terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Isso vai doer mais em mim do que em você

Li a palavra amor. Mesmo esperada e sabida, não gostei. Carreguei o verbo amar o resto da noite, e entre uma risada, e um copo de cerveja, batia nas minhas têmporas - amor -. Não aguentei o martelar ciumento,virei para uma amiga e perguntei: Será que ama mesmo? Ela me respondeu: "Ama". "Acontece que você esta fazendo a pergunta errada. O certo seria: Será que este amor é bom? Você gostaria de ser amada assim? Essa forma dele amar te satisfaria?" A resposta veio certeira: Não. O contrário do amor não é ódio nem a indiferença. Hoje percebi isso. O antagonista do amor é o não.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O nervo ciático latente


Me dê a mão e sonhe comigo. Vem.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Condicionamento do ar

Saí do trabalho apressada para ir para casa. Já tinha parado a chuva, e debaixo de uma marquise, uma gota de algum ar condicionado de Copacabana caiu sobre o meu olho direito, e rolou como se fosse uma lágrima. Eu não estava com vontade de chorar, mas involuntariamente eu chorava, então pensei em algo triste e fiz o trabalho bem feito. Naquele momento prometi para mim mesma: Eu nunca mais falo em você.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ruídos

Quando ouço uma sirene, me lembro dos países que visitei no primeiro mundo. Vai entender porquê. Memórias sonoras emergenciais.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

La noche libre


Contigo, me ponho a bailar!!!


"Hoy tenemos la oportunidad
de dirigirnos a todos los niños
Es un momento muy importante, definitivo
Revelaros el secreto mas grande de la humanidad
La verdad sobre el nacimiento de los niños" (Manu Chao)

Já é dezembro


Amigo oculto taí. Achei esse livro, e depois li esse poema. Essas são as pequenas coisas que me fazem ter certeza - Tô viva!


Senhora de Si (Cacaso + Sueli Costa)

você que é tão senhora de si
tome mais conta de mim
venha me dar proteção
você que tem poder sobre mim

você que mal chegou por aqui
que sabe tão pouco de mim
não tenha medo de amar
é melhor arriscar
já sabendo do fim

eu já não tenho ilusão
já não tenho canção
se você não cantar
se você não me provar
dessa vez pra valer
que chegou pra ficar

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O dia em que caí do cavalo

Comecei a ler um livro do Jack London. A minha leitura nunca foi guiada por um motivo especial, e todas às vezes que vou no estande da L&PM a escolha dos títulos é totalmente randômica. Na verdade, o único critério existente é o "esse eu não li". Foi assim que "O canto da floresta" veio parar na minha mesa de cabeceira. Ainda não terminei de ler, mas já cheguei no meio e o que mais me surpreendeu foi o fato de ser uma história de cachorro. Estou acostumada a imaginar pessoas, situações e problemas, mas imaginar cachorros é algo novo - pelo menos para mim. E não é só pata, focinho e rabo, o personagem principal (Buck) tem ambições, planos e medos, todos eles bem reais e verossímeis. Sempre que me deparo com o mundo animal fico pensando nas complicações que criamos por conta da racionalidade tão amada, e muitas vezes almejada. A leitura deste livro me fez lembrar de um outro conto (O imortal), neste caso um do Borges (O Aleph), onde ele dizia: " Ser imortal é insignificante; com exceção do homem, todas as criaturas o são, pois ignoram a morte; o divino, o terrível, o incompreensível é saber-se imortal."

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

É tipo isso

Deveria estar dormindo:



A fantasia do real

Faz tempo eu voltei para a análise. Voltar para a análise é ainda mais estranho do que começa-la. Da primeira vez que você procura um analista a entrevista é tensa, e você tenta provar por A+B que tudo aquilo é passageiro, e que você tem algum controle da situação. Uma coisa meio Chapollin, onde todos os seus movimentos são friamente calculados. A segunda vez que você vai parar no divã, está bem claro que é essa vã sensação de controle que você busca. Pois bem, voltei para a análise. Expliquei em miúdos tudo que acontecia, e tudo que desencadeou uma linha de pensamento que posso adjetivar de no mínimo soturna. Pelo menos a sala é bem decorada, e creio que isso faz muita diferença para mim. Além disso, meus 5 anos de Lacan me fazem acreditar que sou uma psicanalista em potencial, e por conta dessa sapiência desmedida, cabe a mim decidir as regras do jogo. Semana passada quando descrevia um caso, entrecortando com outros tantos, tentava construir uma lógica dentro de uma mente fantasiosa. E eis que ela interrompe e diz: " Você vai ter que aprofundar a questão do real, realidade e fantasia". Neste momento de ruptura, selamos um acordo com validade extensa. Como dizer para os outros que eu só vivo a realidade porque nela está contida toda a minha fantasia? Talvez eu devesse concluir que é melhor parar de sonhar e começar a viver, ou viver a realidade presente e nela colocar a minha fantasia - será que cabe?. Ela me mandou voltar lá essa semana. Talvez eu simplesmente devesse parar de fazer análise.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Editorial alienado



Um pouco de estilo e decoração.





sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Casa Claudia


Um exemplo de decoração e bom gosto. Ando com uma saudade desse filme.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Recalque lésbico


Passei na banca e não resisti. Comprei a Playboy da Fernanda Young. Acho que é a primeira vez que faço isso, fiz uma cara moderninha e mandei na lata: "Bom dia, eu quero a Playboy da Fernanda Young". Vi rapidamente no trabalho e achei lindo o ensaio. A referência ao Helmut Newton é evidente, o meu gostar totalmente previsível. A cópia nacional de Marla Singer tá de parabéns.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Pequenas evidências




Quando acho uma coisa dessas, fica claro porque não moro sozinha.

O existencialismo surreal

Ontem, presa no engarrafamento rumo ao hospital, uma fiorino branca pára ao meu lado. A distância tornava possível a leitura: Roto Flash Desentupimento. A fila dela andou, e atrás vejo um adesivo que diz: "Quero morrer igual ao meu avô, dormindo. E não gritando como os passageiros do ônibus que ele dirigia".

Já no hospital, enquanto zelava o sono da paciente, leio um parágrafo do livro da vez:

"Não era o aspecto miserável do sujeito que nos assustava, nem o tumor que tinha no pescoço e que roçava a borda de seu colarinho: mas sentíamos que ele formava em sua cabeça pensamentos de caranguejo ou de lagosta. E o fato de que alguém pudesse formar pensamentos de lagosta a respeito da guarita, de nossos arcos de brinquedo, das moitas de arbustos, nos aterrorizava". A Nausea - Jean Paul Sartre

De lá para cá, ora penso no avô irresponsável, ora reflito nos pensamentos de lagostas e caranguejos. A única coisa que não me sai da cabeça no entanto, é que as lagostas se casam e são fiéis ao seus cônjuges - se é que posso chamar o senhor(a) lagosta de cônjuge . Não resta dúvidas que de todas as informações, esse é o pensamento que mais faz sentido.


domingo, 4 de outubro de 2009

Somente eu

A respeito da solidão que às vezes abraça apertado os dias, e desce a noite sobre o indivíduo dando um beijo nos olhos e sussurrando "você é meu".Tô de saco cheio!

sábado, 3 de outubro de 2009

Nunca olhe para trás


POUR LES MORTELS QUI AIMENT LES INTELLECTUELS



" - Then why do you look sad?

. Because you speak to me with words, and I look at you with feelings.

- It's impossible to have a conversation with you. You never have any ideas, just feelings.

. That's not true. Feelings contain ideas."

