Nem sempre o que combina tem que ficar junto, quiçá próximo. Tudo que é muito parecido, o ideal é que seja mantido distante. Duas pessoas com pensamentos iguais, e facilidade para fantasiar, podem criar mundos onde ninguém mais entra, e, de onde nenhum deles consegue sair.
Pauline Parker (16 ) e Juliet Hulme (15) são duas meninas em uma Nova Zelândia da década de 50. As duas se tornam melhores amigas, e criam um mundo paralelo, irreal, fantástico, que é colocado em um diário por Pauline. Cada vez mais longe da realidade, e cada vez mais obcecadas uma pela outra, os pais delas resolvem afastá-las, até que, para conseguir ficar juntas, elas cometem um crime. Como eram muito novas, ficaram presas temporariamente, e depois responderam em regime aberto. A pior sentença foi dada: a corte estipulou que elas nunca mais poderiam se encontrar.
Essa também é nossa sentença.
" Through our eyes the average became extraordinary, the ordinary became paradise".
« Le beau est toujours bizarre. Je ne veux pas dire qu'il soit volontairement, froidement bizarre, car dans ce cas il serait un monstre sorti des rails de la vie. Je dis qu'il contient toujours un peu de bizarrerie, de bizarrerie non voulue, inconsciente, et que c'est cette bizarrerie qui le fait être particulièrement le Beau. » (Charles Baudelaire)
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Mil e nada
Tantas coisas para escrever. Alguns post incompletos. Surpresas da vida fazem com que as ideias não fiquem no lugar. Almejo dias de paz, só assim volto para o meu não sofrimento irreal. No momento, somente choque de realidade, daquelas que apitam e que apertam o coração.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
GODard
A vida podia ser feita só com diálogos do Godard. Ela seria mais poética, e ainda mais rica.
Alphaville
Alphaville
Alívio temporário
Existem coisas que de tão mal resolvidas se tornam bem resolvidas.
Existem coisas que de tão bem resolvidas se tornam mal resolvidas.
Existem coisas que por mais que queiramos que acabem bem, terminam mal.
Existem coisas que por mais que queiramos que acabem mal, terminam bem.
Existem pessoas que queremos bem.
Existem pessoas que queremos mal.
Existe você
Existe eu
Existem coisas que de tão bem resolvidas se tornam mal resolvidas.
Existem coisas que por mais que queiramos que acabem bem, terminam mal.
Existem coisas que por mais que queiramos que acabem mal, terminam bem.
Existem pessoas que queremos bem.
Existem pessoas que queremos mal.
Existe você
Existe eu
Foto de: The Vagabond set
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Homenagem ao meu amor real
"Uma mulher" - Péter Esterházy
(25)
Há uma mulher. Ela me ama. Embora não tenha isso muito claro. Preciso conscientizá-la o tempo todo. Quando estamos no banco de trás de um táxi, eu a abraço e sussurro palavras ardentes em seu ouvido. Intensifico a impotência do meu corpo nas curvas. Quando estamos comendo, eu olho para ela, em seguida para o prato, depois de novo para ela. Nessas horas eu a viro pelos ombros, para lá! para lá! para acolá!, digo, por exemplo, porém ela, imagino, só consegue pensar nos próprios ombros. Compro-lhe bombons regularmente, em especial os recheados de conhaque. Ou a vejo sobre a cabeça das pessoas, quero dizer, do outro canto do recinto. Às vezes fecho os olhos. É bela como uma fada, uma heroína de Krúdy.("As narinas se moviam como se ela fosse uma potranca trêmula que ainda não conheceu seu cavaleiro.") Nas coxas dela se assentam pelinhos que pela sua distribuição conduzem para dentro. Busco nelas esses pelos deitados como as folhas de grama às margens do riacho, por todo lugar, nas penugens do rosto, nos barbantes debaixo dos braços, nas sobrancelhas densas, apenas isso me importa mas eu só terei uma chance se ela não tiver medo de mim. Por isso eu a habituo a mim e eu me habituo a ela.
(25)
Há uma mulher. Ela me ama. Embora não tenha isso muito claro. Preciso conscientizá-la o tempo todo. Quando estamos no banco de trás de um táxi, eu a abraço e sussurro palavras ardentes em seu ouvido. Intensifico a impotência do meu corpo nas curvas. Quando estamos comendo, eu olho para ela, em seguida para o prato, depois de novo para ela. Nessas horas eu a viro pelos ombros, para lá! para lá! para acolá!, digo, por exemplo, porém ela, imagino, só consegue pensar nos próprios ombros. Compro-lhe bombons regularmente, em especial os recheados de conhaque. Ou a vejo sobre a cabeça das pessoas, quero dizer, do outro canto do recinto. Às vezes fecho os olhos. É bela como uma fada, uma heroína de Krúdy.("As narinas se moviam como se ela fosse uma potranca trêmula que ainda não conheceu seu cavaleiro.") Nas coxas dela se assentam pelinhos que pela sua distribuição conduzem para dentro. Busco nelas esses pelos deitados como as folhas de grama às margens do riacho, por todo lugar, nas penugens do rosto, nos barbantes debaixo dos braços, nas sobrancelhas densas, apenas isso me importa mas eu só terei uma chance se ela não tiver medo de mim. Por isso eu a habituo a mim e eu me habituo a ela.
Foto de Helmut Newton
Para Rodrigo.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
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