terça-feira, 30 de outubro de 2012

Check- in

Eu sempre gostei de comédias românticas, principalmente as inglesas.
Quando eu era mais nova, meu maior medo era que meu romance fosse fazer intercâmbio. Passei somente por um momento desses, mas fui poupada de ir ao aeroporto. Achei que essa fase não voltaria mais.

Eu tenho medo de avião.

Quando meu pai viajou para fora do país a primeira vez, eu chorei como ele se estivesse a caminho de uma câmara de gás. 10 dias depois ganhei 3 fantoches: Minnie, Mickey e Pato Donald. Gostei dos presentes, mas não compensaram o estresse da semana anterior.

O GNT fez um programa que se passa dentro do aeroporto de Guarulhos, apresentado pela Astrid. Fiquei curiosa, mas ia chorar tanto que não valeria a pena. Gosto dos desembarques mais do que dos embarques.

Eu sempre como pão de queijo no aeroporto e volto para casa cheirando a perfume do Duty Free.

Eu queria buscá-lo, e não levá-lo.



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Já é primavera

Eu nem acho pepinos tão saborosos assim, todavia, é uma das minhas palavras favoritas em inglês: Cucumber - uma coisa biquinho refrescante gosmento.

Quanto mais ruídos advêm da boca mastigadora dos mortais, mais próximos nos colocamos dos porcos e de outros seres amigos do chão. Prefiro testemunhar graves e degenerescentes enfermidades a escutar as manifestações detestáveis que a mais maliciosa cavidade do corpo humano propaga quando está a trabalho, nhac, nhac, nhac.

Edificar cidades e escrever legislação são inequívocas comprovações de nossa boa educação, mas civilizar inclui o iso comedido e reservado dos caninos. Pães, carnes e ovos macerados compõem uma repugnante opereta de refeitório, amplificada pelas bochechas.

Não se conhece o perigo de um pepino até ouvir sua trituração. Não se sabe de sua sordidez até constatar que a água nele contida,  liberada na boca após a ação desmedida da gla, ajudará na liquefação da pasta encardida de verde que descerá pelo esôfago.

Devemos, no entanto, constatar que, mesmo vil, o pepino é apenas um pequeno componente de uma cena desgraçada, inevitável e cotidiana. O verdadeiro inimigo reconhece-se pela extensão da mandíbula, pela distância que mantém da mesa e pela empunhadura do garfo. Não posso ouvir, com indiferença e calma a formação do bolo alimentar promovida por duas mulheres às voltas com um cadáver insepulto.

A passagem tensa dos corpos - Carlos Brito e Mello.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Entre linhas e definições

Bel: a garota que mais disse adeus para vivos.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Presente do Pretérito

Existe uma vida atual, e existe uma vida a médio/curto prazo a ser explorada. Os últimos meses têm sido tão reais que vejo beleza nos defeitos mais banais, nas palavras malogradas, nas incompatibilidades, desafios e superações.
Eu segurava dois balões: um de gás hélio, cintilante, e um bonito, mas que não voava. Os dois não cabiam na minha mão, o de gás hélio eu já tinha segurado demais, se brincasse com ele eu o perderia para sempre. Um dia chegou a hora de soltar e deixá-lo voar, esse era o seu destino. Fiquei olhando ele subir e sumir em um dia sem nuvens, acho que cheguei a acenar dando um "adeus", com os olhos semicerrados por causa do sol.  Optei pelo outro, que não brilha, mas que me permite aproveitar ao máximo sua condição de balão. Tenho que vencer, no entanto, meu medo que ele possa estourar a qualquer momento. Medo e brincadeira não andam de mãos dadas.

Minha memória sonora é minha aliada mais traiçoeira. Hoje ouvi o remix do Beck para o Philip Glass e tive vontade de dividir com quem aproveitaria ao máximo a beleza desses 20 minutos, só que não foi possível. É engraçado como surge inesperadamente em algumas pequenas frações de minutos uma vontade de repetir algumas sensações... a da espera é uma delas.



terça-feira, 25 de setembro de 2012

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Os parênteses eram a minha salvação

Foi assim que passei a ir no consultório do doutor Simão (que não se chamava Simão: aquele era o apelido que escolhi para ele, pronunciando sim-não sem que ele percebesse). Eu me sentava na poltorna e tirava coisas escondidas na parede. Mentia bastante no início, depois passei a entender que as mentiras tinham importância. É um desejo, a mentira, igual aos outros, doutor Simão esclareceu. E então destruí de vez a cerca que separa da verdade.
A minha única sugestão é que você fale tudo. Até essas coisas que você põe entre parênteses, ele recomendava.
Eu ria.
Os parênteses eram a minha salvação. Um espólio que eu punha à parte para dar uma nova chance a tudo que já parecia decidido. É onde guardava o meu pai, a minha mãe e os meus irmãos.
Pelo tempo que eu vivesse, repliquei, esses vãos estariam abertos.
O risco é que eles tomem muitas importância e deixem de ser uma segunda história dentro da história, disse o doutor, que era severo com isso.
Não há duas histórias, pensei em corrigi-lo. O que digo aqui é com voz de ventríloquo. O único perigo é alguém olhar de fora e me enxergar no centro. Seria um engano.
Um bom médico ele, mas péssimo leitor, no final das contas.

A vendedora de Fósforos - Adriana Lunardi.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Justificativas & Explicações para eventuais sumiços


"Quando não conhecia a vida, eu escrevia; agora que conheço seu significado, 
não tenho mais nada a escrever " 

Oscar Wilde - Bartebly e Companhia - Enrique Vila-Matas

Toc toc toc.
Quem é?
É sua vida que chegou para te convidar a vivê-la.

Tudo de novo, tudo outra vez. Um mundo de desencontros e de poucos pontos de interseção. Um coro grego dizendo "isso não vai dar certo", e outro dizendo "aproveite". Da minha parte, um exercício áspero de engolir a diferença sem nem um gole d'água, mastigando a oportunidade que me é dada vagarosamente até que vire uma papa saborosa e deglutível.

Tudo de novo? Só que é daqui. 
Tudo outra vez? Obviamente que mora lá.

Um mundo de desencontros, uma ligaçaõ pela manhã: "Alô? Tô indo para a cidade gloriosa*, não esperava, aconteceu. Vem comigo? " Que coisa boa", respondo, e concluo dizendo: "Isso não faz sentido algum". Antes de desligar ouço uma voz tímida que diz: "Entenda: eu te acho imperdível".

Paro o que estava fazendo para processar a informação. Um tempo depois me pego vendo o mapa da cidade e dizendo: "Fulham" enquanto afirmo a minha decisão com a cabeça.


* Let England Shake - até o presente momento o álbum que eu mais ouvi este ano. The glorious land foi a música do meu ano novo na Bahia.

sábado, 11 de agosto de 2012

Nosso jeitinho - Chuva de Meteóros Perseidas

Formosa (o), não faz assim 
Carinho não é ruim 
Mulher (rapaz) que nega 
Não sabe não 
Tem uma coisa de menos 
No seu coração 
Formosa (o), não faz assim 
Carinho não é ruim 
Mulher (rapaz) que nega 
Não sabe não 
Tem uma coisa de menos 
No seu coração
A gente nasce, a gente cresce 
A gente quer amar 
Mulher (rapaz) que nega 
Nega o que não é para negar 
A gente pega, a gente entrega 
A gente quer morrer 
Ninguém tem nada de bom sem sofrer
Formosa (o) mulher (rapaz)
Formosa - Vinícius de Moraes