Procura-se porteiro que não abra portas.
Procura-se faxineira que não faça faxina.
Procura-se manobrista que não manobre.
Procura-se diretor que não dirija.
Procura-se fotógrafo que não fotografe.
Procura-se costureira que não costure.
Procura-se amante que não ame.
« Le beau est toujours bizarre. Je ne veux pas dire qu'il soit volontairement, froidement bizarre, car dans ce cas il serait un monstre sorti des rails de la vie. Je dis qu'il contient toujours un peu de bizarrerie, de bizarrerie non voulue, inconsciente, et que c'est cette bizarrerie qui le fait être particulièrement le Beau. » (Charles Baudelaire)
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Na madrugada com Saura
Todas las promesas de mi amor se irán contigo
Me olvidarás, me olvidarás
Junto a la estación yo lloraré igual que un niño
Porque te vas, porque te vas
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
O dia que encontrei John Keats
I am certain of nothing but the holiness of the Heart's affections and the truth of the Imagination
Então ficamos esperando que caiam do céu resoluções para todas as palavras não ditas que engolimos em cada refeição na ânsia de saciar o desejo real de cuspir. Se ao menos houvesse uma chance de alguns segundos surpreendentes onde se pudesse viver o que ficou pendente... Ao nos deitarmos pedimos que tudo se dissipe antes do despertar. Porém, toda vontade é em vão quando não se tem tanta coragem assim. Talvez seja por isso que durmamos tanto. Somente em sonhos nós podemos nos encontrar.
Lullaby
Em um momento de retrocesso profundo você acorda de supetão de um sonho ruim e pensa: "Queria estar em Londres". Faz as contas de quanto tempo não vai lá e conclui: "Está na hora de voltar".
Março de 2007 - Picadilly Circus
Para escutar quando a saudade aperta: http://www.youtube.com/watch?v=YdrFpPJgxC4
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Transtorno de estresse pós-traumático
O transtorno de estresse pós-traumático pode ser entendido como a perturbação psíquica decorrente e relacionada a um evento fortemente ameaçador ao próprio paciente ou sendo este apenas testemunha da tragédia. O transtorno consiste num tipo de recordação que é melhor definido como revivescência, pois é muito mais forte que uma simples recordação. Na revivêscencia, além de recordar as imagens, o paciente sente como se estivesse vivendo novamente a tragédia com todo o sofrimento que ela causou originalmente. O transtorno então é a recorrência do sofrimento original de um trauma, que além do próprio sofrimento é desencadeante também de alterações
neurofisiológicas e mentais.
A verdade é que eu não quero ir. Só de pensar que daqui a uma semana vou reviver todo o trajeto de um ano, pegar um táxi de madrugada, vagar com a minha mala por aquela rodoviária insalubre, escolher através de critérios absurdos como: conteúdo do lanche, espessura da manta ou espaço para as pernas, a companhia de ônibus que me arrastará, durante 6 horas, a um destino não desejado, sinto um aperto no peito, tenho pesadelos e não consigo controlar as lágrimas que brotam. Uma mistura de ansiedade e medo surge quando me vejo novamente lá, de manhã cedo, ante a ameaça de um nascer de sol lindo por conta da poluição baixa. Arrepios percorrem minha espinha ao pensar no táxi tocando uma música sertaneja enquanto tento disfarçar meu 's' puxado ao pronunciar nomes de ruas em um dialeto no qual não fui alfabetizada. Basta fechar os olhos, não preciso estar lá para lembrar dos passarinhos do Anhanguera que piam incessantemente às 6 da manhã. Não há beleza naquele piar uníssono, pelo contrário, há um pedido de socorro bem claro, ao menos para mim.
Minha vontade é não ir. Sim, eu tenho pavor de você, cidade de brasileiros trabalhadores solitários. Você é agressiva comigo, e eu retribuo com toda a aversão de ex-capital-balneário-mais-ao-norte-malandra que me cabe. Não gosto da "poesia concreta de suas esquinas", seu cenário é triste, seu ar é rarefeito, usar calça comprida não te faz mais respeitável, e sua cultura nipo-tupi-carcamana simplesmente não encontra eco em mim. Não sinto prazer em ficar em fila, seus taxistas são grossos, seu trânsito é exaustivo, nada acontece no meu coração quando "cruzo a Ipiranga com a São João", a não ser o terror que um noinha venha me assaltar. Suas antenas me lembram Gotham City, para todo lado que olho só vejo cemitério e, pasme, antes a chuva do que o sol que te transforma em um sertão de concreto. Lugar do feijão é em cima do arroz, vista bonita não é para viaduto, gratuito nunca teve acento agudo na letra 'i', aliás, concordância nominal existe, e por favor parem de me chamar por apelido que não dei intimidade para.
