A você
« Le beau est toujours bizarre. Je ne veux pas dire qu'il soit volontairement, froidement bizarre, car dans ce cas il serait un monstre sorti des rails de la vie. Je dis qu'il contient toujours un peu de bizarrerie, de bizarrerie non voulue, inconsciente, et que c'est cette bizarrerie qui le fait être particulièrement le Beau. » (Charles Baudelaire)
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Diante da realidade
Não vejo graça alguma no que está acontecendo. Diante de tudo, do nada me aparece quem? Como na primeira vez, um comentário idiota perdido, um riso sem graça, me lembrei das suas calças. Por que diabos as suas calças? No sonho desta noite você as usava . Que mais minha mente doente vai vomitar em momentos tumultuados? Quando eu acho que já recordei tudo, eis que me pego lembrando de coisas que nunca foram importantes. Agora essa. Preciso buscar ajuda especializada, preciso arrumar uma maneira disso escoar e sair de mim.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Calendário do término
1 dia . 2 dias . 3 dias . Ainda choro muito . 4 dias . 5 dias . 6 dias . 7 dias . Sinto raiva . 8 dias . Deleto tudo que tem seu nome e/ou foto . 9 dias . 10 dias . 11 dias . 12 dias . Me preparo para encarar a vida lá fora . 13 dias . 14 dias . 15 dias . 16 dias . 17 dias . Finjo para o mundo que te superei e ameaço flertar com alguém . 18 dias . 19 dias . 20 dias . Caio em mim, não te esqueci . O mundo tá cheio de gente ainda mais babaca que você . 21 dias . 22 dias . 23 dias . 24 dias . 25 dias. Algumas músicas ainda me fazem chorar, mas já estou melhor . 26 dias . 27 dias . 28 dias . 29 dias . Penso menos em você e isso me angustia . 30 dias . 31 dias . 32 dias . 33 dias . 34 dias . 35 dias . 36 dias . 37 dias . 38 dias . 39 dias . 40 dias . 41 dias . 42 dias . 43 dias . 44 dias . 45 dias. Penso menos em você e isso me deixa feliz . 46 dias . 47 dias . 48 dias . 49 dias . 50 dias . 51 dias . 52 dias . 53 dias . 54 dias . 55 dias . 56 dias . Alguém surgiu e levou seu lugar. Talvez não tenha futuro, mas pelo menos me fez esquecer você . 57 dias . 58 dias . 59 dias . 60 dias..... vida que segue. Sempre segue.
Pet cemetery
Será meu coração uma cova rasa? Começo a achar que não enterro bem meus mortos, e que em dias de chuva consigo ver mãos e pés por ai. Antigamente era uma excelente coveira. Uma sujeita prestimosa nos serviços fúnebres do coração. Aqueles que morriam, se não ganhavam grandes jazigos, pelo menos uma gavetinha charmosa conseguiam comigo. Porém, de uns tempos para cá, a situação se configurou de forma diferente, e eu comecei a dizer somente: ah, faz parte da vida - e a colocar meus amores na primeira vala que encontrava, a fim de me livrar da dor e tormento momentâneos. Criei o mote que dor de amor todo mundo passa, e sempre passa. Infelizmente não é assim. Ando com um carroça recolhendo destroços daqueles que amei, porque simplesmente eles me assombram demais. Preciso providenciar uma exumação dos meus antigos amores, e colocá-los dentro de uma caixinha, nem que enterre todo juntos, de forma harmoniosa, e enfeite com flores durante um tempo. Se não fizer o rito completo não vou conseguir dar um passo a frente.O peso de carregá-los comigo está cada vez maior.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Duplo Drummond
A vida é que nem esse versinho do Drummond.
Quadrilha
"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história"
Quadrilha
"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história"
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Piadas divinas
Tem pessoas que gostam de chamar de acaso, tem outras que apelidam de destino, e outras tantas que acham místico. Eu chamo de coincidência. Coincidência não carrega peso algum, pelo contrário, é até leve: "Olha só que coincidência..." Claro que existem as que são forçadas, aquelas que de tanto cavarmos acabam acontecendo, e com um sorriso amarelo o que era para ser um encontro revelador, se torna, na maior parte das vezes, somente frustração. Geralmente nessas horas surge um letreiro na testa escrito em neon: Sou um idiota.
Por vir de uma família onde a individualidade é praticamente uma deusa hindu com 20 braços, 3 pernas e 5 cabeças, para quem nos reverenciamos e fazemos preces toda a noite, não existe nada mais aflitivo do que a coincidência. Encontrar alguém por acaso, ou fazer algo ao mesmo tempo que outro, ou gostar da mesma coisa, ou arrumar o mesmo namorado, ou qualquer coisa que possa fazer o outro se sentir invadido é digno de desculpas no primeiro momento. É como se fosse: Desculpa, eu só queria que você acreditasse que foi coincidência (neste momento observa-se a humildade contida dentro desta singela palavra).
Meu espírito romântico diria que as almas estão conectadas (blá blá blá), minha amiga que transa astrologia diria que é um alinhamento cósmico, e que a casa 6 deve ser regida pelo mesmo planeta (blá blá blá). Na verdade, eu só acredito no senso de humor divino. Quando acontece uma coincidência, acho que Deus faz de propósito para ver o que acontece. Uma espécie de reprodução em cativeiro assistida. Ele coloca geralmente as pessoas juntas e canta: Ula ula ula ê. E nós, aqui embaixo, ficamos achando que ou fulano é psicopata, ou nós somos bobalhões. Nesta equação, acho que é 33,3333% para cada um. Deus também tem sua parcela de responsabilidade na matemática do acaso.
Por vir de uma família onde a individualidade é praticamente uma deusa hindu com 20 braços, 3 pernas e 5 cabeças, para quem nos reverenciamos e fazemos preces toda a noite, não existe nada mais aflitivo do que a coincidência. Encontrar alguém por acaso, ou fazer algo ao mesmo tempo que outro, ou gostar da mesma coisa, ou arrumar o mesmo namorado, ou qualquer coisa que possa fazer o outro se sentir invadido é digno de desculpas no primeiro momento. É como se fosse: Desculpa, eu só queria que você acreditasse que foi coincidência (neste momento observa-se a humildade contida dentro desta singela palavra).
Meu espírito romântico diria que as almas estão conectadas (blá blá blá), minha amiga que transa astrologia diria que é um alinhamento cósmico, e que a casa 6 deve ser regida pelo mesmo planeta (blá blá blá). Na verdade, eu só acredito no senso de humor divino. Quando acontece uma coincidência, acho que Deus faz de propósito para ver o que acontece. Uma espécie de reprodução em cativeiro assistida. Ele coloca geralmente as pessoas juntas e canta: Ula ula ula ê. E nós, aqui embaixo, ficamos achando que ou fulano é psicopata, ou nós somos bobalhões. Nesta equação, acho que é 33,3333% para cada um. Deus também tem sua parcela de responsabilidade na matemática do acaso.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Eu e Drummond
Quando sonho, sinto saudades.
De madrugada, com a garganta queimando e os pernilongos, pernicurtos, perni qualquer coisa a me devorarem, me lembrei de você. E, mais uma vez, como sempre, senti saudades.
A Um Ausente (Carlos Drummond de Andrade)
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
De madrugada, com a garganta queimando e os pernilongos, pernicurtos, perni qualquer coisa a me devorarem, me lembrei de você. E, mais uma vez, como sempre, senti saudades.
A Um Ausente (Carlos Drummond de Andrade)
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
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