sexta-feira, 13 de setembro de 2019

"Não há artista que possa suportar a realidade. Nem a superar."

Logo depois da guerra, Theodor Adorno, abalado, disse: "Escrever um poema após Auschwitz é um ato bárbaro". Um dos meus professores, Aliés Adamóvitch, um nome que quero citar hoje com gratidão, também considerava que compor prosa sobre os pesadelos do século XX era sacrilégio. Aqui, não se tem o direito de inventar. deve-se mostrar a verdade como ela é. Exige-se uma "supraliteratura", uma literatura que esteja além da literatura. É a testemunha que deve falar. Pode-se pensar em Nietzsche, que dizia que não há artista que possa suportar a realidade. Nem a superar.

Sempre me atormentou o fato de que a verdade não se sustenta num só coração, num só espírito. Que ela é de algum modo fragmentada, múltipla, diversa e dispersa pelo mundo. Há em Dostoiévski a ideia de que a humanidade sabe muito mais sobre si mesma do que aquilo que consegue fixar a literatura. O que eu faço? Recolho sentimentos, pensamentos, palavras cotidianas. Reúno a vida do meu tempo. O que me interessa é a história da alma. A vida cotidiana da alma. Aquilo que a grande história geralmente deixa de lado, que trata com desdém. Eu me ocupo com a história omitida. Ouvi mais de uma vez e ainda ouço que isso não é literatura, que é documento. Mas o que é literatura hoje? Quem pode responder? Vivemos mais rápido que antes. O conteúdo rompe a forma. Ela a quebra e modifica. Tudo extravasa das margens: a música, a pintura e, no documento, a palavra escapa aos limites do documento. Não há fronteiras entre o fato e a ficção, um transborda sobre o outro. Mesmo a testemunha não é imparcial. Ao narrar, o homem cria, luta com o tempo assim como o escultor com o mármore. Ele é um ator e um criador.

O que me interessa é o pequeno homem. O pequeno grande homem, eu diria, porque o sofrimento o torna maior. Nos meus livros ele próprio conta a sua pequena história e, no momento em que faz isso, conta a grande história. O que aconteceu e acontece conosco é ainda incompreensível, é preciso ser pronunciado. Para começar, é preciso ao menos pôr tudo em palavras. E tememos por isso, pois ainda não nos sentimos em condições de dar conta do nosso passado. Em Os demônios, de Dostoiévski, em preâmbulo a uma conversa, o personagem Chátov diz a Stavróguin: "Nós somos dois seres que se encontram fora dos limites do tempo e do espaço... pela última vez no mundo. Deixe o seu tom de lado e pegue outro que seja humano! Fale, uma vez na vida, com voz humana".

Vozes de Tchernóbil- Svetlana Aleksiévitch
Companhia das letras - pág 372 e 373.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

2+2 = 22

- É que eu gosto muito do Woody Allen. Me identifico com ele em Annie Hall. Digo, sei que isso é uma afirmação controversa, pela coisa toda das acusações, mas eu realmente gosto dos filmes dele.

- Tudo bem, eu me identifico com os filmes do Polanski. Principalmente Lua de Fel.


segunda-feira, 2 de setembro de 2019

5 anos, 6 meses e 18 dias depois...

Olá.

Agora não escrevo tão bem (mal escrevo na verdade).

Agora trabalho batendo ponto.

Agora sou orfã.

Agora moro sozinha.

Agora congelei um punhado de óvulos.

Agora eu tento parar com a coisa que eu mais gosto de fazer: fumar.

Agora tenho outros medos e alguns traumas.

Agora já conheci desertos imensos.

Agora releio tudo o que foi deixado intacto aqui, tal qual a cidade de Prypiat, e já nem sei o porquê dessa vontade de voltar aqui, justamente agora.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A maior incapacidade de todas

Eu me recuso a pensar qualquer coisa que gere em mim raiva, pensamentos ruins, vontade de revidar ou me vingar. Eu me recuso até mesmo a acreditar que a gente se desencontrou quando finalmente nos encontramos. Era muita coisa legal, era muito sonho bom, todos os ingredientes estavam ali: amor, tesão, respeito...
Eu não vou voltar para cá - creio que nunca mais.
E se era para ser assim, pelo menos eu sei que amei. Muito. Por inteiro.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Me dê licença

Tenho um receio danado de voltar aqui.
Meu bloguinho se tornou uma espécie de quarto da criança morta.
Me perguntaram do paradeiro dele este final de semana e respondi que andava vivendo realidade demais para alimentar um blog. O indagador ignorou um tanto a resposta, como de praxe, mas falei a pura verdade.
Adoraria voltar, mas creio ter perdido em algum lugar a chave desse universo. Talvez devesse voltar e procurar, talvez continuar seguindo simplesmente em frente ...
Será este um post de despedida? ou será que estou tentando um recomeço?
Não sei.
Mas eu nunca sei muita coisa.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

1469

Eu visitava
Tu visitas
Ele visitou
Nós visitarámos
Vós visitarieis
Visitem eles!

***

Toc toc toc

***

Vem sempre aqui?
Só para saber se esta tudo em riba.
E chegou a alguma conclusão?
Já fui melhor nisso

***

Câmbio: Você me esqueceu?
Câmbio: Acho que não.
Câmbio: E você, me esqueceu?
Câmbio: Também acho que não.
Ótimo (2x)
Até breve (2x)

***

"Meu mundo era pequeno e cheirava a homem" - Da incrível Miranda July em: É claro que você sabe do que estou falando.



sábado, 13 de julho de 2013

Escolhas


O dia que um apontou e escolheu
e o outro se debatendo aceitou
que aquilo que estava por vir 
era amor
 
Earl's Court - Londres - Julho/2013