Que seja doce. Que seja leve. Que seja saudável. Que seja harmonico. Que seja belo. Que seja rico.
« Le beau est toujours bizarre. Je ne veux pas dire qu'il soit volontairement, froidement bizarre, car dans ce cas il serait un monstre sorti des rails de la vie. Je dis qu'il contient toujours un peu de bizarrerie, de bizarrerie non voulue, inconsciente, et que c'est cette bizarrerie qui le fait être particulièrement le Beau. » (Charles Baudelaire)
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Balanço do ano
Em 2009 eu comecei a anotar em um caderno tudo que eu lia e assistia. Em 2010, aumentei as categorias, e comecei a anotar peças, exposições e shows no mesmo caderno e, pela primeira vez, publiquei aqui porque ficava mais fácil fazer a comparação. Este ano, por conta do cupins de janeiro, anotei em um caderno com um garrancho semi ilegível. Dei uma olhada no ano passado e o saldo é próximo: alguns livros a menos, porém os lidos em 2011 foram mais, digamos, complexos. Os shows também diminuíram, mas os filmes aumentaram e acho que as exposições também. Este ano, no entanto, descobri muitas bandas, me apaixonei por antiga paixões, e descobri também como aproveitar melhor meu tempo. O resultado final é positivo.
Música:
. Mazzy Star
. Cults
. Classes Actress
. Cass Mccombs
. The Drums
. Vivian Girls
. Metronomy
. David Lynch
. The Kills
. Nico
. CocoRosie
. Arnaldo Antunes
. The Breeders
. Death in Vegas
. Dick Dale
. Ney Matogrosso
. Elliot Smith
. Florence and The Machine
. Game and Watch
. Ultra Orange e Emmanuelle
. Nick Drake
. Nick Cave and The Badseeds
. Beirut
. Alceu Valença
. Animal Collective
. Cansei de ser sexy
. The Cinematic Orchestra
. Ramones
. Tiê
. Thiago Petit
. The Vaccines
. Velvet Underground
. The National
. Princess Chelsea
. Blonde Redhead
Livros:
. Metamorfose - Kafka
. Todos os homens são mentirosos - Alberto Manguel
. Hamlet - Shakespeare
. O médico e o monstro - R.L. Stevenson
. Na Praia - Ian McEwan
. 9 estórias - J.D Salinger
. A página assombrada por fantasmas - Antônio Xerxensky
. Afirma Pereira - Antonio Tabucchi
. Mrs. Dalloway - Virginia Woolf
. História do Cabelo - Alan Pauls
. As horas - Michael Cunnigham
. Os verbos auxiliares do coração - Péter Esterházy
. O senhor Juarroz - Gonçalo Tavares
. Amores Difíceis - Ítalo Calvino (este livro durou o ano inteiro - achei sintomático)
Filmes (DVD ou Cinema):
. Cisne Negro - Darren Aronofsky
. Você vai conhecer o homens dos seus sonhos - Woody Allen
. O ilusionista - Sylvain Chomet
. Uma noite em Paris - Woody Allen
. Bruna Surfistinha - Marcus Baldini
. Amantes da ponte Neuf - Leos Carax
. Guerra dos Botões - Yves Robert
. Os Intocáveis - Brian de Palma
. Tarde demais para esquecer - Leo McCarey
. Mary and Max - Adam Elliot
. Desejo e Reparação - Joe Wright
. Butch Cassidy - George Roy Will
. Blue Valentine - Derek Cianfrance
. Diário de uma paixão - Nick Cassavetes
. A jovem rainha Vitória - Jean- Marc Vallée
. Catfish - Henry Joost e Ariel Schulman
. Melancholia - Lars Von Trier
. Lua de fel - Roman Polanski
. Brilho de uma paixão - Jane Campion
. Toda forma de amor - Mike Mills
. Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague - Emmanuel Laurent
. O assassinato de bookmaker chinês - John Cassavetes
. Tudo acontece em Elizabethtown - Cameron Crowe
. Pacto Sinistro - Alfred Hitchcock
. A malvada - Joseph L. Mankiewicz
. Cria Corvos - Carlos Saura
. Inquietos - Gus Van Sant
. Garotos de Programa - Gus Van Sant
. Faces - John Cassavetes
. Vicky, Cristina e Barcelona - Woody Allen
. A pele que eu hábito - Almodóvar
. As canções - Eduardo Coutinho
. A mulher ao lado - Truffaut
. Rio - Carlos Saldanha
Teatro:
. Trabalhos de amores perdidos - Pedro Brício
. O vento num violino - Cláudio Tolcachir (argetino)
. O passado é um animal grotesco - Mariano Pensotti (argentino)
Exposição:
. "Lugares Estranhos e quietos" - Wim Wenders - MASP - SP
. "As aventuras da linha" - Saul Steinberg - IMS - RJ
. "Extremos" - Fotografias na coleção da Maison Européene de la Photographie - IMS - RJ
. "Queremos Miles" - Miles Davis - CCBB - RJ
. " I'm a cliché - Ecos da estética punk"- CCBB - RJ
. "Oneness" - Mariko Mori - CCBB - RJ
. "Louise Bourgeois: O retorno do desejo proibido" - Tomie Ohtake- SP
. "Em nome dos artistas" - Pavilhão da Bienal - SP
. "Índia" - CCBB - RJ
. "Manuel Alvarez Bravo: Fotopoesia" - IMS - RJ
Concertos e Óperas:
. "Metropolis" - Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
. "A meninas da nuvens" - Villa Lobos - Theatro Municipal de São Paulo
. " O Guarani " - Carlos Gomes - Teatro São Pedro (SP)
Shows:
. The National - Circo Voador
. Roxette - City Bank Hall
. Lourdes Luz - Oi Futuro
. Tom Zé - Circo Voador
. Ney Matogrosso - Circo Voador
. Kings of Convenience - Circo Voador
Viagens:
. São Paulo
. Buenos Aires
. Colonia del Sacramento
. Montevidéu
. Nova York
. Paraty
. Pernambuco
Música:
. Mazzy Star
. Cults
. Classes Actress
. Cass Mccombs
. The Drums
. Vivian Girls
. Metronomy
. David Lynch
. The Kills
. Nico
. CocoRosie
. Arnaldo Antunes
. The Breeders
. Death in Vegas
. Dick Dale
. Ney Matogrosso
. Elliot Smith
. Florence and The Machine
. Game and Watch
. Ultra Orange e Emmanuelle
. Nick Drake
. Nick Cave and The Badseeds