Pierrot Le fou - Jean -Luc Godard - Dialogue entre: Anna Karina et Jean Paul Belmondo

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sensíveis a variações

Essa semana começou com um ataque de mau humor devido ao excesso de pensamentos que não vão levar a lugar algum. Enchi a boca para maldizer aos céus: Maldita hora que me auto complico. Bosta!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O aprendizado


Uma vez entre uma imagem do Gehard Richter e um comentário sobre Stendhal, me falaram: "Força é mudares de vida"! Carrego comigo este ensinamento

. denn da ist keine Stelle,/

die dich nicht sieht. Du musst dein Leben ändern.

... pois ali ponto não há/
que não te mire. Força é mudares de vida.

(“Archaïser Torso Apollos” , R. M. Rilke;

Torso arcaico de Apolo, trad. Manuel Bandeira

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

" O excesso de pranto ri. O excesso de riso chora"

Ninguém entende que o que eu sinto não vem do coração.

" Aqueles que reprimem o desejo podem fazê-lo quando este é fraco e passível de ser refreado; e quem o reprime, ou razão, usurpa seu lugar e governa os relutantes.
Uma vez reprimido, ele se torna cada vez mais passivo até não ser mais que mera sombra do desejo". BLAKE, William. O casamento do céu e do inferno e outros escritos.

http://www.youtube.com/watch?v=S0fgT7CNnmU

domingo, 27 de setembro de 2009

São Cosme e Damião

É dia de São Cosme e Damião. Eu queria ter ganhado um saquinho de doces. Faz muito tempo não ganho um daqueles, e vi na loja ao lado que tem até saquinho de plástico hoje em dia ( esse tipo de higiene não leva a lugar algum). Se nesse domingo de sol eu tivesse ganhado um saquinho, teria doado minha maria mole, comido depois do almoço minha teta de nega, e deixado para o lanche o famigerado cocô de rato. O ritual seria o mesmo de quando eu era criança: antes de dormir sobraria somente um jujubão bicolor, que ainda é meu favorito. De resto somente uma ameaça de muitas cáries, caso não escovasse meus dentes.

Estrela na fronte

A obediência tolhe. Me colocam no lugar previamente escolhido e dizem: "Entendeu?" Eu respondo que "entendi". Ambas as partes de acordo, fico lá. Obediente que sou, espero enquanto filmes velhos e músicas novas percorrem minha mente. Eu sei que devo ficar aqui, e que não posso mudar, mas nessa relação servil eu pelo menos posso imaginar que estou em outro lugar?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Contemporaneidade Ecumênica


Domingo resolvi andar de bicicleta. A insônia já tinha acontecido, e mesmo tendo ido dormir às 4 da manhã, três horas e meia depois eu estava muito animada. Já faz tempo não ando de bicicleta, e, quando não venta, o que é bom fica ainda melhor. Resolvi ir até Copacabana. A pista da praia, mesmo fechada, estava bem transitável. Milagre, pensei eu. Passado o Marimbás caio dentro de uma passeata pró fé. Não sei se estava divida por alas, se era tudo junto, sei que caí no meio dos Espíritas e do pessoal da Umbanda. Várias entidades à minha volta, muita energia rolando, caravanas do subúrbio do Rio, crianças com a cabeça feita e muita guia. Pensei em ir embora, mas fiquei curiosa em saber o que tinha atrás do outro carro de som. Infelizmente, não pude satisfazer minha curiosidade. Atrás de um bando de fiéis, uma senhora vira e diz: "Volta para casa, hoje não é dia de andar de bicicleta!". Eu estava achando que era, mas resolvi não contrariar, dei meia volta e fui para casa.
Ok.

Terça- Feira fui pegar meus óculos medonhos. Pedi para a chefe e ela comprou. Feinho que dói, mas agora com lente. Resolvi fazer em uma ótica que fica na galeria do trabalho.Copacabana tem muito velhinho, velhinho usa óculos e é pecado tirar muito dinheiro de velhinho. A ótica se chama Gypsy. Peguei minha bolsinha com aquele mimo dentro, minha receita, minhas velhas lentes e fui embora. Quando abri a bolsa, dentro tinha um papel de catequização evangélica. Li atentamente e voltei para o nome da loja: Gypsy.

O Jesus evangélico é cigano, e Copacabana é um exemplo de mélange religiosa.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Mostra o teu que eu mostro o meu

No baile do preto e branco, é melhor colocar para fora do que guardar. De preferência que seja visualmente agradável.

De cima para baixo: Diane Arbus (2), Helmut Newton, Richard Avedon (2), Helmut Newton






domingo, 23 de agosto de 2009

Deu Brian Eno no Samba


Era a feijoada do cafetão mais famoso dos restaurantes a quilo da cidade, o PIMP das balanças. Era a feijoada do Sr. Salpicão. Salpicão cujo nome dispensa apresentações, resolveu dar uma festa e chamar a nata da gastronomia de massa. Na entrada da festa, vestindo black tie, estavam seus capangas que faziam as honras e não arredavam o pé da porta (ou seria horta?) : Jiló, Quiabo e Maxixe. Eles eram os responsáveis por revistar as visitas, se meter onde não deviam e, conseqüentemente, receber cara feia de quem só estava lá para curtir o evento. Esses três fiéis capangas já tinham ficha no presídio famoso Xepa I, aquele que anos depois foi implodido e onde construíram o XepaII. Sr. Salpicão arrumou um esquema com o Varejão Volante às quinta-feiras, e conseguiu tirar eles de lá sem que ninguém percebesse a fuga dentro daqueles ônibus vegetal orgânico, que por si só já era suspeitíssimo. Por via das dúvidas, o experiente Salpicão se certificou de molhar as mãos dos policias no caminho com algumas laranjas limas, que foram recebidas de bom grado, já que são ricas em vitamina C, ajudam no trato gastrico e são ótimas para quem tem filho pequeno.

A festa corria bem, todos estavam se divertindo muito, a família Brocolis sentou-se na mesa dos Couve-Flor, e trocaram juras falsas de amor, aquela coisa de familiares que não fazem questão nenhuma de se frequentar, mas quando estão em público se esforçam em mostrar a todos a união e a sintonia que reina, quando se vem de baixo. Alías, esse momento da festa foi um pouco tenso. Os Brócolis e os Couve Flor começaram um discurso chatíssimo das minorias sociais, e de como eles lutaram muito para chegar ao patamar de essenciais legumes antioxidantes. As famílias das Beterrabas, Rabanetes e Nabos, se levantaram e em coro falaram que eles não sabiam o que era ser excluído pelos demais. A Beterraba deu um relato emocionadíssimo de como há anos ela vem sendo escondida no feijão, para que assim ninguém a perceba, e o Nabo fez o almoço quase acabar quando disse que sua maior utilidade era tirar manchas de Shoyu. Ficou um clima muito tenso entre todos, e o Sr. Salpicão a essa altura já estava achando que ia azedar.

Tudo voltou ao normal, quando a turma Hidropônica, com o maior jeitão de turma do deixa disso, chegou cantando uns mantras, dizendo que todos eram filhos da mãe natureza e que isso era culpa da Babilônia transgênica. O tomate que entrou para o ALFV (associação dos legumes & frutos viciados), concordou e disse para alegria de todos que fazia duas safras que ele abandonara o uso de pesticida. A festa a partir daí foi só diversão, todos dançaram muito! teve desfile da Mangueira com a porta bandeira Carlotinha e o mestre-sala Espada, porque feijoada que é feijoada tem que ter samba e palinha do Jamelão. No fim da noite, para fechar com chave de ouro, o Mc Repolho e o Mc Banana soltaram uns versos e trouxeram para o palco a mulher Melancia, a mulher Sapoti e a mulher Siriguela. Foi um desbunde de não botar defeito.

