segunda-feira, 28 de novembro de 2011

À bout de souffle

A praxe manda segurar a respiração durante 40 segundos. São feitas séries como essas, repetidas vezes, até que alguém decide parar: "volte semana que vem". Dada a ordem, saímos de lá com o ar suspenso travado no peito. Serão 8 dias sem conseguir respirar, esperando o momento que o ar possa sair em uma explosão de alegria e graça. Assim seja.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Correr em companhia

My love is in a light attire
Among the appletrees
Where the gay winds do most desire
To run in companies

There, where the gay winds stay to woo
The young leaves as they pass,
My love goes slowly, bending to
Her shadow in the grass;

And where the sky's a pale blue cup
Over the laughing land,
My love goes lightly, holding up
Her dress with dainty hand

James Joyce - VII - Música de Câmara

Foto de Beaute Sauvage

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O décimo terceiro signo dos zodíacos

Conheci a Oficina Brennand não faz muitos dias e fiquei encantada com o lugar, com as obras, e de como ao entrar lá, entre esculturas fálicas, passáros e lagartos, a solidão fica do lado de fora.

"Solidão a sua porta" - a Francisco Brennand

Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando mais nada interessar
(nem o torpor do sono que se espalha)

Quando, pelo desuso da navalha,
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha

A arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que é envolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.

Carlos Pereira - poeta recifense

(um pouco mais de Pernambuco, que mistura alegria e melancolia com sol e chuva como em poucos lugares se viu)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Do que se sente quando falam de janelas

Sonhei, em um domingo azul, que deixava minha janela aberta para você entrar, e você, como em uma transmissão de pensamento, entrava, um tanto hesitante, envergonhado, sem saber que tipo de recepção ia encontrar. Eu fingia indiferença com sua chegada sorrateira, e preparava um café enquanto perguntava de forma banal sobre coisas da vida. Você olhava ao redor, via que algumas coisas tinham mudado de lugar, mas que sim, era o mesmo lugar onde sempre nos encontravamos. Eu sentia a sensação boa de ter você ali perto, passado tanto tempo, com o mesmo jeito, com o mesmo cheiro, com a mesma forma engraçada de falar, mesmo que você não tivesse muito o que me dizer, o que não me incomodava, afinal, eu também não sabia nem por onde começar. Sentei na rede e fitei você com o queixo para cima tal qual um galo de briga, e você ajeitou minha franja que tinha sido cortada recentemente e me disse baixinho: "Se voltei, mulher, é porque sou louco por você". Foi então que baixei a cabeça, e pela primeira vez,em anos, aceitei nosso último silêncio, havia um pacto selado no ar. Ficamos ali, eu e você, aninhados, balançando e olhando pela janela enquanto uma brisa fresca fazia cosquinha na cortina.Quando acordei, era saudade que não cabia dentro de mim.

** Sob o efeito de "Sonhei de cara", "Quando fugias de mim", "Anunciação", "Tomara" e "La belle de jour" do Alceu Valença **

 Foto de: Spaceskull

terça-feira, 8 de novembro de 2011

No dog knows my smell.

Coloquei no dia 20 de outubro um texto publicado no blog da Paris Review que falava sobre um amor que acontecia inicialmente através de cartas e que terminava, obviamente, com uma. Esses dias, minha grande amiga e companheira de cyber devaneios J. mandou para mim o mesmo link. Alguns dias depois ela pegou o trecho do poema de Robert Lowell que a autora do post citava e fez um postal, que eu adorei, e que me lembrou a capa do cd do Teenage Fanclub "Four thousand seven hundred and sixty-six seconds". Procurando achei o poema de origem, descobri que existe um livro só de correspondências entre ele e Elizabeth Bishop, e percebi que fazia tempo não ouvia esse cd.

Homecoming - Robert Lowell
 
What was is . . . since 1930;
the boys in my old gang
are senior partners.  They start up
bald like baby birds
to embrace retirement.

At the altar of surrender,
I met you
in the hour of credulity.
How your misfortune came out clearly
to us at twenty.

At the gingerbread casino,
how innocent the nights we made it
on our Vesuvio martinis
with no vermouth but vodka
to sweeten the dry gin--

the lash across my face
that night we adored . . .
soon every night and all,
when your sweet, amorous
repetition changed.

Fertility is not to the forward,
or beauty to the precipitous--
things gone wrong
clothe summer
with gold leaf.

Sometimes
I catch my mind
circling for you with glazed eye--
my lost love hunting
your lost face.

Summer to summer,
the poplars sere
in the glare--
it's a town for the young,
they break themselves against the surf.

No dog knows my smell.
Uma música refrescante do cd.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Crepe de Nutella

Mas (aqui a conversa vai adquirir um tom infinitamente mais íntimo) fala-se agora das boas relações que Solange conseguiu estabelecer com certas alunas mais atraentes que as outras, mais bonitas, melhor dotadas. Ela devaneia. Suas palavras são ouvidas muito próximo dos lábios. De repente, ela se interrompe, mal a vemos entreabrir a bolsa e, descobrindo uma coxa maravilhosa, ali, um pouco acima da cinta-liga escura... "Que é isso! Você não se drogava! - Não, mas agora, que remédio". A resposta é dada num tom de lassidão lancinante. Como que se reanimando, Solange indaga, por sua vez: "E você... como vai? Conte-me". Também aqui apareceram novatas muito bonitas. Principalmente uma. Tão meiga. "Veja só, querida". As duas se debruçam demoradamente à janela. Silêncio. UMA BOLA CAI DENTRO DA SALA. Silêncio. "Foi ela! E vem cá buscar. - Você acha? " Ambas de pé, encostadas na parede. Solange fecha os olhos, relaxa, suspira, fica imóvel. Batem na porta. A menina de há pouco entra sem dizer nada dirige-se lentamente para a bolsa, olhos nos olhos da diretora; caminha na ponta dos pés. Cai o pano. - No ato seguinte, é noite, numa ante-sala. Passaram-se algumas horas. Um médico, com sua maleta. Foi constatado o desaparecimento de uma das meninas. Tomara que não lhe tenha acontecido alguma infelicidade! Todo mundo se agita, a casa e o jardim são vasculhados de cima a baixo. A diretora, mais calma ainda que antes."Uma menina tão meiga, meio triste talvez. Meu Deus, e a avó dela, que há poucas horas estava aqui! Acabo de mandar chamá-la". O médico, desconfiado: em dois anos consecutivos, um acidente no momento da partida das alunas. No ano passado, a descoberta de um cadáver no poço. Este ano... O jardineiro, vaticinando e balindo. Tinha ido procurar no poço. "Engraçado: por ser engraçado, é que é engraçado".

* Nadja - André Breton.






Fotos de Paul Nougé - surrealista, fotógrafo, poeta, filósofo e belga.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ocupações de amor e hashtags sentimentais

#Occupymymind
#Occupymysoul
#Occupymyworld
#Occupymyhead
#Occupymybody
#Occupymyheart
#Occupymylips
#Occupymybed
#Occupymybathtub
#Occupymydream
#Occupymyfantasy
#Occupymydesire
#Occupymycouch
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#Occupymylift
#Occupymykitchen
#Occupymydinner
#Occupymylunch
#Occupymynight
#Occupymymorning
#Occupymyspirit
#Occupymyhand
#Occupymyweekend
#Occupymyneighborhood
#Occupymystreet
#OccupymyLIFE

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Um dia ainda acordo Anna Karina

Les fiancés du pont Macdonald - Um filme de Agnès Varda