Todavia, não tenho escolha, tenho que ir. Será a quarta vez este ano, todas as outras três me senti uma intrusa, e você, grande babilônia, não fez nada para amenizar essa sensação, pelo contrário, só piorou. Sinceramente, espero que dessa vez a vontade de fugir não surja no segundo dia, gostaria até que ela não aparecesse, para ser franca. Vou em missão de paz, um pouco temerosa, bastante traumatizada, mas disposta a fazer as pazes. Em toda relação de ódio existiu de certa forma amor. Talvez seja isso, eu te amei São Paulo, e você me tratou com a indiferença que trata todos que te procuram: como só mais uma.
Para você terra da garoa, a música que me faz lembrar do seu silêncio:
** Esse texto é ficcional, não tendo a intenção de ofender ninguém e nem de ser preconceituoso. Utilizo clichês propagados no eixo RJ- SP para ilustrá-lo que não necessariamente condizem com a realidade.**
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Compartilhamento de sensações
Hoje, no blog do Paris Review, a escritora americana Phoebe Connely fala de uma história de amor. Eu que já gosto pouco, deixo aqui o início...
"F. and I were introduced by a mutual friend while I was on a visit to L.A. I was living in D.C., newly single and working at a political magazine. I had given myself a firm dating rule: no journalists. In a sleepy company town, where ethics precluded romantic liaisons with my sources, it had begun to feel as if I’d doomed myself to celibacy. F. was a writer who’d just finished his first film and was passing time as a listings editor. He was my best friend’s occasional tennis partner. “You’ll love him,” she promised, sending him a text as I shoved my bag in the backseat of her car at LAX. “I’ll have him meet us for drinks at this outdoor German place.” We hit it off instantly.
It started with a challenge. I told him that first night that I’d found Donald Antrim’s The Verificationist overly self-conscious, so he slid The Hundred Brothers into my carry-on for the red-eye back east. Antrim’s endlessly multiplying brothers and claustrophobic prose were right at home in the repetitious concourses of LAX. My perfume leaked in my suitcase during the flight, but I returned his copy anyway, with a handwritten note, reeking of the nape of my neck.
We spent the next two years courting each other with words—our own, but also those of any writer we thought might impress. We certainly weren’t the first to go this route. But like every romance, and every reading list, it felt like our own. The question “What are you reading?” became a convenient excuse to chat when we spotted each other online, to send links, to write long, complicated letters in which the subtext was always desire."
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Longos Pescoços
Dedico à mais bela criação
E ao vazio que sua perfeição deixou
É nos dias de sol que sinto sua existência
E suas mãos a me sufocar
E ao vazio que sua perfeição deixou
É nos dias de sol que sinto sua existência
E suas mãos a me sufocar
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Quando dois se tornam um
"A cama estava como Elide a deixara ao se levantar, mas do lado dele, Arturo, estava quase intacta, como se tivesse sido arrumada naquele momento. Ele se deitava de seu próprio lado, como devia, mas depois esticava uma perna para lá, onde havia ficado o calor da mulher, em seguida esticava também a outra perna, e assim pouco a pouco se deslocava todo para o lado de Elide, naquele nicho de tepidez que ainda conservava a forma do corpo dela, e afundava o rosto em seu travesseiro, em seu perfume, e adormecia"
♦ ♦ ♦
"Elide lavava os pratos, examinava a casa de cima a baixo, as coisas que o marido tinha feito, sacudindo a cabeça. Agora ele estava correndo pelas ruas escuras, entre os raros faróis, talvez já estivesse depois do gasômetro. Elide ia para cama, apagava a luz. De seu próprio lado, deitava, espichava um pé em direção ao lugar do marido, para procurar o calor dele, mas toda vez reparava que onde ela dormia era mais quente, sinal de que Arturo também havia dormido ali, e isso despertava nela uma grande ternura".
Os amores difíceis - A aventura de um esposo e de uma esposa - Italo Calvino
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Ainda da série amor eterno
Eu quero um Nicolas Cage - passional, malucão, perturbado e, acima de tudo, apaixonado. PARTE II
domingo, 9 de outubro de 2011
sábado, 8 de outubro de 2011
Espaços inocupáveis
A pior parte não é te esquecer. Essa, aquela tal maturidade, aquele senso comum que diz que um dia passa, dá conta. A pior parte é a difícil tarefa de ocupar os espaços que se abriram com a sua partida. Ao não ter você mais ocupando meus desejos, minhas fantasias, minhas músicas favoritas, meus sonhos, minhas vontades, minhas angústias, meu medo, preciso rearrumar o que ficou, o que estava escondido, o que não dei valor... Já faz tempo que não sei o que é ser eu, com toda a grandiosidade desta pequena palavra. Já faz tempo que você ocupou todos os espaços que havia dentro de mim. Na verdade, acho que não sei mais o que é viver sem ser em função do acaso. Porém, eu sei que desde que comecei a tentar alocar melhor os meus pertences, não consigo mais dormir.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Paris, Texas e suas virtudes
Secura - Medo - Abandono - Covardia - Vazio - Melancólico - Silêncio - Infertil - Árido
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