Eu sempre gostei de comédias românticas, principalmente as inglesas.
Quando eu era mais nova, meu maior medo era que meu romance fosse fazer intercâmbio. Passei somente por um momento desses, mas fui poupada de ir ao aeroporto. Achei que essa fase não voltaria mais.
Eu tenho medo de avião.
Quando meu pai viajou para fora do país a primeira vez, eu chorei como ele se estivesse a caminho de uma câmara de gás. 10 dias depois ganhei 3 fantoches: Minnie, Mickey e Pato Donald. Gostei dos presentes, mas não compensaram o estresse da semana anterior.
O GNT fez um programa que se passa dentro do aeroporto de Guarulhos, apresentado pela Astrid. Fiquei curiosa, mas ia chorar tanto que não valeria a pena. Gosto dos desembarques mais do que dos embarques.
Eu sempre como pão de queijo no aeroporto e volto para casa cheirando a perfume do Duty Free.
Eu queria buscá-lo, e não levá-lo.
« Le beau est toujours bizarre. Je ne veux pas dire qu'il soit volontairement, froidement bizarre, car dans ce cas il serait un monstre sorti des rails de la vie. Je dis qu'il contient toujours un peu de bizarrerie, de bizarrerie non voulue, inconsciente, et que c'est cette bizarrerie qui le fait être particulièrement le Beau. » (Charles Baudelaire)
terça-feira, 30 de outubro de 2012
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Já é primavera
Eu nem acho pepinos tão saborosos assim, todavia, é uma das minhas palavras favoritas em inglês: Cucumber - uma coisa biquinho refrescante gosmento.
Quanto mais ruídos advêm da boca mastigadora dos mortais, mais próximos nos colocamos dos porcos e de outros seres amigos do chão. Prefiro testemunhar graves e degenerescentes enfermidades a escutar as manifestações detestáveis que a mais maliciosa cavidade do corpo humano propaga quando está a trabalho, nhac, nhac, nhac.
Edificar cidades e escrever legislação são inequívocas comprovações de nossa boa educação, mas civilizar inclui o iso comedido e reservado dos caninos. Pães, carnes e ovos macerados compõem uma repugnante opereta de refeitório, amplificada pelas bochechas.
Não se conhece o perigo de um pepino até ouvir sua trituração. Não se sabe de sua sordidez até constatar que a água nele contida, liberada na boca após a ação desmedida da gla, ajudará na liquefação da pasta encardida de verde que descerá pelo esôfago.
Devemos, no entanto, constatar que, mesmo vil, o pepino é apenas um pequeno componente de uma cena desgraçada, inevitável e cotidiana. O verdadeiro inimigo reconhece-se pela extensão da mandíbula, pela distância que mantém da mesa e pela empunhadura do garfo. Não posso ouvir, com indiferença e calma a formação do bolo alimentar promovida por duas mulheres às voltas com um cadáver insepulto.
A passagem tensa dos corpos - Carlos Brito e Mello.
Quanto mais ruídos advêm da boca mastigadora dos mortais, mais próximos nos colocamos dos porcos e de outros seres amigos do chão. Prefiro testemunhar graves e degenerescentes enfermidades a escutar as manifestações detestáveis que a mais maliciosa cavidade do corpo humano propaga quando está a trabalho, nhac, nhac, nhac.
Edificar cidades e escrever legislação são inequívocas comprovações de nossa boa educação, mas civilizar inclui o iso comedido e reservado dos caninos. Pães, carnes e ovos macerados compõem uma repugnante opereta de refeitório, amplificada pelas bochechas.
Não se conhece o perigo de um pepino até ouvir sua trituração. Não se sabe de sua sordidez até constatar que a água nele contida, liberada na boca após a ação desmedida da gla, ajudará na liquefação da pasta encardida de verde que descerá pelo esôfago.
Devemos, no entanto, constatar que, mesmo vil, o pepino é apenas um pequeno componente de uma cena desgraçada, inevitável e cotidiana. O verdadeiro inimigo reconhece-se pela extensão da mandíbula, pela distância que mantém da mesa e pela empunhadura do garfo. Não posso ouvir, com indiferença e calma a formação do bolo alimentar promovida por duas mulheres às voltas com um cadáver insepulto.
A passagem tensa dos corpos - Carlos Brito e Mello.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Presente do Pretérito
Existe uma vida atual, e existe uma vida a médio/curto prazo a ser explorada. Os últimos meses têm sido tão reais que vejo beleza nos defeitos mais banais, nas palavras malogradas, nas incompatibilidades, desafios e superações.
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Eu segurava dois balões: um de gás hélio, cintilante, e um bonito, mas que não voava. Os dois não cabiam na minha mão, o de gás hélio eu já tinha segurado demais, se brincasse com ele eu o perderia para sempre. Um dia chegou a hora de soltar e deixá-lo voar, esse era o seu destino. Fiquei olhando ele subir e sumir em um dia sem nuvens, acho que cheguei a acenar dando um "adeus", com os olhos semicerrados por causa do sol. Optei pelo outro, que não brilha, mas que me permite aproveitar ao máximo sua condição de balão. Tenho que vencer, no entanto, meu medo que ele possa estourar a qualquer momento. Medo e brincadeira não andam de mãos dadas.
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Minha memória sonora é minha aliada mais traiçoeira. Hoje ouvi o remix do Beck para o Philip Glass e tive vontade de dividir com quem aproveitaria ao máximo a beleza desses 20 minutos, só que não foi possível. É engraçado como surge inesperadamente em algumas pequenas frações de minutos uma vontade de repetir algumas sensações... a da espera é uma delas.
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