quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Justificativas & Explicações para eventuais sumiços


"Quando não conhecia a vida, eu escrevia; agora que conheço seu significado, 
não tenho mais nada a escrever " 

Oscar Wilde - Bartebly e Companhia - Enrique Vila-Matas

Toc toc toc.
Quem é?
É sua vida que chegou para te convidar a vivê-la.

Tudo de novo, tudo outra vez. Um mundo de desencontros e de poucos pontos de interseção. Um coro grego dizendo "isso não vai dar certo", e outro dizendo "aproveite". Da minha parte, um exercício áspero de engolir a diferença sem nem um gole d'água, mastigando a oportunidade que me é dada vagarosamente até que vire uma papa saborosa e deglutível.

Tudo de novo? Só que é daqui. 
Tudo outra vez? Obviamente que mora lá.

Um mundo de desencontros, uma ligaçaõ pela manhã: "Alô? Tô indo para a cidade gloriosa*, não esperava, aconteceu. Vem comigo? " Que coisa boa", respondo, e concluo dizendo: "Isso não faz sentido algum". Antes de desligar ouço uma voz tímida que diz: "Entenda: eu te acho imperdível".

Paro o que estava fazendo para processar a informação. Um tempo depois me pego vendo o mapa da cidade e dizendo: "Fulham" enquanto afirmo a minha decisão com a cabeça.


* Let England Shake - até o presente momento o álbum que eu mais ouvi este ano. The glorious land foi a música do meu ano novo na Bahia.

sábado, 11 de agosto de 2012

Nosso jeitinho - Chuva de Meteóros Perseidas

Formosa (o), não faz assim 
Carinho não é ruim 
Mulher (rapaz) que nega 
Não sabe não 
Tem uma coisa de menos 
No seu coração 
Formosa (o), não faz assim 
Carinho não é ruim 
Mulher (rapaz) que nega 
Não sabe não 
Tem uma coisa de menos 
No seu coração
A gente nasce, a gente cresce 
A gente quer amar 
Mulher (rapaz) que nega 
Nega o que não é para negar 
A gente pega, a gente entrega 
A gente quer morrer 
Ninguém tem nada de bom sem sofrer
Formosa (o) mulher (rapaz)
Formosa - Vinícius de Moraes

sábado, 4 de agosto de 2012

terça-feira, 31 de julho de 2012

Jaz em mim

Ao abrir a porta displicentemente vejo teu corpo estendido no chão da memória. Fecho a porta, abro um pouco, dou uma espiada, imóvel, passo por cima de você deixando o ângulo de baixo para cima bem obtuso para que você veja meus fundilhos.
Morreu? Espero que não.
E se tiver morrido, o que vou fazer? Não rola mais de chorar a essa altura do campeonato.
Te chuto, mando parar com a brincadeira, não tem graça nenhuma, você sempre morre, eu borro a maquiagem, digo que te amo, que é o homem da minha vida, que te espero, sinto raiva e você fica sempre com a mesma cara de parvo que teus pais te deram a me olhar, com um riso frouxo semi-débil que é sua marca registrada.
Tô cansada, anda, para com a palhaçada. Levanta, volta para ela, para outra, para quem você bem entender, já não ligo, já não faz diferença, já acabou. Eu não vou pedir mais uma vez, levanta.
Ok. Deito ao seu lado, olho para você, sussurro no teu ouvido: vai se foder, seu doente!
Nada.
A verdade, no entanto, é que fico com pena desse desfecho gelado que você se tornou, te dou a mão, que saco ter que salvar sempre essa história.
Nada.
Me levanto, cansei de ser patética. Vou embora, fecho a porta, cuspo na soleira, olho para você e concluo: "Hei, psiu, Presunto? Você não entende que virou parte do meu ser? Pois bem, saiba que você jaz em mim".

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Todo amor desse mundo

E a espera por um momento como esse.

sábado, 21 de julho de 2012

Meow

Nas férias de julho de 1992, quando eu tinha 9 anos, fui ao cinema aproximadamente quatro vezes para ver "Batman - o retorno". O fascínio, no entanto, não era pelo Cavaleiro das  Trevas, nem pelo Pinguim e muito menos pelo Christopher Walken. O que me fez voltar tantas vezes foi a Mulher Gato, seu quarto com neón (Hello there), e a roupa de vinil.



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Vida

Sobre um dia após o outro:

Foram dias surreais - este é um adjetivo que neutraliza as coisas e pode ser adotado sem drama. Tudo saiu do lugar, ficou desconfortável, mudou. Dizem que é para melhor, me questiono sobre esta verdade. Quando passamos por momentos como esses a energia mina, ainda mais com o tempo frio, e nos dá vontade de se encolher. Essa tarde eu vi um filme ruim, achei que estava deprimida, pode ser, mas o filme mesmo sendo do Gus Van Sant era ruim.
Família, saúde, amor, sexo, comida, trabalho, futuro, minhas visceras não funcionam - não há onde se segurar, tudo precisa ser rearrumado. Sinto saudades de quando não vivia tanto, ou vivia dentro da minha cabeça.  A realidade é para profissionais e eu sou assumidamente amadora. Me deixem sonhar em paz, ok?

Sobre eterno retorno e fidelidade:

Recebi um cutucão. Recebi um cutucão oriundo daquele estado. Aquele, que na sexta dentro do aeroporto na cidade dos mórmons com sotaque de Nelson da Capitinga, eu disse em tom semi-desesperado: "Se é para desistir, eu me mudo, e ganho dinheiro, e me caso, e volto". Nenhum profeta é aceito em sua cidade. Ninguém cutuca ninguém nos dias atuais. Um rapaz me cutucou e me adicionou. Olhei a foto e achei bonitinho, já deveria ter aprendido que isso não se faz, que depois dá o maior trabalho voltar para a realidade, lembrar quem você é, e parar de usar esmalte. Ainda mais de lá. Porém, sou fraca, ou viciada, ou saudosista, e aceitei, e ele disse:

- Opa, posso stalkear agora
- Pode. Essa frase dá um certo medo. Por favor não faça montagens com as minhas fotos e publique em sites de tortura animal e/ou abuso de anões.
- Sou bom com montagens
- Sou boa com anões
- Tipo branca de neve?
- Não. Tipo Papai Noel de Quintino.
- Então nem tão boa com anões assim. O que você faz?
- Trabalho com design e literatura. E você?
- Sou professor de literatura na U e faço mestrado lá.
- Tenho que sair. Prazer em conhece-lo .Um beijo
- Outro beijo

Fiquei animada. Senti potencial. Saí. Exclui e bloqueei.
A verdade é que eu sou fiel.

Sobre achados dentro de livros, ou o dia que comprei um best-seller que vai me fazer chorar (A culpa é das Estrelas - John Green): 

"Enquanto a maré banhava a areia da praia, o Homem das Tulipas Holandês contemplava o oceano:
- Juntadora treplicadora envenenadora ocultadora reveladora. Repare nela, subindo e descendo, levando tudo consigo.
- O que é? - Anna perguntou.
- A água - respondeu o holandês - Bem, e as horas"
 
( Peter Van Houten, Uma aflição imperial)


domingo, 15 de julho de 2012

Por mim

Andrew Wyeth foi um pintor realista americano, apaixonado por invernos e outonos.
Andrew Wyeth pinta paisagens que eu gostaria de ver.

" I can't work completely out of my imagination. I must put my foot in a bit of truth; and then I can fly free".


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