. Beirut
. Alceu Valença
. Animal Collective
. Cansei de ser sexy
. The Cinematic Orchestra
. Ramones
. Tiê
. Thiago Petit
. The Vaccines
. Velvet Underground
. The National
. Princess Chelsea
. Blonde Redhead
Livros:
. Metamorfose - Kafka
. Todos os homens são mentirosos - Alberto Manguel
. Hamlet - Shakespeare
. O médico e o monstro - R.L. Stevenson
. Na Praia - Ian McEwan
. 9 estórias - J.D Salinger
. A página assombrada por fantasmas - Antônio Xerxensky
. Afirma Pereira - Antonio Tabucchi
. Mrs. Dalloway - Virginia Woolf
. História do Cabelo - Alan Pauls
. As horas - Michael Cunnigham
. Os verbos auxiliares do coração - Péter Esterházy
. O senhor Juarroz - Gonçalo Tavares
. Amores Difíceis - Ítalo Calvino (este livro durou o ano inteiro - achei sintomático)
Filmes (DVD ou Cinema):
. Cisne Negro - Darren Aronofsky
. Você vai conhecer o homens dos seus sonhos - Woody Allen
. O ilusionista - Sylvain Chomet
. Uma noite em Paris - Woody Allen
. Bruna Surfistinha - Marcus Baldini
. Amantes da ponte Neuf - Leos Carax
. Guerra dos Botões - Yves Robert
. Os Intocáveis - Brian de Palma
. Tarde demais para esquecer - Leo McCarey
. Mary and Max - Adam Elliot
. Desejo e Reparação - Joe Wright
. Butch Cassidy - George Roy Will
. Blue Valentine - Derek Cianfrance
. Diário de uma paixão - Nick Cassavetes
. A jovem rainha Vitória - Jean- Marc Vallée
. Catfish - Henry Joost e Ariel Schulman
. Melancholia - Lars Von Trier
. Lua de fel - Roman Polanski
. Brilho de uma paixão - Jane Campion
. Toda forma de amor - Mike Mills
. Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague - Emmanuel Laurent
. O assassinato de bookmaker chinês - John Cassavetes
. Tudo acontece em Elizabethtown - Cameron Crowe
. Pacto Sinistro - Alfred Hitchcock
. A malvada - Joseph L. Mankiewicz
. Cria Corvos - Carlos Saura
. Inquietos - Gus Van Sant
. Garotos de Programa - Gus Van Sant
. Faces - John Cassavetes
. Vicky, Cristina e Barcelona - Woody Allen
. A pele que eu hábito - Almodóvar
. As canções - Eduardo Coutinho
. A mulher ao lado - Truffaut
. Rio - Carlos Saldanha
Teatro:
. Trabalhos de amores perdidos - Pedro Brício
. O vento num violino - Cláudio Tolcachir (argetino)
. O passado é um animal grotesco - Mariano Pensotti (argentino)
Exposição:
. "Lugares Estranhos e quietos" - Wim Wenders - MASP - SP
. "As aventuras da linha" - Saul Steinberg - IMS - RJ
. "Extremos" - Fotografias na coleção da Maison Européene de la Photographie - IMS - RJ
. "Queremos Miles" - Miles Davis - CCBB - RJ
. " I'm a cliché - Ecos da estética punk"- CCBB - RJ
. "Oneness" - Mariko Mori - CCBB - RJ
. "Louise Bourgeois: O retorno do desejo proibido" - Tomie Ohtake- SP
. "Em nome dos artistas" - Pavilhão da Bienal - SP
. "Índia" - CCBB - RJ
. "Manuel Alvarez Bravo: Fotopoesia" - IMS - RJ
Concertos e Óperas:
. "Metropolis" - Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
. "A meninas da nuvens" - Villa Lobos - Theatro Municipal de São Paulo
. " O Guarani " - Carlos Gomes - Teatro São Pedro (SP)
Shows:
. The National - Circo Voador
. Roxette - City Bank Hall
. Lourdes Luz - Oi Futuro
. Tom Zé - Circo Voador
. Ney Matogrosso - Circo Voador
. Kings of Convenience - Circo Voador
Viagens:
. São Paulo
. Buenos Aires
. Colonia del Sacramento
. Montevidéu
. Nova York
. Paraty
. Pernambuco
domingo, 25 de dezembro de 2011
sábado, 24 de dezembro de 2011
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Saindo do armário
Abri o armário procurando um vestido específico e vi um que eu usei com você. Empurrei o cabide com força para trás. Passei blusas, saias e calças e qual foi minha supresa? Outro! Este ainda com seu cheiro (sim, sou imunda). Fechei os olhos, chafurdei o rosto entre os babados e respirei fundo. Não achei o que estava procurando e comecei o processo todo de novo. Mais um vestígio de nossa história ( dessa vez, cinza) passou pelas minhas mãos. Desisti de procurar, desisti de sair, garimpei todos que, de alguma forma, ainda têm um pouco de você, joguei sobre a cama e deitei sobre eles. Essa noite vou dormir em seus braços.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Papel, fumo, comida e um pouco de uísque.
(Dois trechos de uma mesma entrevista de William Faulkner em Nova York, no início de 1956 para a revista: A arte da ficção 12)
A arte tampouco tem a ver com o ambiente; não faz diferença para ela onde estiver. Se você se refere a mim, o melhor emprego que já me ofereceram foi o do gerente de um bordel. Na minha opinião, é o meio perfeito para um artista trabalhar. Dá a ele perfeita liberdade econômica; ele se livra do medo e da fome; temum teto sobre a cabeça e nada para fazer a não ser controlar algumas contas simples e ir uma vez por mês pagar a polícia local. O lugar é tranquilo durante o dia, que é a melhor hora do dia para trabalhar. Há vida social suficiente à noite, se ele quiser participar, para evitar que ele se entendie; ele ganha certa proeminência na sua sociedade; não tem nada para fazer porque a madame cuida do livro-caixa; todos os habitantes da casa são do sexo feminino e vão obedecer a ele, chamando-o de "senhor". Todos os contrabandistas de bebida da área o chamarão de "senhor". E ele poderá chamar os policiais pelos seus primeiros nomes.