Acabado os shows foram entregues lembrancinhas de recordação, a mulher do Salpicão pensou em tudo e mandara fazer uns bem-casados de adubo orgânico. Todos só tinham elogios a fazer, e diziam: Festa boa fui no Salpicão! No entanto, ninguém conseguiu se despedir do anfitrião. Este coitado, começou a se sentir mal ainda no calor das discussões, percebeu que aquele suruba gastronômica que faz parte do seu ser não ia bem, e que aquela maionese tava desandando. Para o pobre infeliz deram um sal de frutas Eno, e deitado ele ficou, gemendo, dizendo que nunca mais comeria nada, que se arrependia do dia que tinha nascido e que ia matar quem tinha colocado o abacaxi em calda, porque ele já cansou de dizer que o abacaxi dele tem que ser fresco! Não viu nada, ficou dormindo em um leito de batatas baroas.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

De manhã


Chovia muito essa manhã. O ônibus passava pelo Jardim de Alah, e uma lembrança muito forte de você me veio à mente. Não contive o vômito. Envergonhada e com lágrimas nos olhos, virei para o passageiro ao meu lado e disse: " Desculpa, mas é que ele me causa repugnância". Ele entendeu, sorriu para mim e me deu um lenço. Ele não tinha noção do que era aquele peito peludo.


Meu passado me condena


Nasci em um trailler de cor cinza e letras vermelhas, onde se lia: "Cabinet Éxotique". Fruto do amor entre o incrível Homem Gógó e da Mulher que Devora Livros, vim ao mundo em um quinta-feira chuvosa no meio de um circo em Coney Island. Quando meus pais me pegaram no colo, me deram o nome de Agnes, por causa da mártir de incrível pureza. Cresci naquele ambiente que para muitos era inóspito e pertubador, mas que para mim era só uma trupe onde meus pais trabalhavam, e que eu podia ousar chamar de família. Ao 15 anos eu ganhei meu primeiro collant de lantejoulas. O brilho carnavalesco daqueles pedaços de plástico ora côncavos, ora convexos, sempre me emocionou. O que eu acabara de ganhar era cravejado desses rubis sintéticos. De collant vermelho fui iniciada na arte do trapézio. No início eu não era boa, o medo aflorava ainda na escada maleável, e eu não tinha bossa nenhuma voando pelos ares. A imagem que surgia diante do público em nada parecia com uma performance. Se assemelhava sim, com um resgate de uma vítima de incêndio. Com o tempo mudei de cor e passei para o collant preto, ainda de lantejoulas. Coloquei uma testeira da mesma cor, onde era possível ver, saindo por detrás do meu cabelo, uma pena de pavão real. No rosto, somente os olhos carregados de kajal. Neste dia quando entrei no picadeiro fui rebatizada com o nome de : Le Paon Sombre.
Criei um número que praticava com muita disciplina, porém não podia ser chamado de belo. Naquela época eu estava apaixonada, meu corpo saltava, mas minha mente estava atrelada a um porto seguro que era ele. Como mera mortal que sou, ficou sendo dele o papel principal do drama mais conhecido da humanidade - o amor não correspondido. E foi a partir desta frustração que tudo mudou. A sensação amarga era tal, que depois de ter percebido que o amor foi em vão, o medo de se entregar ao trapézio se foi, o nó foi desatado do porto. Finalmente corpo e mente se encontravam pela primeira vez em um espetáculo sombrio como meu nome mesmo já dizia.
Sem esperanças de encontrar um outro merecedor de tamanha fúria passional, criei piruetas e saltos que juntos foram chamados de La Petite Mort. Os orgasmos não eram meus, e sim da platéia. Meu papel ali era saltar como se cada travessão daqueles fosse o homem que um dia iria me segurar. De olhos fechados e um sorriso débil, o espetáculo assumia seu ápice quando a platéia em êxtase observava minhas mãos, um tanto magras é verdade, segurarem aquela barra que parecia tão distante. Era uma matemática simples: ou bem seguia meus instintos e numa luta pela sobrevivência me guiava no escuro procurando minha salvação, ou caía e provavelmente não sobreviveria.
Até hoje repito esta apresentação que me trouxe muitas recompensas. O amor pelo engolidor de facas adormeceu, e eu continuo minha busca por braços humanos. Como ainda não os encontrei, permaneço me atirando nos travessões. O que ninguém nunca percebeu é que, todas vezes que desço aquelas escadas, que antes me amendrontavam, a maquiagem borrada não é de suor, é a mistura igualmente salgada de lágrima com medo. Todas às vezes que executo com esplendor La Petite Mort, em todas elas eu choro.

* Foto de: Andrew Michael Casey - http://andrewmichaelcasey.com/

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A redescoberta com sabor de descoberta


Desde pequena tenho uma relação estreita com o mundo dos livros. Me lembro de ir com minha mãe na livraria Malasartes, e de gastar um tempo precioso sentada na mesinha de ferro vermelho, com banco estofado em xadrez branco e verde onde ficava lendo, até que umas das histórias me pegasse de jeito e minha mãe acabasse comprando, para assim ela ler e reler para mim inúmeras vezes. O fascínio pela livraria era tão grande, que foi lá que cometi meu único e pequeno furto infanto-juvenil: um adesivo metalizado de colombina, e foi sobre ele o tema da minha primeira confissão.Um pouco maior, me lembro de ir visitar o dono da livraria Timbre, a única livraria de adulto do bairro. Ele era muito simpático comigo, e a pequena livraria tinha um cheiro fortíssimo de livro novo, carpete e cigarro. Não gostava muito de lá, não tinha livro para gente "pequenininha", mas minha mãe era amiga do dono e o companheirismo nos passeios pelo shopping era completo. Alguns anos depois, tivemos uma livraria de rua que tinha um espaço muito bacana. Lá também não havia livros para minha então idade, mas tinha um degrau para cima, e alguns para baixo, porque a Gávea enche em dias de chuva. Na Bookmakers eu ia para lançamentos e ficava atrás dos garçons avaliando o que tinha nas bandejas. Convenhamos que comida enche mais os olhos do que livro. Além dessas que eu ia com frequência, tinha uma outra em Ipanema que guardo na lembrança com muito carinho. Ipanema eram os passeios pós fonodióloga. Na Dazibao a grande emoção era comprar os livros do Wally, fenômeno na minha infância, lá que comprei toda a minha coleção.
Por destino ou por opção mesmo, acabei escolhendo na vida profissional trabalhar com imagem. Durante alguns anos deixei de lado o que para mim era tão natural e cotidiano. Falta de tempo? namorados de outras áreas? não sei explicar o que me distanciou dos livros, só sei que me distanciei... a única sensação que permaneceu invicta foi a alegria de ir a Bienal do livro. Hoje em dia, nos meus 26 anos, me arrependo um pouco dessa pausa que aconteceu. Observo colegas, amigos, desconhecidos, e fico pensando aonde eu estava que não aproveitei da salinha ao lado do meu quarto, em casa, abarrotada de livros? A mesma salinha que agora eu frequento, e pego a cada dia um livro novo, como se o simples traslado da prateleira para a mesa de cabeceira já fizesse com que eu tivesse lido todo o conteúdo daquele objeto quase sagrado.
Esses dias vi um filme que tinha me sido indicado inúmeras vezes. Guardo na cabeça a imagem do altar do Balzac, que foi a que mais me cativou. O menino se apaixona pelos livros do Balzac e resolve fazer um altar, como se aquele que o fizesse sonhar fosse um santo. E talvez seja, porque não? E levando em consideração que é, faço a ele as minhas preces para que esse renascer para os livros nunca se apague novamente.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Cada um no seu momento


Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Isabel Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Foca Isabel Foca Foca Foca Foca Foca Isabel Foca

Olha que coisa interessante que acabo de descobrir em mais um dia de trabalho árduo:

As focas são da família Phocidae e da super-família Pinnipedia. Começamos bem essa terça-feira, não? O que distingue uma foca de um leão marinho é que ela não tem orelhas. Ou seja, a foca é a prima surda e bela do Leão marinho ( da família Otariidae) que ouve, mas é feio que dói. Além desse problema em família, um outro parente distante da foca é a morsa, que por sua vez vem da família Odobenidae. Toda essa turminha do barulho faz parte da subfamília Monachinae que infelizmente possui vários membros extintos (pausa para muxoxo). Na internet pude ver vários nomes interessantes de focas, mas os que eu mais gostei foram: a Gryphoca (RIP),Platyphoca(RIP) e a incrível Phocanella (RIP). De posse desses nomes, já posso fazer uma versão focosa de Harry Potter, por que isso é quase aqueles nomes das casas.

Infelizmente não tenho mais o que falar sobre esse surpreendente mundo que me apareceu enquanto faço hora para ir embora. O post acabou e ainda faltam 20 minutos para eu ir embora... os bocejos e a consequente umidificação dos olhos, estão dificeis de conter diante de um texto tão imbecil.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Separados no berço


Estava eu lendo um blog que falava a respeito de um livro do Foucault. Na mesma hora me veio a imagem... só eu vejo semelhança?

E o conto se torna realidade


Cortázar morreria de orgulho desse trânsito.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O kajal e o tchibum


Ontem no caminho para casa tentava inventar mais uma desculpa para não comparecer à natação. O ônibus não demorou e cheguei em casa disposta a colocar o maiô e seguir meus afazeres do dia. Correndo peguei o maiô que estava em cima da mesa e vesti. Não era a minha vestimenta habitual, era o esgarçado e velho. Não que eu seja vaidosa e ache que tenha que ir linda para a natação, mas a linha índia velha com modelito ganho por igualmente velha portuguesa não faz o meu estilo. Sei lá por que cargas d'agua o maiô puxou os peitos para baixo e tava um horror. Saí correndo pelada pela casa à procura do collant perfeito. Vesti e me senti muito atleta de shortinho, havaianas e camisa branca. Tudo bem até que eu abri a porta da portaria e uma lufada de vento frio, fazia 16 graus do lado de fora, me atinge e eu penso na roubada em que estou me metendo. Cheguei na natação e estava rolando uma aula de fotografia aquática. Nadei durante 45 minutos junto com golfinhos de borracha, tubarões, corais e peixes borboletas - bonito que só. Isso me levou a questionar a veracidade desses filmes do GloboRepórter, acho que é tudo gravado na Hidrovida. Eis que o suplício aquático termina, e eu emerjo vitoriosa de dentro d'água. Saio de lá com a sensação de dever cumprido e me olho no espelho.... Alice Cooper nadou muito bem quarta passada! Nunca mais entro na piscina com a maquiagem do dia. Durante 7 andares esfreguei meus olhos até depenar os cílios a fim de tirar a Gretchen de mim.

Ainda sobre música

Eu não vi o filme. Mas isso não é de espantar minimamente. A música é puro xodó.

You're part time lover
And a full time friend
The monkey on the back
Is the latest trend
Don't see what
Anyone can see
In anyone else
But you

Here is a church
And here is a steeple
We sure are cute
For two ugly people
Don't see what
Anyone can see
In anyone else
But you

We both have
Shiny happy fits
Of rage
I want more fans
You want more stage
Don't see
What anyone can see
In anyone else
But you

I'm always tryin'
To keep it real
Now i'm in love
With how you feel
I don't see
What anyone can see
In anyone else
But you

I kiss you
On the brain
In the shadow
Of the train
I kiss you
All starry eyed
My body swings
From side to side
I don't see
Wwhat anyone can see
In anyone else
But you

The pebbles forgive me
The trees forgive me
So why can't
You forgive me?
I don't see
What anyone can see
In anyone else
But you

domingo, 12 de julho de 2009

O som do limbo

Não existe nada mais triste que o Radiohead. Mentira existe sim, estou só exagerando. Mas no mundo do rock, pop, Britpop, ou seja qual categoria eles se encontrem no presente momento, eles são de uma melancolia atroz e ninguém tira isso deles. Andei ouvindo muito por conta do show, e dei mais atenção aos meus favoritos que são : O.K Computer e Kid A. Gosto dos outros e gosto do novo também, mas elegi esses como queridões do momento. O que mais me assusta na música deles é a capacidade de fazer com que você entre em uma espécie de transe e por alguns momentos se sinta espectador de você mesmo. Uma sensação não muito prazerosa e acima de tudo de redução. Eu pelo menos me sinto pequena e desprotegida, talvez que nem o próprio Tom Yorke, não sei, ele é pequeno e parece desprotegido. Pensando por este lado, a grande façanha do Radiohead é o ato de embalar os outros com suas angústias, que acabam se tornando as angústias de todos, se é que ela não são as mesmas.

Antiinflamatório

Tomei um remédio para cuidar de um problema nos ombros e no braço direito. Antes assim. Faz tempo fui ao médico, e achei que o meu gostar em vão tinha me acarretado uma série de doenças, brotoejas, escaras e afins. Pois não foi o que aconteceu, sobrevivi, só fiquei com os braços doentes por conta do uso excessivo de computador. As jovens moças missivistas deveriam ter LER também no século XIX, Rilke teve LER e Werther idem, só que ninguém diagnosticou, ou talvez eles tenham ficado apenas no platonismo ao invés de partir para hipocondria. Terça tomei um remédio que o doutor passou e a dor se foi, a violência da inflamação era tal, que troquei um mal por outro e desde então meu estômago chora. Cancelei o remédio, sou uma hippie apaixonada cibernética. Na quarta dei uma de jovem gaiata e fui saracotear pelo Rio. Noite agradável, papo descontraído e de lá para cá uma onda de vazio sopra por estas bandas. Nada de novo aconteceu, nada mudou, você simplesmente se foi. Bastava tão pouco para você ir?

sábado, 11 de julho de 2009

Senta, que lá vem história

De não relacionamentos também saem lições.

Acho que deveríamos ter aquela letra, agora não me lembro de que alfabeto, que junta a e e. A grafia ficaria tão mais bonita.

Não sei o que acontece com as minhas vírgulas, elas se recusam a entrar no lugar.

sábado, 27 de junho de 2009

Patologias analógicas

Encontrei este texto em uma pasta no computador. Ele foi escrito em setembro de 2007, no auge de mais uma crise amorosa da minha parte que nada tem a ver com a pessoa desse texto. Engraçado ver que meus medos, meus comportamentos e minhas patologias se repetiram logo após, em abril de 2008. Se tivesse relido este texto a tempo, talvez eu não tivesse me deixado envolver de uma forma tão doentia. Dizem que arrependimento é para os fracos. Fraca ou não, eu me arrependo! e não foi por falta de aviso. Estava tudo ali: e-mail, acaso, tempo, espera e leveza.

Um ônibus. Tudo começou em um ônibus. Um ônibus com hora certa, parada certa e passageiros certos. Esse é era o maior elo deles, um ônibus com um número ridículo.

