sábado, 31 de janeiro de 2009

Transfusão


"Tira-me a luz dos olhos; continuarei a ver-te.
Tapa-me os ouvidos; continuarei a ouvir-te.
E, mesmo sem pés, posso caminhar para ti.
E, mesmo sem boca, posso chamar por ti.
Arranca-me os braços e tocar-te-ei
Com o meu coração como com uma mão...
Despedaça-me o coração; e o meu cérebro baterá
E, mesmo que faças do meu cérebro uma fogueira
Continuarei a trazer-te no meu sangue"
(No meu sangue)

Rilke

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

TCC

Meu TCC está consumindo minhas energias, de uma forma antes nunca vista. Não sei se é a soma com o trabalho, mas ando sentindo cansaço como há muito tempo não sentia.
Sei do poder do meu sono. Descobri isso quando em um Free Jazz, cansada de esperar o Fat Boy Slim, resolvi tirar um cochilo na arquibancada e só me levantei às 6 da manhã.
Hoje foi a segunda prova. Poucas coisas me deixam tão irritadas como ir ao dentista. Odeio. Acho de mau gosto quem opta por esta profissão e odeio, mais ainda, saber que não posso me livrar dela. Na hora do meu almoço fui curtir uma troca de obturação. Broca vai, broca vem, foi me dando um sono... não resisti e me entreguei aos braços de Morfeu de boca aberta, óculos, babador, algodão, chaminé, luz na cara, touca, a visão do inferno. Morfeu não merecia me levar assim, isso é abdução!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Planos que fogem a cada estação

Recebi o texto abaixo de uma amiga. Bateu feito um acarajé em dia de sol, só que no coração. Eu visualizo tudo isso e nem preciso ter alguém ao meu lado. Êta romantismo exacerbado e fora de época esse. Sofro mais que Werther, só que meu fim não vai ser igual, não.


Quero acordar do seu lado num domingo de manhã e saber que não temos hora para sair da cama. E, depois, ir tomar café na padaria e ler o jornal com você. Quero ouvir você me contar sobre o trabalho e falar detalhadamente de pessoas que não conheço, e nem vou conhecer, como se fossem meus velhos amigos. Quero ver você me olhar entre um gole de café e outro, sem nada para dizer, e apenas sorrir antes de voltar a folhear o caderno de cultura. Quero a sua mão no meu cabelo, dentro do carro, a caminho do seu apartamento. Quero deitar no sofá e ver você cuidar das plantas, escolher a playlist no ipod e dobrar, daquele seu jeito metódico e perfeccionista, as roupas esquecidas em cima da cama. E que, sem mais nem menos, você desista da arrumação, me jogue sobre a bagunça, me beije e me abrace como nunca fez antes com outra pessoa. E que pergunte se quero ver um DVD mais tarde. Quero tomar uma taça de vinho no fim do dia e deitar do seu lado na rede, olhando a lua e ouvindo você me contar histórias do passado. Quero escutar você falar do futuro e sonhar com minha imagem nele, mesmo sabendo que eu provavelmente não estarei lá. Quero que você ignore a improbabilidade da nossa jornada e fale da casa que teremos no campo. Quero que você a descreva em detalhes, que fale do jardim que construiremos, e dos cachorros que compraremos. E que faça tudo isso enquanto passa a mão nas minhas costas e me beija o rosto. Quero que você nunca perca de vista a música da sua existência, e que me prometa ter entendido que a felicidade não é um destino, mas a viagem. E que, por isso, teremos sido felizes pelos vários domingos na cama e pelos sonhos que compartilhamos enquanto olhávamos a lua. Que você acredite que não me deve nada simplesmente porque os amores mais puros não entendem dívida, nem mágoa, nem arrependimento. Então, que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo o que vivemos. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos. Que termine com a sensação de ter me degustado por completo, mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado um pouco mais. E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida. E que uma parte de você acredite que ela foi, de fato, a mais bela história de amor da sua vida. Que você nunca mais deixe de pensar em mim quando for a Londres, escutar Dream' Bout Me ou ler Nick Hornby. E, por fim, que você continue a dançar na sala. Para sempre. Mesmo quando eu não estiver mais olhando.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Coisas do dia a dia sem hífen


Andando por Copacabana vi que um centro de depilação faz 1/2 região pubiana. Fiquei pensando o que deve ser meia região pubiana.. Cheguei à conclusão que devem dividir o púbis em meridianos e trópicos: Depilação Equador - Norte e Sul, Depilação Greenwich - Oriente e Ocidente, e depilação Câncer e Capricórnio.
Estou amando a nova novela das oito! afinal, ela se passa na Índia. Diálogos improváveis, enredo pobrinho e muito dinheiro gasto em figurino que é a parte que interessa. Não adianta, sou fã da Glória Perez e acho os núcleos dela tudo de bom, assim como os cenários.
A posse do Obama foi ontem e eu só espero que o dólar baixe para que possa viajar. Mentira. Espero outras coisas, mas de todo o evento como uma boa fashion victim, amei as luvas verdes de Michelle Obama.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Beleza Pura!



TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Ferreira Gullar

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Xote coladinho

Ontem cheguei em casa feliz. Depois de receber boas noticias, comprei flores para minha Guadalupita e li meu livro para fazer um bom artigo. Lá pelas tantas baixou um espirito forrozeiro e coloquei aquele cd do Zé Ramalho, e xoteei sozinha durante um bom tempo. Em seguida Dj Bebel Xeléleu foi de Alceu. Tudo belezinha, já tava suada, xexelenta, faltava só uma xiboquinha para completar o cenário. Até que Zé soltou a frase bombástica: Se eu calei foi de tristeza, você cala por calar. Ok. O disco arranhou e voltei para Ética Romântica.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Só Yann Tiersen salva


Adoro Amélie Poulain! Acho um filme lindo, com cores lindas e tudo que tem Yann Tiersen no meio, já é um pulo para eu gostar muito. Estou aqui na minha solidão, lendo sobre romance, devaneios e sonhos. Ou seja, estou lendo quase um livro de autoajuda para mim, mas infelizmente é para meu TCC. E estou pensando a respeito de mim, mim, mim!!!!! Blog é bom por que você pode só falar de você, repetir sobre os mesmos temas que ninguém reclama, ainda mais blog vazio. Pois então, antes de entrar no mais do mesmo, de como sou sozinha, de como levo uma vida de alcóolatra e de como eu estou superando tudo e todos... hoje minha amiga foi embora, e sinto um aperto enorme no coração. Já é a terceira vez que ela vai, e sempre parece que é a primeira, olho para ela e suplico baixinho: vai não, fica aqui por favor! Ela me traz uma calma que poucas pessoas conseguem, e mesmo que às vezes a gente não tenha tempo de se ver, de conversar, só de saber que ela está aqui já me dá uma alegria que acho que nem ela sabe. Sinto muita falta. Sou calejada em relação a despedidas, mas a dela, sem dúvida, é uma das mais sofridas, dói fininho e tem jeitinho de mentira.

Amanhã é segunda-feira e sei que aquele escritório me espera. Sei também que na hora do almoço vou passear por Copacabana e ver a vitrine da loja de bebibas com garrafas bonitas, e comprar uma bala, e voltar. Esses passeios na hora do almoço são o que me mata. Ver aquele monte de gente passando, cada um se esbarrando no outro, e toda nossa insignificância aparente, me deixa perturbada demais. Conto nos dedos os significantes e pelo menos três não estão aqui.

http://br.youtube.com/watch?v=dtY0Xzcd8VQ

Para ouvir e se emocionar!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Tá na cara!

Ontem sai do trabalho decidida a descontar toda a minha frustração na liquidação da Zara. No fim do ano fiz uma limpeza do armário, e a partir de agora só quero comprar roupa realmente bacanas. Adentrei a Zara, vasculhei todas as mesas, e selecionei 10 peças para experimentar. De posse do meu montinho fui para aquele abatedouro de autoestima chamado cabine. Me olhei bem no espelho, e pensei: Meu Deus como tenho coragem de sair de casa! e experimentei a primeira peça, que ficou boa, mas tinha um furo. Coloquei a segunda, dei uma passo para frente, deu um para trás, me imaginei saindo com ela e todo mundo me elogiando, mas percebi que não estava digna de elogios. Coloquei a terceira e voilá, vi uma pereba no meu rosto! Cheguei bem perto do espelho, de calça e sutiã, e percebi que haviam coisas horriveis ali alojadas! Cutuquei tudo o que achei suspeito, impressionante como a luz da cabine realmente ressalta todos os defeitos. Experimentei tudo que faltava e nada ficou bom, saí da cabine um pouco frustrada na minha ânsia de gastar dinheiro e com algumas bolotas vermelhas, que futuramente serão espinhas. Na saída vejo um grupo de meninas típicas do Leblon e uma delas diz: Eu queria aquela blusa de listras que tem outra por dentro, e a amiga do lado grita: Aquela que todo mundo tem?!!! Eu quero muito! Pronto me dei por satisfeita e fui para casa. Hoje vou na MNG e, quem sabe, lá com uma luz branca mais amena, eu tenha mais sorte!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Chegou bipolar de mansinho


2009 chegou! Ufa!

Ano novo, vida nova! Ok, não é nada novo, mas mudar o calendário até que é bom. Ano novo é que nem caderno novo, você olha o calendário e pensa, vou preencher com muita coisa boa esse ano! Bom, diante de tal filosofia, já me matriculei em um curso CCE na Puc, já comprei comidas orgânicas para esses 15 dias de solidão, vegetarianismo e desintoxicação. Tenho um caderno novo dado por uma fornecedora, e um estojo também. Já baixei um edital e volto a fazer dança flamenca, o que vai me frustrar porque quando me vejo no espelho tenho vontade de sumir. Tô fazendo um esforço enorme para esquecê-lo, não esqueci, mas de zero a dez me dou 7,5 no poder de abstração. Não ando controlando muito meu pensamento, o que está me incomodando, estou com medo, mas aos poucos vou conseguir minha tranquilidade mental. Li Susan Miller e ela disse que esse ano promete. Se Susan diz, acontece! A lição que veio de 2008 e persiste em 2009: Só por hoje! Lema bom, esse do AA!
Esse ano volto ao lugar dessa foto! Não tenho dinheiro, mas vou juntar. Londres é minha fuga, meu cantinho no mundo, meu spa. Lá as ideias fluem, as energias se renovam, e eu me sinto viva.