« Le beau est toujours bizarre. Je ne veux pas dire qu'il soit volontairement, froidement bizarre, car dans ce cas il serait un monstre sorti des rails de la vie. Je dis qu'il contient toujours un peu de bizarrerie, de bizarrerie non voulue, inconsciente, et que c'est cette bizarrerie qui le fait être particulièrement le Beau. » (Charles Baudelaire)
terça-feira, 25 de setembro de 2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Os parênteses eram a minha salvação
Foi assim que passei a ir no consultório do doutor Simão (que não se chamava Simão: aquele era o apelido que escolhi para ele, pronunciando sim-não sem que ele percebesse). Eu me sentava na poltorna e tirava coisas escondidas na parede. Mentia bastante no início, depois passei a entender que as mentiras tinham importância. É um desejo, a mentira, igual aos outros, doutor Simão esclareceu. E então destruí de vez a cerca que separa da verdade.
A minha única sugestão é que você fale tudo. Até essas coisas que você põe entre parênteses, ele recomendava.
Eu ria.
Os parênteses eram a minha salvação. Um espólio que eu punha à parte para dar uma nova chance a tudo que já parecia decidido. É onde guardava o meu pai, a minha mãe e os meus irmãos.
Pelo tempo que eu vivesse, repliquei, esses vãos estariam abertos.
O risco é que eles tomem muitas importância e deixem de ser uma segunda história dentro da história, disse o doutor, que era severo com isso.
Não há duas histórias, pensei em corrigi-lo. O que digo aqui é com voz de ventríloquo. O único perigo é alguém olhar de fora e me enxergar no centro. Seria um engano.
Um bom médico ele, mas péssimo leitor, no final das contas.
A vendedora de Fósforos - Adriana Lunardi.
A minha única sugestão é que você fale tudo. Até essas coisas que você põe entre parênteses, ele recomendava.
Eu ria.
Os parênteses eram a minha salvação. Um espólio que eu punha à parte para dar uma nova chance a tudo que já parecia decidido. É onde guardava o meu pai, a minha mãe e os meus irmãos.
Pelo tempo que eu vivesse, repliquei, esses vãos estariam abertos.
O risco é que eles tomem muitas importância e deixem de ser uma segunda história dentro da história, disse o doutor, que era severo com isso.
Não há duas histórias, pensei em corrigi-lo. O que digo aqui é com voz de ventríloquo. O único perigo é alguém olhar de fora e me enxergar no centro. Seria um engano.
Um bom médico ele, mas péssimo leitor, no final das contas.
A vendedora de Fósforos - Adriana Lunardi.
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