo que passa pela frente. Um dia inteiro no Facebook e estou igualzinha, curtindo tudo! Isabel curtiu o café, curtiu o que escreveram sobre a política do Pré Sal no G1, curtiu o sabonete da empresa, curtiu o alô da recepcionista e assim vai. Olho para as páginas e procuro um botão que expresse meu encantamento ligeiro pelo que leio, vejo e sinto. Existe uma campanha para colocarem o não curti, o que seria muito bom, e o foda-se, que seria ainda melhor. Ainda bem que na vida real temos essas opções, o cortiço politicamente correto é lá, e a vida aqui fora segue normal.