quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Primavera/Verão 2011

Biquinis, topless, monokinis, maiôs, e eu só quero meu descanso merecido:




quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O misterioso mundo

No estranho mundo das conexões 2.0, basta ligar para o servidor que a internet milagrosamente volta. É só você desligar o telefone que cai novamente #pegadinhadomalandro

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Um outro eu

Em uma conversa com um amigo, este me pediu para que eu só me referisse a ele chamando-o de Conde e seu sobrenome, que é o mesmo de um personagem do livro Conde de Monte Cristo. Pensando nisso, inventei um para mim digno de Tolstói, com direito a roupinha de Anna Karenina: Isabel Joaquinova Inacineva de No'nnovitch







terça-feira, 21 de setembro de 2010

Surpresas de uma mente

"How happy is the blameless vestal's lot!
  The world forgetting, by the world forgot.
  Eternal sunshine of the spotless mind!
  Each pray'r accepted, and each wish resign'd;
  Labour and rest, that equal periods keep;"


Alexander Pope - Eloisa to Abelard

Trecho de onde foi tirado o título do filme: Brilho eterno de uma mente sem lembrança. Ano passado, ontem demorou muito para chegar. Este ano, ontem passou e eu nem percebi. Acho que estou esquecendo. Que alegria!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Fragmentos de uma afogada


" There is a silence where hath been no sound
There is a silence where no sound may be
In the cold grave, under the deep deep sea"
Thomas Hood (1799-1845)

Um dia me falaram que eu não podia me afogar. Que para viver aquela história que surgia em capítulos, era necessário boiar e nadar. Ouvi atentamente, confiei nas modalidades crawl, peito e costas, e continuei criando mundos imaginários, fazendo pouco caso da correnteza, ou do cansaço de bater braços e pernas simultaneamente. Nem sempre é prudente confiar demais nas nossas capacidades. Foi assim que me afoguei, e quando meus pulmões já estavam fraquejando, emergi e tive que fazer a escolha de abrir mão daquilo que me puxava para o fundo.
A ordem de "é proibido se afogar" surgiu do livro "Formas Breves", do escritor argentino Ricardo Piglia. Em um dos seus capítulos, Piglia faz uma relação entre a literatura e a psicanálise, e um dos exemplos escolhidos por ele é de uma poética belíssima: James Joyce enquanto escrevia Finnegans Wake, preocupava-se com sua filha Lúcia, que mostrava perturbações mentais. Querendo ajudá-la e entendê-la,  começou a incentivar que ela escrevesse, e procurou ajuda do Jung, afirmando que o que ele Joyce escrevia, era o mesmo que sua filha escrevia. Jung, de posse de um texto feito por uma pessoa debilitada, diz para Joyce: "Mas onde você nada, ela se afoga".
Hoje, pensando nas quantidades d'água que engoli, ainda me pego lembrando muito do meu afogamento. Sinto uma falta enorme do tempo em que eu nadava, sinto saudades de boiar, e da leveza que temos dentro d'água. Sinto saudades de brincar de nado sincronizado, e de fazer gestos com o braços enquanto observo a água passando pelos dedos. O medo ficou, o trauma existe, e minha espontaneidade e intimidade com a água nunca mais será a mesma. Por um pequeno descuido, me afoguei.
Quando falo em afogamento, sempre me lembro do filme " O piano" e da cena final, onde em um impulso mórbido, Ada coloca o pé no meio da corda e se deixa afogar junto com o piano. Entendo este impulso. Mesmo tendo nadado para não morrer,  ainda tenho vontade de afundar junto com a minha fantasia, para depois, quem sabe, emergir. No momento, ela ainda guarda um sapatinho meu que me faz muita falta.

" The piano is carefully lowered and with a heave topples over. As the piano splashes into the sea, the loose ropes speed their way after it. Ada watches them snake past her feet and then, out of a fatal curiosity, odd and undisciplined, she steps into a loop"

" What a death!
What a chance!
What a surprise! My will has chosen life!?"