Portanto, o único meio ambiente de que o artista necessita é qualquer paz, qualquer solidão, e qualquer prazer que ele consiga obter a um preço não muito alto. Tudo o que um ambiente errado fará é aumentar sua pressão sanguínea; ele passará mais tempo sentindo-se frustrado ou ultrajado. Segundo minha própria experiência, as ferramentas de que preciso para o meu negócio são papel, fumo, comida e um pouco de uísque.
Fiquei surpreso, porque tinha esperado receber do estúdio primeiro um aviso oficial ou uma convocação e um contrato. Pensei comigo mesmo, o contrato está atrasado e chegará no próximo correio. Ao invés disso, uma semana depois recebi outra carta do agente, com o cheque do meu segundo pagamento semanal. Isso começou em novembro de 1932 e continuou até maio de 1933. Até que recebi um telegrama do estúdio. Dizia: "William Faulkner, Oxford, Miss" Onde você está? Estúdio MGM".
Respondi com outro telegrama: "Estúdio MGM, Culver City, Califórnia. William Faulkner".
A jovem operadora perguntou: "Onde está a mensagem, senhor Faulkner?". Eu disse: "É só isso". Ela continuou: O regulamento afirma que não posso enviar um telegrama sem mensagem; o senhor tem que dizer alguma coisa". Então demos uma olhada em algumas amostras, e escolhemos não me lembro qual - uma dessas mensagens enlatadas de feliz aniversário. Enviei-a"
A arte tampouco tem a ver com o ambiente; não faz diferença para ela onde estiver. Se você se refere a mim, o melhor emprego que já me ofereceram foi o do gerente de um bordel. Na minha opinião, é o meio perfeito para um artista trabalhar. Dá a ele perfeita liberdade econômica; ele se livra do medo e da fome; temum teto sobre a cabeça e nada para fazer a não ser controlar algumas contas simples e ir uma vez por mês pagar a polícia local. O lugar é tranquilo durante o dia, que é a melhor hora do dia para trabalhar. Há vida social suficiente à noite, se ele quiser participar, para evitar que ele se entendie; ele ganha certa proeminência na sua sociedade; não tem nada para fazer porque a madame cuida do livro-caixa; todos os habitantes da casa são do sexo feminino e vão obedecer a ele, chamando-o de "senhor". Todos os contrabandistas de bebida da área o chamarão de "senhor". E ele poderá chamar os policiais pelos seus primeiros nomes.
Portanto, o único meio ambiente de que o artista necessita é qualquer paz, qualquer solidão, e qualquer prazer que ele consiga obter a um preço não muito alto. Tudo o que um ambiente errado fará é aumentar sua pressão sanguínea; ele passará mais tempo sentindo-se frustrado ou ultrajado. Segundo minha própria experiência, as ferramentas de que preciso para o meu negócio são papel, fumo, comida e um pouco de uísque.
...
Respondi com outro telegrama: "Estúdio MGM, Culver City, Califórnia. William Faulkner".
A jovem operadora perguntou: "Onde está a mensagem, senhor Faulkner?". Eu disse: "É só isso". Ela continuou: O regulamento afirma que não posso enviar um telegrama sem mensagem; o senhor tem que dizer alguma coisa". Então demos uma olhada em algumas amostras, e escolhemos não me lembro qual - uma dessas mensagens enlatadas de feliz aniversário. Enviei-a"
Foto de Lisette Model
2011 não foi bissexto
Adquiri o RioCard essa semana para evitar gastos desnecessários de taxi que nesta época do ano circulam por ai com bandeira dois. Nunca tinha tido um, nem quando era carteira assinada, mas agora tenho, e por conta da aquisição voltei a andar de ônibus como nunca. Entre um ponto, um bom dia, uma boa tarde, uma entrega, um bairro, uma música, e um livro, tive tempo de sobra para repensar no ano que já termina. Não cheguei a nenhuma conclusão brilhante, e tampouco tive uma epifania, só desfiei mês a mês o que passou e percebi que, diferente dos outros anos, 2011 foi um ano de grande aprendizado individual. O que vou fazer com isso? não tenho nenhuma grande pretensão.
Fiquei com meu quarto desmontado durante 5 meses, mudei a cara dele, e foi neste ano que, pela primeira vez, coloquei um papel de parede. Foi ainda neste ano que meu banheiro que, era verde, ficou preto & branco. Foi em fevereiro que conheci um país novo, e quase perdi uma grande amizade por causa de uma foto até hoje não vista. Porém, não só não perdi, como a amiga envolvida se tornou fundamental nos meses subsequentes. Ainda no país dos outros decidi cometer meu mais duradouro facebookcídio. A sensação foi uma das mais libertadoras que já tive, e até agora questiono a decisão de ter voltado 6 meses depois. Em março decidi começar uma terapia porque precisava de uma "diarista" para me ajudar a arrumar a casa. Diferente das outras tentativas, essa me ensinou a ver dias mais ensolarados, e a acreditar (ainda não muito) que posso montar verdadeiros banquetes, ao invés de ficar comendo só as migalhas da mesa (nessa matéria fiquei de recuperação e vou fazer de novo ano que vem). O carnaval deste ano também foi em março e eu ia sair de Medusa e Salomé, mas meu velho problema visceral me atacou me deixando de cama de aplique, maquiagem e badulaques. Em 2011 não desfilei meus brilhos. Foi neste ano que mudei de email achando que assim fazia as pazes com o que passou, e foi no email antigo, através de um velho remetente, que recebi a notícia que minha vida acadêmica ganhava mais uma linha. Em maio perdi uma pessoa muito importante, mesmo que ela nunca saiba o quanto me ajudou (e a outros tantos) com o blog dela, e foi em maio também que senti muito medo e depois muita felicidade. Ah, sim, no mês das noivas não noivei, mas conheci Coney Island que é um caso de amor antigo. Em junho fiz mais uma primavera e decidi fazer uma dieta. Perdi muitos quilos entre salames, coca zero, ovo, e comprimidos suspeitos. Ganhei todos eles de volta e mais alguns uns meses mais à frente. Em julho assinei o contrato da minha empresa, me casei com outras 3 pessoas e prometemos acreditar sempre que tudo vai dar certo por mais difícil que seja. No mês 7 dei uma de criança pequena e mexi no que estava, praticamente, cicatrizado. Na hora juro que parecia uma coceira gostosa. Foi no remeillon que percebi o quão passageiro as relações são através de uma foto no facebook. "A vida segue" - para todo mundo, ufa!
