sábado, 30 de junho de 2012

Calendário pessoal intransponível

(para o segundo semestre que vai nascer)

Falta pouco para o ano novo.
E dói a boca do estômago
Como se fosse um resultado de exame
Por não saber o que esperar
Por não ter o diagnóstico
Da minha patologia
Que é só minha
Ou me dirás que é sua também?
Neste caso
Brindaremos ao laudo?
Sim.

"A sacred night, where we'll watch the fireworks."





terça-feira, 26 de junho de 2012

Vênus retrógrada

Vênus chegou oferecendo romance para todos os gostos. Muita gente se deu bem, com muita gente nada aconteceu, e muita gente mandou mal. Eu queria muito participar do primeiro grupo, mas tendo a achar que faço parte do fatalístico terceiro.
Em uma das minhas sessões de limpeza e arrumação mental que acontecem semanalmente ouvi: "você se defende com a palavra". Pois bem, eu não me defendo, eu perco a linha no que eu digo. Pensando nisso, e repassando todas as minhas alterações e loucuras recentes, divido aqui a experiência do que não dizer (ou fazer) em um (ou mais) encontro(s):

1) Aparente fragilidade, não precisa ter opinião para tudo.

2) Se faça um pouco de burra, a cada encontro eu indico pelo menos 2 livros, 1 disco, 3 filmes e 1 artista "que acho que você vai gostar"

3) Não conte que seu sonho de noite de núpcias é no motel Medieval da Dutra

4) Não conte que adora rodovias e sabe tudo de rota 66 porque seu sonho é passar a lua de mel lá.

5) Não precisa lembrar o fato que você já se envolveu em uma briga.

6) Também é desnecessário dizer que foi a um show de "Alex & Carla o casal mais erótico do Rio" em uma casa de show pornô ao vivo com seu ex namorado e uns amigos da escola, todos amassados dentro de um carro de test drive.

7) Não descreva seu quarto, e muito menos mostre foto no celular, quando a decoração possui santos de um lado, quadro de circo de pulgas e um painel de fotos BDSM (em frente aos santos).

8) Não, não mesmo, em hipótese alguma, diga que se apaixonou por um transformista, e que levou 3 amigos para ver um show que acabava com uma estrelinha acesa em um lugar inapropriado.

9) Seu casinho não precisa saber que você adora filme pornô, que tem um tumblr com imagens sensuais, e que troca referências de sites salientes com as amigas.

10) Não beba mais que ele.

11) Tsunami de links no mesmo email não melhora as coisas e nem te faz parecer normal, muito menos casual.

12) Uma bocona vermelha que anda, só é legal se o sujeito compartilha do mesmo fetiche.

Faz dois dias que eu me vejo fechando os olhos com força no ônibus a cada lembrança de coisa dita que me vem à cabeça . No fundo, se olharem bem para mim, eu só sou uma garota que gostaria de dividir o que acha interessante com alguém, e andar no parque de mãos dadas. Porém, para isso acontecer, começo a achar que essa pessoa será um tanto bizarra (como eu) e de bizarrice eu já me basto.
Esta semana eu tenho um encontro com direito a guardanapo antes de beber, unhas em tom claro, e brinco elegante. Entre uma garfada, com o garfo na mão direita e de preferência com o lado concâvo para cima, e outra, para quebrar o clima, vou contar logo de cara a história da paixão pelo travesti, dessa forma eu garanto mais alguns dias de neurose, algumas lágrimas de arrependimento profundo, e, claro, enriqueço a minha terapeuta.


Trilha sonora do passeio que eu ainda vislumbro:

segunda-feira, 25 de junho de 2012

My way

Eu entendo de rodovia como poucas pessoas, sei chegar em vários lugares, me localizo razoavelmente bem em cidades que não habito. Gosto de ver mapas, gosto de ver filmes que se passam em estradas, adoro viajar. Eu também entendo de carro ( meu ex-namorado era viciado no assunto), e por isso reconheço o barulho do motor de arranque, sei a potência pelo ronco que ele faz, sei que modelo é de qual marca. Sei dirigir, mas não dirijo.
De relacionamentos eu entendo também, mesmo não tendo uma vasta experiência, e posso dizer que funciona um pouco como dirigir em uma estrada e que alguns sinais são claros. É possível perceber quando se coloca o pé no freio, quando a marcha diminui, quando estamos de cinto e isso tudo não nos afeta, quando tem air-bag e o impacto é suave, e quando, em uma emergência, puxam o freio de mão e você abre o supercílio no pára-brisa.
Gostar de estrada, entender de carro e desvendar um relacionamento é um trabalho de observação, e é por isso que o pisca alerta foi ligado, porque logo ali na frente eu já sei que tem obra na pista.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Eu acredito em magia

Vi Beginners na casa de uma grande amiga, em um domingo ao mesmo tempo seco, ao mesmo tempo molhado, de novembro, no alto de Perdizes. Deitamos no futton eu, ela, meu amigo que era seu marido na época, e nossa amiga que era vizinha. Chorei eu e a amiga vizinha.
Sábado falei sobre esse filme, mas falei meio que sem querer, porque tudo estava fluindo de forma muito simples, e quando é assim, existe espaço para coisas sem critério serem ditas.
Hoje tive vontade de rever. Acho que vou fazer isso. As novas experiências sempre mudam um pouco o nosso olhar.

"Metade de nós acha que nada nunca vai dar certo,
a outra metade acredita em magia."



domingo, 17 de junho de 2012

Haikai digital

A verdade é que meu cursor ainda te ama.
Ele pousa sempre em cima do seu nome.
Ele te ama. Eu não.

domingo, 10 de junho de 2012

Domingos no Canadá

Esse clipe me lembrou as fotos de Ryan McGinley. Também me lembrou planos feitos à 4 mãos que nunca sairam da tela.

sábado, 9 de junho de 2012

Elementos corpóreos (fragmentos de uma futura confissão III)

- Como vocês se conheceram?
- Não lembro direito, foi uma noite confusa.
- Ok, mas nunca tinham se visto, foi do nada?
- Praticamente, eu só recordo de ver ele sorrindo...
- E...?
- E eu pude reparar que ele tinha os dentes da frente separados.
- Que diferença faz?
- Isso acaba comigo.
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Das características físicas que abalam, em ordem de importância:

Dentes separados
Cicatriz de apendicite
Veias salientes no antebraço.



sexta-feira, 1 de junho de 2012

Quase lá

To look into my eyes and tell me La la la la la la