Eles eram os diferentes, moravam onde ninguém morava. Foram obrigados a conviver por uma questão geográfica. E daí surgiu uma amizade. Não era bem uma amizade, e sim um passa tempo para a viagem, posto que não havia interesses em comum. A lei dominante era discordar, discordavam da entrada até um deles descer. A amizade veio depois. E depois o amor platônico, e depois o equívoco, e depois a separação, e a reaproximação, e a separação e a reaproximação, um fluxo contínuo... como em uma viagem dentro de um ônibus circular.

Ela sempre falou demais, para tudo tinha opinião, as mais absurdas, um gosto um pouco exótico, e um defeito: sempre esperou demais dos outros. Uma carência infundada, mas que sempre fez com que ela tivesse que ter certezas, mesmo não tendo nenhuma, além de uma necessidade de controlar os outros. Falava muito de si como se houvesse um pacto, “agora que te deixei entrar na minha vida, por favor fique”, só que isso valia até para o cobrador. Chato isso. Maiakovski disse: “A anatomia errou comigo, sou todo coração” seria uma definição para o caso dela. Ele no entanto, sempre foi o oposto, ou pelo menos sempre tentou parecer. Aliás esse era um dos seus jogos favoritos, pareço mas não sou. Difícil era achar a essência dentro de tantas aparências. Sempre independente, falava bastante, nunca dele, sentimentos, pouquíssimos. Sempre soube ouvir, mas sempre selecionou o que ouvia, e um ouvido seletivo é algo que temos que aprender a lidar, ou melhor, “peneirar” o que vai ser dito, para não gastar saliva à toa. Neste ponto eram realmente opostos. Um agia antes de pensar, o outro pensava, pensava, pensava, pensava e aí quem sabe agia. O tempo dele - que ela tanto detestava.

O tempo do relógio não é o tempo pessoal. O tempo faz esquecer, o tempo cura a ferida, o tempo traz mudanças, o tempo nos faz envelhecer, o tempo nos faz amadurecer, o tempo é uma faca de dois gumes, e sintonizar o próprio tempo com o real e o do outro é uma tarefa árdua. Ela nunca cobrou tal sintonia, mas sempre detestou esperar. A espera é uma forma de colocar o outro no seu devido lugar. A espera nos prende e nos torna vulneráveis. A relação do atrasado e do que espera é quase uma relação fetichista: sou teu escravo, eu te espero enquanto o outro tem algo melhor para fazer e sabe, por que ele sempre sabe, que o outro está esperando. De alguma forma isso deve trazer uma satisfação pessoal. Para ele, sem dúvida.

Como foi dito, depois da amizade veio a paixão platônica. Todos sabiam, ela terminou o namoro, todos comentavam, mas não era o momento, ela esperava e ele decidia, e a amizade continuava. Viagens, pastas, folhas, fotos, e-mails, despedidas... o tempo passou, e ela arranjou um namorado, não agüentou esperar. Um amigo que surgiu para substituir, reafirmando que ela sempre foi carente, acabou encantando e daí surgiu um romance, que a princípio tinha tudo para dar certo. Esta foi a primeira vez que ela não esperou ele. Só que o namoro não deu certo, pelo contrário, terminou de forma bem ruinzinha. De um grupo de amigos só restou ele no caminho dela, e por ironia da vida, por mais que ele estivesse dentro do mesmo contexto, ela nunca o associou ao resto dos amigos. Sem dúvida ele era especial, a intimidade era grande, se conheciam bem para virar as costas e cada um ir para seu canto.

A segunda vez que ela não esperou, foi quando ele decidiu ter alguma coisa com ela. Só coube a ela dizer: desculpa amigo este não é o meu tempo, as coisas não são na hora e do jeito que você quer. Mostrando como a problemática do tempo está sempre presente. Ninguém aceita bem o tempo do outro, muito menos quando se apostam algumas fichas para dar certo e não dá. O afastamento foi inevitável, porém contornado, abafaram o caso e continuaram amigos. Só que como eram de turmas diferentes e já era quase fim do ano, ele foi embora antes dela. Foi a segunda vez que ela observou ele ir embora.

Mas o mundo da voltas e a Zona Sul é um ovo. Um ano depois., ela estava na mesma faculdade. Não era como antes, mas se encontravam de vez em quando, alguns amigos em comum, pilotis, MSN, festinhas e aniversários. A lacuna era grande, mas onde há algum tipo de amor sempre resta um sentimento de cumplicidade, e isso sem dúvida não foi perdido. Um dia estavam conversando e no mesmo dia descobriu que ele ia viajar novamente.Com a notícia veio à festa de despedida, como de praxe. Ela pensou: ”já mal nos vemos, que diferença faz ? vamos à despedida”... Na hora de se despedir ficou triste, uma tristeza que ela não esperava sentir, de repente se viu numa passividade assustadora, em uma confusão interna como se estivesse de fato presa a um passado e as palavras “ eu te amo. eu sempre te amei e eu sei que você sabe disso” bateram de uma forma muito estranha, podia ser verdade, existem tantas formas de amar, mas o papo de bêbado não estava descartado. A única resposta foi: "Boa viagem.Aproveite." Naquele momento não era o que ela esperava dizer e nem ele ouvir, provavelmente. Chegou em casa chorou um pouco e mais uma vez abafou o caso, como das outras vezes, sempre na passiva e ele na ativa.

No entanto estas palavras que geraram um incômodo deram forças para ela investir via Internet numa relação de amizade saudável. Falava com ele, enchia o saco, vivia numa falsa “atividade”, mal ou bem o tempo dele ainda controlava a relação, respondia quando bem entendia, saia do MSN do nada, tudo que irritava ela, que respirava fundo e começava tudo de novo no dia seguinte. Até que essa situação chegava ao limite, ela ficava irritada, se sentia humilhada, correndo atrás, voltando à sua posição fixa de esperar. Isso gerava um monte de pensamentos do tipo: Será que? Por que? Não, não é pessoal, mas a raiva era grande, deletava os e-mails dele, dizia chega! Só que no primeiro sinal de “Olá" ela voltava a considerar a amizade. Se tem uma coisa que ela aprendeu a muito custo foi não depender mais 100% das pessoas, e quando ele chegou para as férias, ela percebeu que na vida dele, o lugar dela era mais no passado do que no presente, como se fosse um brinquedo que o adolescente não tem coragem de descartar. Mesmo assim , ela tentou, mandou alguns e-mails, não queria encontrar ele nem nada, era só para mandar um “oi” “e aí?” “o que tem feito?”, só que o tempo dele não permitia. Muito atarefado, deixou ela um pouco de lado, com a certeza que ela, que sempre aceitou, e que o conhecia tão bem ia entender a mente relapsa, a maluquice e a dislexia, fatores que existiam, mas que não eram impossibilitadores quando ele queria algo de fato. Se não respondia é por que não estava com vontade. As coisas tinham mudado, no entanto, e ela não queria mais. Caso exista um término de amizade, foi isso que ela ofereceu , para não ficar chateada. É preferível ter uma boa lembrança do que passou, do que se sentir mal no presente. A dependência dela não permite uma amizade onde só um dita as regras. O tempo dele consumiu a relação. Essa foi a terceira vez que ela não esperou e a primeira vez em que se despediu com palavras semelhantes: Eu te amo.Um amor que se modifica há oito anos, uma certeza que vamos levar para sempre e para qualquer lugar, mesmo que nunca antes tenha sido dita, mas não posso deixar de ser eu. Minha natureza é falastrona, excessiva, um tanto grudenta, eu levo a sério demais quem eu considero amigo, e para ficar policiando meus atos, prefiro abrir mão. Não posso ficar esperando o seu tempo e não quero mais ficar observando, como fiquei esse tempo todo. Não vou colocar você na caixinha do passado por que seria injustiça demais. Mas prefiro deixar ao acaso.Fica mais leve assim não é?