Quase no final do mês minha casa ficou sem um elemento, e isso deixou todos cheios de saudades. Agosto chegou cheio de viagens, um flat, algumas feiras e muitas ideias para o trabalho novo. Foi no mês 8 que meu sistema respiratório travou, e assim ficou até novembro. E já quase em setembro me despedi muitas vezes em um mesmo fim de semana. Em um sábado à noite o que parecia ter sido rico se mostrou pobre, e no domingo pude perceber que existem histórias que só ficam boas em livros. Foi ainda no domingo, durante o almoço, que o destino mostrou que sabe ser bem divertido e no mesmo restaurante eu pude ver, sorrir, e entregar em mãos a parte da vida de outra pessoa que estava na minha. Setembro chegou com cara de ressaca, e aquela viagem de 6 horas de volta para casa ainda me assombrava. No início do mês finalizei a segunda pós, e comecei um curso de literatura inglesa entre pães de queijo e amigas queridas. Ainda na primeira quinzena ganhei um novo amigo, que passou despercebido no meio do fim de semana das despedidas, mas que tempos depois enquanto caminhávamos de volta de um café me disse "eu sei que aconteceu alguma coisa aqui, mas tá tudo bem" (ref.matéria de recuperação). De 2011 levo ele e a menina do ônibus que virou companheira de natação e assuntos nonsense, que por obra, também, do destino, despencou dentro da baia da equipe de madame V. Sem dúvida minhas melhores aquisições. Ainda nas festividade de independência, aconteceu a Bienal, um dos meus eventos favoritos, e minha empresa fez o brindes. Em setembro era oficial, eu não podia mais viver sem minha sócia, ela se tornou peça fundamental de tudo. Outubro foi um mês tranquilo, e no marasmo do cotidiano me deparei com a bagunça dos últimos meses. Depois de tudo organizado, comecei a aceitar o que eu sempre soube, mas disfarçava com fantasias e histórias mirabolantes: "Você é sozinha" eu disse para mim mesma durante 31 dias. O mundo dos solitários é mais interessante e culto, é possível rir de si mesmo, dá para ocupar bem seu tempo, mas tem horas que o silêncio é asfixiante. Eram nesses momentos sem ar que sentia a presença do que não existia, e sorria para o nada imaginando que talvez, quem sabe, estivesse de alguma forma sentado a me observar. Não estava, mas ainda me pego sorrindo de vez em quando com a lembrança desses não-momentos. Em novembro conheci Pernambuco, e me apaixonei por lá, e me reapaixonei por Alceu, e senti saudades de dançar forró. Saudade foi uma palavra muito presente neste ano. Neste mês troquei o computador e fui em uma médica que me passou uma dieta esquisita, que segundo a própria, vai me deixar equilibrada com o poder dos legumes. Foi nos 45 do segundo tempo que olhei para trás, e resolvi pequenas-grandes coisas que foram sendo deixadas ao léu. A sensação foi boa para todo mundo, acredito. Algumas supresas, algumas formas novas de pedir desculpas tanto minhas quanto dos outros.
E eis que chega dezembro coberto de luzinhas de Natal, e com ele boas notícias para pessoas próximas queridas, passarinhos, festas de comemoração, e a sensação que este ano foi alterado, loucão, mas que era necessário para que o caminho de coisas boas seja trilhado em 2012. Acho que vai dar, todavia.... vai dar sim!
Coloco aqui, e aqui, um pouco da trilha sonora desses 365 dias.
Fiquei com meu quarto desmontado durante 5 meses, mudei a cara dele, e foi neste ano que, pela primeira vez, coloquei um papel de parede. Foi ainda neste ano que meu banheiro que, era verde, ficou preto & branco. Foi em fevereiro que conheci um país novo, e quase perdi uma grande amizade por causa de uma foto até hoje não vista. Porém, não só não perdi, como a amiga envolvida se tornou fundamental nos meses subsequentes. Ainda no país dos outros decidi cometer meu mais duradouro facebookcídio. A sensação foi uma das mais libertadoras que já tive, e até agora questiono a decisão de ter voltado 6 meses depois. Em março decidi começar uma terapia porque precisava de uma "diarista" para me ajudar a arrumar a casa. Diferente das outras tentativas, essa me ensinou a ver dias mais ensolarados, e a acreditar (ainda não muito) que posso montar verdadeiros banquetes, ao invés de ficar comendo só as migalhas da mesa (nessa matéria fiquei de recuperação e vou fazer de novo ano que vem). O carnaval deste ano também foi em março e eu ia sair de Medusa e Salomé, mas meu velho problema visceral me atacou me deixando de cama de aplique, maquiagem e badulaques. Em 2011 não desfilei meus brilhos. Foi neste ano que mudei de email achando que assim fazia as pazes com o que passou, e foi no email antigo, através de um velho remetente, que recebi a notícia que minha vida acadêmica ganhava mais uma linha. Em maio perdi uma pessoa muito importante, mesmo que ela nunca saiba o quanto me ajudou (e a outros tantos) com o blog dela, e foi em maio também que senti muito medo e depois muita felicidade. Ah, sim, no mês das noivas não noivei, mas conheci Coney Island que é um caso de amor antigo. Em junho fiz mais uma primavera e decidi fazer uma dieta. Perdi muitos quilos entre salames, coca zero, ovo, e comprimidos suspeitos. Ganhei todos eles de volta e mais alguns uns meses mais à frente. Em julho assinei o contrato da minha empresa, me casei com outras 3 pessoas e prometemos acreditar sempre que tudo vai dar certo por mais difícil que seja. No mês 7 dei uma de criança pequena e mexi no que estava, praticamente, cicatrizado. Na hora juro que parecia uma coceira gostosa. Foi no remeillon que percebi o quão passageiro as relações são através de uma foto no facebook. "A vida segue" - para todo mundo, ufa!