" At night I think of my piano in its ocean grave, and sometimes of myself floating above it. Down there everything is so still and silent that it lulls me to sleep. It is a weird lullaby and so it is; it is mine"





domingo, 12 de setembro de 2010

Delirium Tremens, ou quando a droga tem RG

Segundo o Wikipédia:


Síndrome de abstinência é o "conjunto de modificações orgânicas que se dão em razão da suspensão brusca do consumo de droga geradora de dependência física e psíquica, como o álcool, a heroína, o ópio, a morfina, etc." Caracteriza--se em geral por alucinações e crises convulsivas.
A síndrome de abstinência apresenta sintomas como disforia, insônia, ansiedade, irritabilidade, náusea, agitação, taquicardia e hipertensão. É muito importante, para seu correto tratamento, a identificação inicial do tipo de droga usada porque as complicações diferem de acordo com a substância.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Mudança de enredo

E foi assim, de forma cibernética, um tanto cafona, que meu roteiro antes tão rico em surrealismo, pieguices e dadá teve que ser modificado. Não houve uma partida, tal qual um jovem poeta moderno, em busca de odaliscas e tráfico de armas. Do mesmo jeito que vestígios faziam tudo mais interessante, presenças tornam tudo vazio. Um tempo depois, tudo volta ao normal. Para sempre teremos, sabendo que esse sempre é tão vazio quanto o nunca mais.

sábado, 4 de setembro de 2010

Pavor e amor

Vista área de SP - 2006 - aeroporto de Guarulhos

São Paulo. Não me lembro o ano em que fui para São Paulo a primeira vez, mas algo me diz que foi em 1992. Na época, meu pai estava cantando uma Ópera "Pagliacci", no Teatro Municipal de São Paulo, e ficou quase um mês hospedado no Othon, nas proximidades da rua Augusta. Fui de ônibus com a minha mãe, tinha ganhado o cd Erótica da Madonna, que logo passei para fita K7, e não sei o porquê, mas uma imagem bem clara guardo na memória: ouvia Rain enquanto o ônibus passava pelos lagos do Vale do Paraíba. Acho que fiquei um fim de semana, comi no restaurante Famiglia Mancini, tomei banho de piscina enquanto pensava que queria ter ficado no Ceasar Park, que foi onde a Madonna ficou hospedada quando fez um show em terras paulistanas. Além disso, conheci o shopping do Gugu, espécie de bunker de consumo trash, nos arredores do centro da cidade. Depois dessa ida, fui pouco depois pelo mesmo motivo, ver meu pai cantar. Diferente da primeira, foi para SP que fiz minha viagem inaugural de avião, de Varig ainda, com direito a serviço de bordo. Um senhor do meu lado cedeu seu lugar à janela, para que eu pudesse apreciar o espetáculo do adeus à Guanabara. Como forma de retribuição, pisei na unha encravada dele, e minha mãe quis me matar. Nessa segunda vez, ficamos no Hotel C'a D'oro, hotel de luxo também na rua Augusta, onde todo dia era presenteada com um chocolate Alpino no meu travesseiro. Dessa viagem, não me recordo muita coisa, a não ser uma janta pós espetáculo, no Esperanza, onde pedi catchup para minha pizza, e quase fui apedrejada por tamanha heresia.
Passaram-se alguns anos até retornar. Se não me falha a memória, voltei em 1996, também no C'a D'Oro, também vendo meu pai cantar, e estreando a primeira Bienal de Artes. Tinha 13 anos, o pavilhão do Ibirapuera era algo grande, com vídeos que emitiam sons estranhos, muita gente, muitas obras, a famosa bandeira do Japão no meio do primeiro pavimento, e muitos artista como: Munch, Goya, Klee, Warhol, que só conhecia de livros, revistas e enciclopédias (a internet não era algo acessível para grande maioria).
Foi a Bienal de Artes o meu pretexto para visitar a cidade em 1998, em uma viagem muito rápida! Eu, meu pai e minha mãe pegamos um avião, fomos para a Bienal, almoçamos no Lelis, e voltamos no meu primeiro ônibus-leito. A Bienal de 1998 trouxe para o Brasil quadros do Van Gogh, na época meu pintor favorito ( por conta disso comprei uma penca de souvenirs, que guardo até hoje).
Mais uma pausa longa e, quando retornei, foi a vez que vi uma São Paulo sombria, que, até então, no meu imaginário de pequena carioca na grande cidade, não existia. Fui sozinha ver meu pai cantar um concerto de Mozart. Era época do sucesso "Sai de baixo", e coincidentemente ficamos no Largo do Arouche, no coração de SP, do lado onde cruza a Ipiranga com a S. João, no Hotel São Raphael. Cheguei em um sábado de manhã e meu pai disse: "Preciso resolver umas coisas na cidade, vamos passear e na volta te levo em uma galeria que acho que você vai gostar". Cruzamos a praça da República, antro do crack, passamos pelo Teatro, caímos no Largo São Bento, onde uma menina dançava vestida de bruxa, e homens se tatuavam no meio da rua com canetas Bic. Subi o Viaduto do Chá, vi mil carrocinhas com pipocas vermelhas, que por sinal, nunca me apeteceram, e de ônibus, entrando pela frente e saindo por trás (no Rio era o inverso na época), conheci a Galeria Ouro Fino. No brechó que até pouco tempo atrás ainda existia, meu pai me deu um vestido de helanca modelo original dos anos 60, e foi lá que vi, pela primeira vez, uma moça clubber com dentes lixados como se fossem todos caninos. Nessa viagem eu conheci o Morumbi, e vi o poder da internet: a filha da amiga do meu pai me mostrava sites de como se tornar pagã, e seu círculo de amigos virtuais pró Wicca. Foi também nesta viagem que senti o silêncio da cidade grande, a opressão de uma vista cheia de concreto, e o poder desolador de ouvir "Pour Elise" em um domingo de manhã, vindo de um caminhão de gás. Essa foi a última vez que fui com meus pais para São Paulo. Todas as outras fui com amigos, e a cidade gigante, com boas baladas e restaurantes, exposições, consumo, prostituição, gente esquisita, japoneses, se mostrava cada vez mais hipnotizante. Eu nunca soube onde eu estava lá.
Já faz tempo minha relação com o centro nervoso do Brasil se estreitou, amigos queridos fizeram a opção de morar lá, meu namorado mora lá, tenho visitado a cidade mais do que nunca. Continuo perdida, no entanto: é como se fosse uma viagem para o exterior, não me sinto em casa, de alguma forma ela me angustia, e muito. Seu ritmo, suas atividades mis, seus vários centros, marginais, pessoas marginais, tudo é diferente da bucólica Zona Sul carioca. Lá não caio no mar ou na lagoa, caio em um mundo que abre para vários outros, como em um labirinto de possibilidades, e onde é necessário fazer escolhas o tempo todo, o que me faz sentir sozinha.
Talvez seja isso: São Paulo me remete a solidão. E, no fundo, gosto de me sentir sozinha, ou perdida, ou simplesmente flanar por diversos cantos, para no fim me apaixonar, ou não. Hoje em dia, olhando em retrospecto, posso dizer que gosto de São Paulo, de uma maneira que não sei bem qual é. Toda às vezes que vou para lá, sinto um frio na barriga. Acho que é esse frio e essa estranheza que me fazem querer voltar. Quem sabe um dia eu encontre um sentido na cidade com nome de ruas em tupi-guarani.
Sinceramente, espero não encontrar, só assim tenho a certeza que sempre voltarei .

