terça-feira, 6 de outubro de 2009

O existencialismo surreal

Ontem, presa no engarrafamento rumo ao hospital, uma fiorino branca pára ao meu lado. A distância tornava possível a leitura: Roto Flash Desentupimento. A fila dela andou, e atrás vejo um adesivo que diz: "Quero morrer igual ao meu avô, dormindo. E não gritando como os passageiros do ônibus que ele dirigia".

Já no hospital, enquanto zelava o sono da paciente, leio um parágrafo do livro da vez:

"Não era o aspecto miserável do sujeito que nos assustava, nem o tumor que tinha no pescoço e que roçava a borda de seu colarinho: mas sentíamos que ele formava em sua cabeça pensamentos de caranguejo ou de lagosta. E o fato de que alguém pudesse formar pensamentos de lagosta a respeito da guarita, de nossos arcos de brinquedo, das moitas de arbustos, nos aterrorizava". A Nausea - Jean Paul Sartre

De lá para cá, ora penso no avô irresponsável, ora reflito nos pensamentos de lagostas e caranguejos. A única coisa que não me sai da cabeça no entanto, é que as lagostas se casam e são fiéis ao seus cônjuges - se é que posso chamar o senhor(a) lagosta de cônjuge . Não resta dúvidas que de todas as informações, esse é o pensamento que mais faz sentido.


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