Quase no final do mês minha casa ficou sem um elemento, e isso deixou todos cheios de saudades. Agosto chegou cheio de viagens, um flat, algumas feiras e muitas ideias para o trabalho novo. Foi no mês 8 que meu sistema respiratório travou, e assim ficou até novembro. E já quase em setembro me despedi muitas vezes em um mesmo fim de semana. Em um sábado à noite o que parecia ter sido rico se mostrou pobre, e no domingo pude perceber que existem histórias que só ficam boas em livros. Foi ainda no domingo, durante o almoço, que o destino mostrou que sabe ser bem divertido e no mesmo restaurante eu pude ver, sorrir, e entregar em mãos a parte da vida de outra pessoa que estava na minha. Setembro chegou com cara de ressaca, e aquela viagem de 6 horas de volta para casa ainda me assombrava. No início do mês finalizei a segunda pós, e comecei um curso de literatura inglesa entre pães de queijo e amigas queridas. Ainda na primeira quinzena ganhei um novo amigo, que passou despercebido no meio do fim de semana das despedidas, mas que tempos depois enquanto caminhávamos de volta de um café me disse "eu sei que aconteceu alguma coisa aqui, mas tá tudo bem" (ref.matéria de recuperação). De 2011 levo ele e a menina do ônibus que virou companheira de natação e assuntos nonsense, que por obra, também, do destino, despencou dentro da baia da equipe de madame V. Sem dúvida minhas melhores aquisições. Ainda nas festividade de independência, aconteceu a Bienal, um dos meus eventos favoritos, e minha empresa fez o brindes. Em setembro era oficial, eu não podia mais viver sem minha sócia, ela se tornou peça fundamental de tudo. Outubro foi um mês tranquilo, e no marasmo do cotidiano me deparei com a bagunça dos últimos meses. Depois de tudo organizado, comecei a aceitar o que eu sempre soube, mas disfarçava com fantasias e histórias mirabolantes: "Você é sozinha" eu disse para mim mesma durante 31 dias. O mundo dos solitários é mais interessante e culto, é possível rir de si mesmo, dá para ocupar bem seu tempo, mas tem horas que o silêncio é asfixiante. Eram nesses momentos sem ar que sentia a presença do que não existia, e sorria para o nada imaginando que talvez, quem sabe, estivesse de alguma forma sentado a me observar. Não estava, mas ainda me pego sorrindo de vez em quando com a lembrança desses não-momentos. Em novembro conheci Pernambuco, e me apaixonei por lá, e me reapaixonei por Alceu, e senti saudades de dançar forró. Saudade foi uma palavra muito presente neste ano. Neste mês troquei o computador e fui em uma médica que me passou uma dieta esquisita, que segundo a própria, vai me deixar equilibrada com o poder dos legumes. Foi nos 45 do segundo tempo que olhei para trás, e resolvi pequenas-grandes coisas que foram sendo deixadas ao léu. A sensação foi boa para todo mundo, acredito. Algumas supresas, algumas formas novas de pedir desculpas tanto minhas quanto dos outros.
E eis que chega dezembro coberto de luzinhas de Natal, e com ele boas notícias para pessoas próximas queridas, passarinhos, festas de comemoração, e a sensação que este ano foi alterado, loucão, mas que era necessário para que o caminho de coisas boas seja trilhado em 2012. Acho que vai dar, todavia.... vai dar sim!
Coloco aqui, e aqui, um pouco da trilha sonora desses 365 dias.
Foto de Joyhey
sábado, 17 de dezembro de 2011
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
O ano giro
Se eu tivesse que escolher um país homenageado em 2011 seria Portugal. Até então não tinha muita curiosidade pelos lusos tirando um fado ali, outro acolá, e o fato de minha mãe ter morado em Lisboa na infância. Este ano, no entanto, eu li "Afirma Pereira" do Tabucchi, e a história do jornalista do suplemento cultural em plena ditadura salazarista me conquistou. Foi na Flip, que Tabucchi não foi, que me emocionei com as palavras de valter hugo mae, e da mesma forma na Fliporto* com as de Gonçalo Tavares. Para finalizar, foi em 2011 que eu me apeguei a Nsra. de Fátima, e agora acho que não tem jeito: é para lá que eu quero ir no próximo ano.
O aborrecimento
Como a realidade era para o senhor Juarroz uma matéria aborrecida ele só deixava de pensar quando era mesmo imprescindível. Eis algumas situações em que era obrigado a deixar de pensar:
- quando falavam com ele muito alto;
- quando o insultavam;
- quando o empurravam;
- quando tinha de utilizar qualquer objeto útil à sua volta.
Por vezes, mesmo nas situações atrás descritas, o senhor Juarroz não saía dos seus pensamentos e por isso os outros supunham que ele:
- era surdo (porque não ouvia quando falvam com ele muito alto);
- era covarde (porque o insultavam e ele não reagia);
- era muito covarde (porque o empurravam e ele não reagia);
- era desastrado (porque pegava mal nas coisas, deixando-as cair ao chão).
No entanto, ele não era nem surdo, nem covarde, nem desastrado. Simplesmente, para o senhor Juarroz, a realidade era uma matéria que aborrecia.
O senhor Juarroz - Gonçalo Tavares
* Aqui uma entrevista com palavras semelhantes às que eu ouvi em Olinda.
O aborrecimento
Como a realidade era para o senhor Juarroz uma matéria aborrecida ele só deixava de pensar quando era mesmo imprescindível. Eis algumas situações em que era obrigado a deixar de pensar:
- quando falavam com ele muito alto;
- quando o insultavam;
- quando o empurravam;
- quando tinha de utilizar qualquer objeto útil à sua volta.
Por vezes, mesmo nas situações atrás descritas, o senhor Juarroz não saía dos seus pensamentos e por isso os outros supunham que ele:
- era surdo (porque não ouvia quando falvam com ele muito alto);
- era covarde (porque o insultavam e ele não reagia);
- era muito covarde (porque o empurravam e ele não reagia);
- era desastrado (porque pegava mal nas coisas, deixando-as cair ao chão).
No entanto, ele não era nem surdo, nem covarde, nem desastrado. Simplesmente, para o senhor Juarroz, a realidade era uma matéria que aborrecia.
O senhor Juarroz - Gonçalo Tavares
* Aqui uma entrevista com palavras semelhantes às que eu ouvi em Olinda.