Au revoir.


quarta-feira, 24 de junho de 2009

Em uma quarta-feira de junho

Existe fobia de vários tipos, formas e cores. Já tive TOC, já tive agorafobia e tenho claustrofobia. No momento estou com nódulofobia, se é que existe isso. Passei hoje o dia com o braço para cima cutucando meu sovaco direito porque jurava que tinha um caroço ali. Submeti alguns amigos mais intimos do trabalho à humilhação ao pedir "por favor veja se não tem nada aqui!!" Bolinei a axila tanto que cansei, e percebi que o problema cervical que estava em um lado, agora passou para o outro. Marquei uma massagem para ver se quem sabe mãos mágicas desatavam meus nós. Deitada naquela cama, com uma lingerie escolhida a dedo para o dia de hoje, eis que começa ao som de Carlos Gomes remix a Voz do Brasil. Enquanto sentia que a infiltração das minhas panturrilhas cansadas estava indo embora, ouço a primeira notícia: Lote do creme Sensodyne de número tal, agora não me recordo, está falsificado, contendo, segundo o Ministério da Saúde, substâncias danosas para a saúde. Eu não vi essa notícia em nenhum um outro lugar hoje, o que me faz concluir que quem ouve voz do Brasil tem duplo mau gosto. O primeiro por conta da fascinação com o programa de rádio, e o segundo pela escolha do creme dental. Logo após a CPI da Sensodyne, me disseram que o creme capilar da empresa Baltazar Barbosa também está infringindo as leis. Acabo de pesquisar na internet e Baltazar e Barbosa possui, em seu catálogo, uma vasta quantidade de produtos oriundos da Amazônia. Houve uma pausa e veio a voz do judiciário, e a chamada principal foi: Brasil pára de importar pneus usados. Isso mesmo, pneus usados! Enquanto a massagem chegava ao ponto T da tendinite, me pego questionando nos danos para a economia diante de tal corte. Por fim, vem a voz da cidadania onde um grupo adrenalizado entra e fala sobre os direitos dos ciganos no Brasil, junto com o negros e indios. Negros e indios fazem total sentido, agora ciganos? Temos mais de 600 mil ciganos,. Desde quando, não tenho a remota ideia. Na verdade ninguém sabe, mas o fato é que fazem parte de nossa história e isso tem que ser contado na escola. Ok, ok melhor não discutir.

A massagem acabou e com a coluna inteira fique com vontade de acompanhar o programa diário, para assim ficar por dentro de um Brasil que eu desconheço.


Este post valeu 5 paçocas. Relaxada e ansiosa.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Aprendizados Urbanos

Eu li: Só o Ctrl + S salva! Não tem como não dar um riso fino com tamanha bobeira.

Me deu vontade de cantar minha autoajuda da Xuxa:

Um dia um encontrei um passarinho que me disse assim: " Não fique triste não. Depois da tempestade vem um dia claro de verão. Para que chorar então?" Ele me contou que lá no meio da floresta, tinha uma tribo que vivia em uma festa: Uga Uga Uga Ô - É a tribo do amorrrr

Meu corpo declarou bancarrota, e tudo dói, arde e infecciona ao mesmo tempo Right here, rigt now. Não sei se o Ctrl + S realmente salva, mas que tô precisando de um Ctrl + Alt + Del, isso ninguém tem dúvida.

domingo, 14 de junho de 2009

Um tantão assim

Eu tenho tanto amor para dar, que acho um desperdício ninguém querer um bocadinho.

Êta

Eurodance às vezes me dá vontade de chorar. Será que acontece só comigo? Deve acontecer também com as pessoas que odeiam, mas esse nem é meu caso. Fico ouvindo essas músicas cujas letras são naives e telemongas e a batida de uma pobreza sem igual, e entro em uns questionamentos nada compativeis com tal trilha sonora. Coisas do tipo "se vou ou não passar no mestrado" e" o que quero fazer na vida" pipocam no pensamento.

Preciso de umas férias. Em Ibiza.

sábado, 30 de maio de 2009

Notícias de um mundo bizarro

Acordei disposta a ver um filme seguido de uma palestra de um antigo professor. Acordei, abri a janela, e vi o tempo. Ok, voltemos para cama. Hoje acordei, tomei um café da manhã comunista, mais um pouco meus pais me cediam os talheres deles para não gastar louça, e sentei para ler o jornal. Eu não leio o jornal inteiro. Aliás, sinceramente, para uma pessoa com astigmatismo, jornal é algo como um livro em 3D, deveria vir com uns óculos. Li uma matéria que me deixou um pouco assustada no caderno Ela, e fiquei imaginando coisas, e tempos, e pessoas que passaram nessa vida. Hoje decidi pintar minhas unhas de verde radioativo para ir ver uma exposição Neoconcreta. Hoje ouvi muitas vezes o CD de Cabaret, meu musical favorito, e vi a vida passar. Hoje foi um sábado especial ou um sábado qualquer.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O mundo da Orla

Meu projeto summer não anda muito bem. Não consigo acordar na hora que gostaria, e por isso não tenho ido para o trabalho de bicicleta. Tenho aproveitado para andar à noite, que é menos belo, porém muito mais interessante. O trajeto na orla é singular, Leblon e Ipanema possuem o mesmo público, muitas pessoas correndo, principalmente as que fazem parte do grupo que tems personals trainers. Confesso que descobri um bom lugar para flertar, caso eu fosse uma flertadora, o que não sou. Quando você entra na orla de Copacabana, as coisas mudam um pouco de cara, me sinto em um lugar muito próximo de Verona Beach no filme Romeu e Julieta pop, prostitutas se misturando com pivetes, velhinhos, gringos, malucos e outros tanto, fazendo com que a melodia de " Walk on the wild side" se encaixe perfeitamente nessa atmosfera: Sugar plum fairy came and hit the streets/Looking for soul food and a place to eat. Em uma dessas pedaladas, deparei com um rapaz dando tiros e dançando no ar entre as pistas de carro. Fiquei um pouco assustada. Passei por um grupo onde todos os membro tinham chapéu de cowboy de paetês. Mas ontem foi deveras curioso, na altura do Leblon havia um casal brigando na areia, o negócio tava feio por aquelas bandas, teoricamente não dava para reparar, se não houvesse um grupo de garis acompanhando cada minuto. A cada grito vindo da areia, a plateia no calçadão saudava com outros tantos gritos. Um Big Brother ali, no meio do Lebronx. Fiquei pensando com que petulância as pessoas questionam a voracidade com que consumimos estes programas, mas fazer o quê? Ontem tive a prova cabal que é mais forte que nós.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Allez -Vous Glenda!

Lustrando o assoalho


Minha autoestima estava torta como Pisa, agora ela esta acabada como Pompeia. TitiCaca mode on.