Deixo aqui, o trecho final do livro "Como desaparecer completamente" do escritor André de Leones. Acabo de ler, e, de alguma forma, acho que ele captou bem todo o incômodo da cidade. Através das histórias dos seus personagens, que sutilmente se tangenciam, como é na vida real: cada um com suas histórias, todos nós temos as nossas, mas somos tantos, e passamos por tanta gente, que nunca saberemos. Somos desconhecidos da maioria, e quase ninguém quer saber o que se passa na verdade. Em cidades grandes somos milhões, milhões de pessoas zumbis, que se esbarram e seguem adiante. Um bate-bate humano - encosta, para, não deixa marcas, gira e vai em frente. O trecho em questão, achei lindo:


"São Paulo"
" É..."
" O que você sabe dela?"
"Como assim?"
" Quando você pensa em São Paulo, no que você pensa? O que você sabe?"
Marcelo pensou um pouco e disse:
"Não sei"
" Não te ocorre nada?"
" Assim... sei que um dia eu passava pelo viaduto do Chá, era um domingo à tarde, eu voltava de uma festa de aniversário ali perto, enfim, eu passava pelo viaduto, meio bêbado, o lugar todo vazio, e resolvi sentir a batida da cidade ou coisa que o valha. Ideia de bêbado."
"O que você fez?"
"Feito um índio de filme americano, eu me abaxei e colei o ouvido no chão".
" E o que você ouviu?", Liberdade perguntou, rindo muito.
"O mar", Marcelo respondeu. " Acho que ouvi o mar".

E, aqui, uma música que eu acho que tem a ver:

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Cartola disléxico

No auge do desespero, digitando freneticamente, escrevo:

Meu munfo é um muinho

Inclusão digital dá nessas coisas.