Foto de: beautesauvage
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
As minhas canções
Inspirada e emocionada com o novo filme de Eduardo Coutinho ("As canções"), sai do cinema pensando qual música eu cantaria se fizesse parte do documentário. Lembrei de várias, a maioria internacionais, no campo nacional passei por Arnaldo Antunes, Caetano, Alceu Valença, Tim Maia (quase foi "Gostava tanto de você") Clube da Esquina... procurei por letras sofisticadas que sintetizassem em uma boa melodia tudo que eu já senti. Tanto esforço não adiantou. A verdade é que minha forma de amar é cafona, suburbana (ref. Miguel Pereira), e toda vez que ouço essa música uma lagriminha sempre escapole.
Como o objetivo é recordar, vou colocar também a música que ouvi, tal qual um presságio, quando encontrei pela primeira vez. É através dela que eu consigo lembrar de todo aquele dia. Talvez seja isso: eu ainda lembro demais.
Como o objetivo é recordar, vou colocar também a música que ouvi, tal qual um presságio, quando encontrei pela primeira vez. É através dela que eu consigo lembrar de todo aquele dia. Talvez seja isso: eu ainda lembro demais.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
A dieta que os não merecedores fazem
Quem vive não pode se esconder. Devagar, tudo acontece conosco. O tempo mesquinho se contrai.
Aos quatorze anos de idade, engordei; em compensação, eu esquiava bem. Gostava das calças grossas de flanela que no início raspavam as minhas coxas, às quais mais tarde me acostumei. Era como se a neve ardesse, estalasse, gemesse, igual a uma fogueira de acampamento. Miklóska, anda, vamos apága-la! Ele naõ se mexeu e, com desprezo, disse: " Que arda nela o gendarme!". A frase parecia um ser vivo, de manhã eu ainda a procurava no quarto. A mangueira estava lindamente enrolada; mangueira de incêndio comum, as pequenas alças cravejadas de diamantes e pérolas verdadeiras. Tudo isso devia ser um engano, para desviar a atenção do fogo perigoso! E desviou mesmo.
Naquele tempo, eu ria de tudo, de mim, dos rapazes, das moças, da minha mãe, do meu pai, do nabo, do pilão de cobre, da sopa de galinha, da constelação do cocheiro, do meu irmão Miklós, do trem de carga na curva, da mão que devolvia o troco, de uma perna da calça, ou melhro, de todas as partes da calça, em especial da braguilha e da barra, da gagueira do carteiro, do carimbo torto. Tudo era irresistivelmente engraçado. Ria do mar, da madrugada, da noite, da teai de aranha prateada, dos eseplhos, dos olhares, do cacho de uva, dos sutiãs, do câncer de mama, de um pedaço destruído da cerca, do mar Cáspio, da ossatura delicada de uma mão, das cartas mais sinceras, mais obscenas, encontradas numa gaveta da escrivaninha americana (e a escrita me fazia estremecer), em que meu pai se dirigia a uma dançarina da cidade de Debrecen, e dos vestígios horríveis dos meus parentes e da minha própria circulação sanguínea escura, ria do engenho amoroso e das transformações da morte.
Eu era impiedosa e tinha bom coração.
A superfície, porque o meu rosto cresceu, era feia!, e ficou irregular como um travesseirinho. Muitos não gostavam de mim porque eu deixava a todos nervosos. Mais tarde fiquei mais bonita, e esse foi o período em que fui mais atraente. (Eu não diria isso na época, por exemplo...)
Os verbos auxiliares do coração - Péter Esterházy
Foto de : beautesauvage
sábado, 10 de dezembro de 2011
Entre à noite de ontem e o dia de hoje
De manhã, com uma meta clara, sentei na cama e peguei o livro que ando enrolando para terminar. Na segunda página leio uma linda palavra: emurchecer. Levantei, fui até o espelho do armário, me olhei bem, e pude percebi que sofri a ação da palavra. Era vísivel o quanto eu emurcheci nos últimos tempos.
Os movimentos são como de pássaros, mas precisamente uma garça, a voz, porém, jorra de dentro daquele corpo magro preenchendo todos os espaços através de tangos e boleros. Um sopro de vida percorre a casa de show e sinto saudades de Buenos Aires. E sinto saudades de você.
Os movimentos são como de pássaros, mas precisamente uma garça, a voz, porém, jorra de dentro daquele corpo magro preenchendo todos os espaços através de tangos e boleros. Um sopro de vida percorre a casa de show e sinto saudades de Buenos Aires. E sinto saudades de você.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Ainda sobre a inquietude
Inquietos: um filme belo, ou todos aqueles que deixaram alguma coisa por dizer.
As I write this letter the ocean breeze feels cool in my skin . The very ocean is soon to be my grave. It tells me I will die a hero, that the safety and the honor of my country will be the reward for my sacrifice. I pray they are right. My only regret in life is never telling you how I feel. I wish I were back home, I wish I were holding your hand, I wish I were telling that I have loved you, and only you, since I was a boy, but I'm not. I see now that death is easy, it is love that is hard. As my plane dives, I will not see the face of my enemies. I will instead see your eyes, like black rocks frozen in green water. They tell us that we must scream banzai, as we plunge into our target. I will, instead, whisper your name and in death as in life I will remain forever yours.*
Hiroshi Takahashi.
Caderno similar ao comprado da marca: Jardim Branco
* Transcrição minha da carta final do filme Inquietos (Restless, 2011). Correção feita por V.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Cenas da Vida
Lucie & Simon criaram uma série de fotos que deram o nome de: Scenes of Life. Nas fotos tiradas, geralmente de grandes alturas, um olhar voyeur descortina uma certa solidão em pequenos momentos corriqueiros.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Sol e Ferro
Esses dias, logo após ter visto "Inquietos" (Restless, 2011) do Gus Van Sant, fiquei pensando sobre as tradições japonesas, tema que me interessa, talvez por ter alguns nipônicos na família. Fascinada com o fantasma Hiroshi, me lembrei do autor Yukio Mishima, que cometeu um yokoku na década de 70.
Até onde eu sei e pesquisei, Mishima era de uma família tradicional no Japão da Segunda Guerra e por motivos de saúde não pode se alistar no exército japonês. Decepcionado, seu pai o mandou estudar direito, mas Mishima, que na verdade se chamava Kimitake Hiraoka, já tinha começado sua carreira literária assinando seus livros com o pseudônimo que o fez conhecido. Ao desistir do direito, seu pai disse que só o aceitaria como escritor se ele fosse o melhor do Japão.