Andando com os amigos

Meu aniversário está chegando e com ele todas as angústias deste dia. Todo ano me deparo com a pergunta: " O que vc vai fazer?" e a resposta é sempre a mesma: " Nada". Não sei o que acontece, não sei se é resquício do meu aniversário de 18 anos, mas não tenho vontade de comemorar meu aniversário. Na verdade, às vezes até tenho, mas logo depois desisto. Milhões de coisas me passam pela cabeça, mas sempre caio em mais do mesmo. Estou ficando velha, porém me sinto aprisionada a uma mente infantil, o tempo passa e eu não sei se estou melhorando, me acho feia, mundana, ordinária. Que diferença eu faço no mundo? Só para meus pais e com eles eu passo todos os meu aniversários. Acredito, mesmo que nunca tenha acontecido, que se fizer uma festa ninguém vai, e que mesmo se forem, eu não vou me divertir e vou querer ir embora e não vou poder. Pior de tudo, vou ter que socializar com muita gente, e cada dia mais eu não tenho vontade de socializar com ninguém. Todo ano é isso, até que passa, apago uma velinha e pronto! só ano que vem.Chega terça-feira, ou será chega quarta-feira?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Timidez, meu álibi

Segundo o dicionário:

1.Que tem temor; receoso.
2.
Acanhado, retraído.
3.
Fig. Fraco, frouxo, débil:

Um adjetivo que tem como significado outros tantos não muito positivos. Fraco, frouxo, débil. Por que eu me levantei hoje mesmo??

Única - Único

A visão de fiho único não é algo fácil de se trabalhar. Tem horas que se disfarça, que se controla, mas ela permeia nossas vidas. Acredito que aquilo que queremos muito acontece, e que a cada dia, se desejarmos um pouquinho mais, aí é que se concretiza mesmo. É como se não se aceitasse o não, e que mesmo dando murro em ponta de faca, tivessemos o controle, mesmo que útopico, que as coisas mudariam de acordo com nossa vontade. Esse tipo de sentimento, ou será sensação, deveria ser trabalhada, para quem sabe ser expurgada. No entanto, ela nos leva a uma face tão inocente da vida, tão infantil, que não tenho coragem de cortá-la.

domingo, 24 de maio de 2009

Que carinha linda

Agora vamos de branquinho. Tá ai uma cor que não me passa nada. Dizem que o preto é uma cor que não mostra sentimento. Acho o preto cor de personalidade, sair todo de preto feito um corvo trevoso morando em uma cidade praiana é muita atitude. Já o branco... Acho uma cor nada. Não é feliz, não é triste, não é quente e nem fria. O único adjetivo que posso utilizar é de limpeza. É uma cor bem limpinha. Pois bem, limpeza não faz mal a ninguém, e por isso mudei o layout do bloguito.

Essa semana começo meu processo de leveza. Para isso preciso cuidar das minhas costas, da minha saúde e outras tantas coisas. Ontem na festa über carioca, percebi que minha face hippie é mais feliz do que a minha rock star intelecto cult. Sigo ouvindo " Arrasta pé alagoano" e tendo certeza que quero morar no nordeste.

Divisor de águas

Parei com o pó

A partir de hoje minha análise virtual, minha caixinha de pandora cibernética se fecha. Não vou escrever mais sobre minha dor de cotovelo. Esse blog não tem público, mas nem eu me aguento. Peço desculpas por ser tão maluca e inconstante e fazer por mero execício a vida dos outros minha patologia. Eu não sou do mal e nem psicopata, eu juro! Só confundi sonho com realidade e criei um monstro papa migalha dentro de mim. Desculpa, desculpa, desculpa, mil vezes desculpa! Saio de fininho com a cabeça baixa que nem delinquente preso " não fui eu não tio".
Recebi um elogio na night, e achei bonitinho: um rapaz veio e disse que minha luz era linda. Achei legal, devia estar emanando muita luz mesmo, ainda mais vestida toda de preto as usual. É engraçado festa com VJ, todo mundo fica vendo televisão e balançando de um lado para o outro. Festa dos Rain Men.

A partir de hoje nesta humilde URl, só coisinhas fofas e bacanas e não mais frustrações e sofrimento. Mas valeu a pena ter passado por isso, paixão é doença é um fato e dói, houve dias que a coisa era física. Que essa energia que impulsiona a gente a só ver o outro, seja um catalisador de coisas boas para outros tantos. Pela última vez desculpa e obrigada.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Sim!

Sim para a vida! Sim para o biscoito de gergelim que como no momento! sim para o trabalho! sim para os amigos! sim para a novela! Sim para o amor! Sim para a simplicidade!

Sim
Sim
Sim
Sim


Sim, sou bipolar!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Imaginação_ação


Imagine uma cidade abandonada, radiotiva, com um parque de diversão dentro para você fazer um ensaio fotográfico? Seria demais. Uma Coney Island do Super Homem..bem super homem é criptonita, mas urânio enriquecido é quase isso, vai... Hoje é aniversário de Chernobyl. Chernobyl sempre foi um nome de personagem para mim. Temos: Billy the Kid, Cheech e Chong, e por que não Chernobyl? Já imagino até a pronúncia, fazendo -rnobyl com assovio, uma coisa meio como a música Sally that girl.

domingo, 26 de abril de 2009

Até do escuro

Quando nascemos, acredito que Deus já tenha traçado nossas vidas, nossos planos, nossos amores, amigos, alegrias e tristezas. Eu não posso ser classificada como alguém que sabe viver. Sou tímida, insegura, gosto de ficar em casa, e aqui me recolho dos medos que tenho lá de fora. Já vivi fortes conflitos, achando que a vida estava passando diante dos meus olhos e eu preferiria deixá-la passar ao invés de vivê-la. Hoje em dia não tenho mais esse conflito, pois sei que fiz uma opção. Ainda penso, na minha mente infantil, em seguir a vida religiosa. Uma vez eu disse isso para minha mãe e a fiz chorar: Eu não pertenço a esse mundo. E não pertenço mesmo. Olho e vejo tanta coisa irregular, tanta tristeza, que isso me choca e toma proporções que acho pouco provável que tomem para os demais. Eu não sei ser leve, eu só conheço o peso, tem dias que nem percebo o que coloquei nas minhas costas, mas tem dias que me sufoca até a alma. Me sinto perdida, me sinto desprotegida e tenho medo... até do escuro.

sábado, 25 de abril de 2009

O vento que traz, leva

" Mas se houver alguma possibilidade de você se fantasiar de Zorro, então não perco por nada". Já faz um ano. Do nada me veio esse e-mail à cabeça, provavelmente por conta da final do campeonato brasileiro Foi na mesma época, e por um minuto queria estar vivendo as angústias de uma apaixonada. Me deu saudades. Vivo outras angústias, mais profundas, e sou um ser nem um pouco apaixonado.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Moi et Vous: La somme n'est pas Nous

"Quelqu'un d'autre
Pour oublier des moments"

Moments? Il n'y a pas des moments entre nous. Nous? Il n'y a pas personne pour composer nous. Il y a sollement moi. Et c'est moi qui écris dans cette blogue imbecile! C'est moi qui pense que quelque jour ma histoire de vie sera differente. La verité? La verité est que cette jour ne viendra jamais.

domingo, 19 de abril de 2009

Amizade

Hahahahahhahahahhahahahahahahhahahahaha

Sabe votos de casamento "na saúde e na doença, na alegria e na tristeza"? Pois bem, não conte com meus amigos, eles não me ligam, eles não podem me ver..a vida é para ser vivida e não ouvida.

Para Young Full obrigada por tudo! Ahhh Belzinha, domingo a gente se vê!


Salvam-se poucas exceções.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Tic tac trim

Os barulhos me assustam. Vem uma onda de arrepio que começa nas pernas fazendo-as balançar, sobe pela espinha e termina sobre os olhos que, desnorteados, tentam achar uma lógica na ilógica chamada medicina. Estou igual ao personagem da novela, só que não ouço vozes, ouço bips. A UTI é uma prova de grandeza que assusta. Eu definitivamente não nasci para a biomédica, respeito e muito, mas por favor me tirem e acima de tudo, tirem-na daqui!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Do fotolog da amiga para abrir mais a ferida

Conselho de um velho apaixonado

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
junto chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou
um presente divino : O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...


Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!

Carlos Drummond de Andrade

Por que eu não consigo te decifrar?

Por que você não deixa eu penetrar na sua alma, no seu gosto, no seu gozo, na sua alegria e tristeza?

Por que você não aceita a minha amizade, e juntos trocariamos sonhos e risos?

Por que você não deixou eu ser sua amante, e ao seu lado eu agradeceria todos os meus dias, e te ajudaria, e te surpreenderia, alimentaria e dormiria esperando para o dia seguinte fazer tudo igual?

Por que você não aceitou eu ser sua melhor aluna, e assim você se vangloriaria ao dizer meu nome e desta relação existiriam frutos que outros usufruiriam?

Por que eu insisto em mexer naquilo que está cicatrizando? Que força é essa que não controla minha mente e por consequência meus dedos? Será um vício? um vício de você ou um vício de ter você por perto? Ou será um pagar para ver? Tiro a casquinha e fico vendo a ferida purgar mais uma vez e me pego me questionando, quando aquilo que agora arde vai cicatrizar e fechar novamente uma vez por todas....

Calendário

Escrevo para você depois de um mês, por necessidade e não por saudade. E você me responde, você sempre me responde.... sinto um vazio estranho. Aquela angústia dos apaixonados se esvaziou, e não sinto o coração batendo mais forte quando vejo seu nome aparecendo na janela localizada à direita. Engraçadas as surpresas do coração e como fica claro que nada mais foi que uma fantasia. Fantasia essa que de tão alimentada foi para o abatedouro e fim. Fim? como assim fim? fim! Seja feliz no seu caminho e eu serei no meu, e um dia nos encontraremos no famigerado acaso e tudo será leve e terá gosto de novidade, ou não. Melhor do que 10 é saber que posso te esquecer.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Os sofrimentos do jovem cãozinho

Estavamos eu e minha mãe indo para PUC hoje, na hora do almoço, quando na esquina de nosso quarteirão vimos um cachorro enroscadinho dormindo. Como o viralatinha em questão era muito parecido com a Lola, nossa viralatinha miguelense, paramos e fizemos festinha, na ânsia de quem sabe, ele responder o que estava fazendo ali desgarrado. Essa personalidade à la Brigitte Bardot que ama os animais é engraçada. Ele era um viralatinha de poucas palavras. Voltamos da Puc uma hora depois, e o cãozito continuava no mesmo lugar, dessa vez com as orelhas para trás, dormindo com a cabeça levantada, com um semblante de: Tô dormindo, mas tô desconfiado e prestando atenção. Havia uma senhora parada, acho que indagando a mesma coisa, quando passamos por ele a primeira vez, então paramos novamente. As três fadas madrinhas, ficaram encafifadas e resolvemos ligar para o porteiro que veio um tanto putão com esse front do PETA. Não, o cachorro não era de ninguém do prédio e não havia fugido. Eis que surge um homem de bicicleta e nos desvenda o mistério. O cachorro em questão mora no Parque da Cidade. Acontece que naquele prédio mora o amor da vidinha dele, que está no cio. Faz dois dias que ele monta guarda na frente do prédio da amada, duas senhoras já levaram ele de volta para casa, mas o obstinado cãozinho desce e fica ali deitado esperando por uma chance de quem sabe ela o escolher. Quando soube da história fiquei emocionada. É instinto puro, mas é lindo! O jovem cãozinho Werther de tão apaixonado que está monta guarda na frente da PussyLotte! Ele deveria ser meu e trocariamos relatos daqueles que sofrem por amor! Resumindo, um fofito!

Sexta-Feira da Paixão

Neste dia, que carrega minha sina no nome, resolvi me confessar. Fazia tempo não me confessava. Vou à missa sempre e não comungo nunca. Não tenho controle nenhum sobre meu pensamento, o que me torna, pelo menos perante os meus olhos, um ser indigno da comunhão. Como é Semana Santa, é hora de cumprir meus deveres de boa católica e lá fui para PUC pensando no que tinha a dizer para o Padre. Cheguei e levantei minhas questões teológicas de praxe de católica mundana de 26 anos, que é, sem dúvida, o que mais pesa no meu credo. Até aí tudo bem, porque a confissão é justamente apontar aquilo que você julga errado e do qual você se arrepende. Arrependimento sentido, passamos a uma outra questão. Como dizer que perdi a razão, que fui consumida pelo sentimento mais irracional de todos que é a paixão, que fui contra o mandamento de " não cobiçar a mulher (no meu caso o homem) do próximo", que fui inocente em parte, por que não fui informada da existência da namorada e que pior de tudo ainda gosto e não me arrependo? Por alguns minutos achei que vinha a prescrição de pelo menos 5 passagens da Bíblia para me absolver e eis que fui surpreendida. O Padre em questão, que carrega o mesmo nome daquele que amei muito, disse que de fato sou inocente, que meu sentimento sincero é digno de doença e que nada posso fazer a não ser esperar passar. Perguntei: Mas quantas vezes não me peguei suplicando para que ele terminasse com ela e viesse até mim, não é errado? E ele disse que não, que esse direito eu tenho , só não posso ser a outra. Ufa! Eu não quero ser a outra e nem ele me quer como outra. Sigo nas minhas preces para esquecê-lo o mais rápido possível, só que agora sem culpa no cartório.

X-women

Algumas verdades sobre o câncer.

Eu adoraria não ter que pensar sobre essa doença que traz tantas angústias. Mas, infelizmente, ou felizmente por me tornar um ser atento, ela foi próxima e por conta disso se torna impossível não pensar. Pois bem, liguei dois pontos nada a ver e cheguei a um pensamento deveras estranho. O número de mulheres está cada dia mais assustador, não existe homem para o número de mulheres disponíveis no mercado, eu sou um produto encalhadinho, semi-vencido na prateleira e sei bem dessa realidade. É só olharmos à nossa volta: só há mulheres. Darwin já falava sobre a seleção natural da espécie, e o Unibanco acaba de criar um seguro saúde para a mulher com câncer. Pode ser maluquice, mas talvez a mutação do milênio venha varrer algumas de nós, para que exista um equilíbrio na espécie humana.

Uma outra coisa que reparei, em revistas e sites especializados, foi que a melhor maneira de se garantir um câncer tranquilo, já que o INCA liberou a boa noticia que a estimativa para o Brasil somente este ano são de 460 mil novos casos, é o diagnóstico precoce. E qual seria este diagnóstico? Bombardeamentos anuais de radioatividade através de Tomografias e Ressonâncias. Para prevenir é necessário se submeter a pelo menos 1 hora e 20 minutos de raio-x e contraste na veia a cada 1 ano, se tiver sorte, ou 6 meses se tiver parentesco. Até onde meu passado nerd me condena, a radioatividade era responsável ou coadjuvante em metade dos casos de super heróis em quadrinhos. Fiquei matutando sobre isso em um táxi vindo do Norteshopping, e acho que em um futuro muito breve começaremos a ter pessoas de fato mutantes por conta desse urânio acumulado. Tempestades, Wolverines, Super Homem e Homem Aranha vão deixar de ser história e começar a se tornar de fato realidade, até que se descubra uma solução para aquilo que veio para amedrontar e questionar a ciência que era , até então, tão assertiva.