Com a morte de seus amigos na guerra, Mishima sentiu o peso de não ter tido uma morte digna defendendo seu país. Adotou um estilo de vida que nomeou de Sol e Ferro, cuidava do corpo obstinadamente, e mesmo casado, tinha relações homossexuais (na verdade, o culto a beleza e a descoberta do homossexualismo se deu ainda jovem, ao ver uma imagem de São Sebastião), que não escondia da sua esposa. Obcecado pela morte honrosa que não teve, em 1966 faz o filme: Yokuko or The rite of Love and Death. Quatro anos mais tarde, finalmente realizou o ritual de passagem, na frente de várias pessoas. A tradição do yokoku diz que logo após a abertura lateral no ventre, a mulher tem que cortar a cabeça para que ela não penda, e assim seja concluído todo o ritual com louvor e dignidade. Se não me engano, inicialmente ele pediu para mulher participar, mas essa declinou, o que o fez optar pelo namorado e deixar um amigo de sobreaviso, caso esse desistisse. Mishima levou sua honra e patriotismo às últimas consequências, e deixou uma série de livros bons. Gritemos Banzai!
Até onde eu sei e pesquisei, Mishima era de uma família tradicional no Japão da Segunda Guerra e por motivos de saúde não pode se alistar no exército japonês. Decepcionado, seu pai o mandou estudar direito, mas Mishima, que na verdade se chamava Kimitake Hiraoka, já tinha começado sua carreira literária assinando seus livros com o pseudônimo que o fez conhecido. Ao desistir do direito, seu pai disse que só o aceitaria como escritor se ele fosse o melhor do Japão.
Com a morte de seus amigos na guerra, Mishima sentiu o peso de não ter tido uma morte digna defendendo seu país. Adotou um estilo de vida que nomeou de Sol e Ferro, cuidava do corpo obstinadamente, e mesmo casado, tinha relações homossexuais (na verdade, o culto a beleza e a descoberta do homossexualismo se deu ainda jovem, ao ver uma imagem de São Sebastião), que não escondia da sua esposa. Obcecado pela morte honrosa que não teve, em 1966 faz o filme: Yokuko or The rite of Love and Death. Quatro anos mais tarde, finalmente realizou o ritual de passagem, na frente de várias pessoas. A tradição do yokoku diz que logo após a abertura lateral no ventre, a mulher tem que cortar a cabeça para que ela não penda, e assim seja concluído todo o ritual com louvor e dignidade. Se não me engano, inicialmente ele pediu para mulher participar, mas essa declinou, o que o fez optar pelo namorado e deixar um amigo de sobreaviso, caso esse desistisse. Mishima levou sua honra e patriotismo às últimas consequências, e deixou uma série de livros bons. Gritemos Banzai!
sábado, 3 de dezembro de 2011
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Rainha de Copas & Valete de Espadas
Quando batia o desespero, as dúvidas e incertezas. Quando não era possível encontrar uma justificativa, ou motivo, para explicar o porquê de ver você por toda parte, de empurrar o cardápio em sua direção como se estivesse ali, de procurar sua mão no ar para atravessar a rua e apontar para vitrines apagadas, busquei algum suporte que pudesse acolher um pouco da minha necessidade de acreditar nos pequenos e frágeis sins que você foi deixando pelo caminho.
Nesta busca, encontrei um oráculo virtual, onde toda noite, de banho tomado e dentes escovados, pronta para dormir e esperar a boa nova na manhã seguinte, eu escrevia em um inglês mequetrefe a pergunta: "Vai dar certo?". Escolhia o Tarot de Marseilles e o jogo Relationship. Durante anos as respostas para as 7 questões eram dúbias. Eu atribuía a falta de sucesso da minha consulta cyber-holística ao fato de minha cadeira não ser confortável, de minha coluna não ser ereta o suficiente, de meus pés não estarem calçados e, acima de tudo, da minha concentração ser precária.
Acreditando no site-guru, ou não, quando houve a chance de dar certo, não deu. A verdade, porém, é que: mesmo com pequenos e fragéis sins é possível se construir um universo de sonho que é mais forte que qualquer não declarado. Diante da realidade, que se mostrou tão dura, só me restava de banho tomado e dentes escovados, pronta para dormir e esperar a boa nova que talvez, quem sabe, surgisse na manhã seguinte, perguntar (em inglês) ao meu oráculo: "Vai ter volta?". Como se nada tivesse acontecido, escolhia o Tarot de Marseilles e o jogo Relationship. As respostas para as 7 questões permaneciam dúbias, evasivas, impassivas à ação dos fatos ocorridos. Diferente dos primórdios das consultas, eu não tinha no que, ou em quem, colocar a culpa.
Durantes os anos de consultas quase diárias, entre Imperatrizes, Papas, Torres e Rodas da Fortuna, o Tarot sempre mostrava a ação do tempo, não aquele do relógio, do calendário, do dia-a-dia coninha, mas daquele outro do qual sentimos o peso quando respiramos bem fundo. Como se um dia, tudo aquilo que em mim doia pudesse cessar, ou pelo menos parasse de latejar.
Não me lembro quando foi a última vez que recorri ao ocultismo 2.0 para tentar achar, para não dizer enxergar, sentido em situações declaradamente fracassadas, mas hoje, depois de um pileque celebrativo à tarde, meu ipod tocou "How it Ended" e o percurso de volta para casa foi permeado de reconstruções em cima da por assim dizer "pergunta". Essa noite, de banho tomado e dentes escovados, pronta para dormir e esperar a boa nova que sempre chega de algum jeito, no dia seguinte, abri o Facade, e diferente das outras vezes perguntei em bom português: "Por que acabou?". Eis que pela primeira vez nesses 5 anos obtive 7 respostas definitivas para a pergunta mais vazia já formulada:
- A carta no alto a esquerda representa como você se vê (8 de espadas): Dificuldade de lidar com a realidade. Solidão. Incapacidade de enxergar os problemas, podendo aumentá-los. Mente criativa que afugenta. Passional.
- A carta no alto a direita representa como você vê ser parceiro (O mágico- invertido): Traiçoeiro, enigmático, alto poder criativo muitas vezes desperdiçado. Uso do conhecimento, da beleza e habilidade para coisas erradas. Abuso. Conexão demasiada. Aprisionamento em si mesmo. Emoções incompatíveis.
- A carta no centro a esquerda representa como você se sente em relação ao seu parceiro (10 de paus): Alívio. Amarras. Eterna gratidão. Desenvolvimento interior. Receio, incompreensão, impulso e não reconhecimento de si.
- A carta no centro a direita representa o que se interpõe entre você e seu parceiro (Rainha de copas): A essência do ar, não deixando criar vínculos maiores. A ideia do perfeito e impossível. Incapacidade de afeto real.
- A carta no canto esquerdo representa como seu parceiro te vê (Força): Força, capacidade de reconstrução e entendimento. Vitória depois do medo. Aprisionamento, fora do controle, passional, tendenciosa para divindade e tentações. Escorregadia. Perdão.
- A carta no canto direito representa o que seu parceiro sente em relação a você (Rainha de espadas): Curiosidade persistente, mistério, fatalidade e descontrole. A chave da natureza intuitiva e lógica. Percepção e curiosidade. Confusão, decepção e dificuldade de compreensão. Insegurança. Encontro de ventos de igual potencia em sentidos contrários.
- A carta no centro representa o presente status da relação ou desafio da relação (Rei de Copas): Natureza indecisa e insegura. Poder físico e falta de coragem. O que parece inocente e casual disfarça traição e vaidade.
E, para terminar, a parte que eu mais gosto: a dificuldade de lidar com a mediocridade da história vivida e o eterno medo de ser esquecido.
Nesta busca, encontrei um oráculo virtual, onde toda noite, de banho tomado e dentes escovados, pronta para dormir e esperar a boa nova na manhã seguinte, eu escrevia em um inglês mequetrefe a pergunta: "Vai dar certo?". Escolhia o Tarot de Marseilles e o jogo Relationship. Durante anos as respostas para as 7 questões eram dúbias. Eu atribuía a falta de sucesso da minha consulta cyber-holística ao fato de minha cadeira não ser confortável, de minha coluna não ser ereta o suficiente, de meus pés não estarem calçados e, acima de tudo, da minha concentração ser precária.
Acreditando no site-guru, ou não, quando houve a chance de dar certo, não deu. A verdade, porém, é que: mesmo com pequenos e fragéis sins é possível se construir um universo de sonho que é mais forte que qualquer não declarado. Diante da realidade, que se mostrou tão dura, só me restava de banho tomado e dentes escovados, pronta para dormir e esperar a boa nova que talvez, quem sabe, surgisse na manhã seguinte, perguntar (em inglês) ao meu oráculo: "Vai ter volta?". Como se nada tivesse acontecido, escolhia o Tarot de Marseilles e o jogo Relationship. As respostas para as 7 questões permaneciam dúbias, evasivas, impassivas à ação dos fatos ocorridos. Diferente dos primórdios das consultas, eu não tinha no que, ou em quem, colocar a culpa.
Durantes os anos de consultas quase diárias, entre Imperatrizes, Papas, Torres e Rodas da Fortuna, o Tarot sempre mostrava a ação do tempo, não aquele do relógio, do calendário, do dia-a-dia coninha, mas daquele outro do qual sentimos o peso quando respiramos bem fundo. Como se um dia, tudo aquilo que em mim doia pudesse cessar, ou pelo menos parasse de latejar.
Não me lembro quando foi a última vez que recorri ao ocultismo 2.0 para tentar achar, para não dizer enxergar, sentido em situações declaradamente fracassadas, mas hoje, depois de um pileque celebrativo à tarde, meu ipod tocou "How it Ended" e o percurso de volta para casa foi permeado de reconstruções em cima da por assim dizer "pergunta". Essa noite, de banho tomado e dentes escovados, pronta para dormir e esperar a boa nova que sempre chega de algum jeito, no dia seguinte, abri o Facade, e diferente das outras vezes perguntei em bom português: "Por que acabou?". Eis que pela primeira vez nesses 5 anos obtive 7 respostas definitivas para a pergunta mais vazia já formulada:
- A carta no alto a esquerda representa como você se vê (8 de espadas): Dificuldade de lidar com a realidade. Solidão. Incapacidade de enxergar os problemas, podendo aumentá-los. Mente criativa que afugenta. Passional.
- A carta no alto a direita representa como você vê ser parceiro (O mágico- invertido): Traiçoeiro, enigmático, alto poder criativo muitas vezes desperdiçado. Uso do conhecimento, da beleza e habilidade para coisas erradas. Abuso. Conexão demasiada. Aprisionamento em si mesmo. Emoções incompatíveis.
- A carta no centro a esquerda representa como você se sente em relação ao seu parceiro (10 de paus): Alívio. Amarras. Eterna gratidão. Desenvolvimento interior. Receio, incompreensão, impulso e não reconhecimento de si.
- A carta no centro a direita representa o que se interpõe entre você e seu parceiro (Rainha de copas): A essência do ar, não deixando criar vínculos maiores. A ideia do perfeito e impossível. Incapacidade de afeto real.
- A carta no canto esquerdo representa como seu parceiro te vê (Força): Força, capacidade de reconstrução e entendimento. Vitória depois do medo. Aprisionamento, fora do controle, passional, tendenciosa para divindade e tentações. Escorregadia. Perdão.
- A carta no canto direito representa o que seu parceiro sente em relação a você (Rainha de espadas): Curiosidade persistente, mistério, fatalidade e descontrole. A chave da natureza intuitiva e lógica. Percepção e curiosidade. Confusão, decepção e dificuldade de compreensão. Insegurança. Encontro de ventos de igual potencia em sentidos contrários.
- A carta no centro representa o presente status da relação ou desafio da relação (Rei de Copas): Natureza indecisa e insegura. Poder físico e falta de coragem. O que parece inocente e casual disfarça traição e vaidade.
E, para terminar, a parte que eu mais gosto: a dificuldade de lidar com a mediocridade da história vivida e o eterno medo de ser esquecido.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Deu no jornal
Que o verão só chega para o carnaval.
(suor de futura foliã)
1. Dorothy Vallens - Sábado
2. Justine - Domingo
3. Molly Malone - Segunda
4. Ophélia - Terça
5. Medéia - Quarta
Fotos de: Hengki Koentjoro
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