David Lynch é o responsável por tudo que idealizo como lua de mel.
(só poderiam ser 4 imagens, mas nesse assunto não sou sintética)
E a música Ghost of Love do próprio D. Lynch:
« Le beau est toujours bizarre. Je ne veux pas dire qu'il soit volontairement, froidement bizarre, car dans ce cas il serait un monstre sorti des rails de la vie. Je dis qu'il contient toujours un peu de bizarrerie, de bizarrerie non voulue, inconsciente, et que c'est cette bizarrerie qui le fait être particulièrement le Beau. » (Charles Baudelaire)
sexta-feira, 30 de março de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
"Não quero machucar nada"
Quanto tinha dois anos, os heróis de todas as histórias contadas antes de dormir eram animais. Quando tinha quatro, cuidamos do cachorro de um vizinho durante o verão. Eu o chutei. Meu pai me disse que não chutamos os animais. Quando tinha sete, chorei a morte do meu peixinho dourado. Fiquei sabendo que meu pai o havia jogado no vaso e dado descarga. Disse ao meu pai - com outras palavras, menos gentis - que não jogamos animais no vaso e damos descarga. Aos nove, tive uma babá que não queria machucar nada. Colocou as coisas nesses exatos termos, quando lhe perguntei por que ela não comia galinha com meu irmão mais velho e comigo:
- Não quero machucar nada.
- Machucar nada? perguntei.
- Você sabe que galinha é galinha, não sabe?
Frank olhou para mim: A mamãe e o papai confiaram os seus preciosos bebês a esta mulher estúpida?
(Comer animais - Jonathan Safran Foer - Ed. Rocco)
- Não quero machucar nada.
- Machucar nada? perguntei.
- Você sabe que galinha é galinha, não sabe?
Frank olhou para mim: A mamãe e o papai confiaram os seus preciosos bebês a esta mulher estúpida?
(Comer animais - Jonathan Safran Foer - Ed. Rocco)
domingo, 25 de março de 2012
Tempo encoberto
True love will find you in the end
You'll find out just who was your friend
Don't be sad, I know you will,
But don't give up until
True love finds you in the end.
You'll find out just who was your friend
Don't be sad, I know you will,
But don't give up until
True love finds you in the end.
Hoje topei com alguns conhecidos meus
Me dão bom-dia, cheios de carinho
Dizem para eu ter muita luz, ficar com Deus
Eles têm pena de eu viver sozinho
Me dão bom-dia, cheios de carinho
Dizem para eu ter muita luz, ficar com Deus
Eles têm pena de eu viver sozinho
Coração alado. Coração equivocado
Antes era só ele,
não muito distante
Depois surgiu outro,
disposto a diminuir
o caminho.
Este, no entanto,
não aguentou
a distância,
pegou a estrada
e nunca mais voltou.
E o primeiro tem vezes que vai,
tem vezes que volta,
seu afeto é diletante.
Um novo, muito bonito,
surgiu por estas bandas,
e meu sonho adolescente,
em um minuto se realizou.
Porém, o da beleza não vingou,
o lance todo era com um maior,
que talvez fique por lá.
Ele mora além mar.
não muito distante
Depois surgiu outro,
disposto a diminuir
o caminho.
Este, no entanto,
não aguentou
a distância,
pegou a estrada
e nunca mais voltou.
E o primeiro tem vezes que vai,
tem vezes que volta,
seu afeto é diletante.
Um novo, muito bonito,
surgiu por estas bandas,
e meu sonho adolescente,
em um minuto se realizou.
Porém, o da beleza não vingou,
o lance todo era com um maior,
que talvez fique por lá.
Ele mora além mar.
Foto de: http://beautesauvage.tumblr.com/
sexta-feira, 23 de março de 2012
Ficcionalizando a realidade #1
Eu ia acabar com o Mundi Muliebris, era uma decisão pensada que demorou muito tempo para ser tomada. Uma vez anunciada aqui, comecei a procurar novos lugares para hospedar um novo sítio, e voltei para o "Paraísos artificiais" para buscar um nome, de preferência em latim. Não achei, e fiquei sem saber o que fazer. Essa semana resolvi mudar a cara dele, deve ser bem a quarta, ou quinta, vez que faço isso, também deixei todos os links ainda mais arrumados e, pasmem, Funcionou! Gostei daqui novamente, gostei do que tem aqui, mesmo que às vezes seja meio cafona, um tanto kistch e clichê, mesmo, que seja até mal escrito, algumas vezes. O fato é que ele me acompanha já faz mais de 4 anos, é o blog mais duradouro que tive, e fiquei com dó de deixá-lo no limbo digital.
Posto isso, vida longa ao universo perfumado, perturbado e feminino. Um tanto sádico e um bocado masoquista.
Para variar um pouco, e para integrar o blog ao tumblr, que nada mais é que um blog de imagens, às sextas feiras vou fazer um apanhado de 4 imagens e amarrá-las com um título e uma música. Fiz isso esta semana (com as paisagens) e gostei do resultado, mas agora vai ser somente às sextas. Quem sabe assim não surjam outros "projetos" para este espaço, e desta forma eu consiga criar novas formas e escoamentos para todas as paixões que aqui habitam.
E uma versão do TrentemØller para Days do The Drums:
Posto isso, vida longa ao universo perfumado, perturbado e feminino. Um tanto sádico e um bocado masoquista.
Para variar um pouco, e para integrar o blog ao tumblr, que nada mais é que um blog de imagens, às sextas feiras vou fazer um apanhado de 4 imagens e amarrá-las com um título e uma música. Fiz isso esta semana (com as paisagens) e gostei do resultado, mas agora vai ser somente às sextas. Quem sabe assim não surjam outros "projetos" para este espaço, e desta forma eu consiga criar novas formas e escoamentos para todas as paixões que aqui habitam.
E uma versão do TrentemØller para Days do The Drums:
quinta-feira, 22 de março de 2012
Vida
" Inter faeces et urinam nascimur " - Santo Agostinho
Henri de Toulouse - Lautrec at the beach at Le Crotoy, Picardie in 1898.
As perguntas sem respostas
SENHOR BRETON, há palavras que trabalham e há outras preguiçosas, que existem simplesmente no seu lugar na frase, e aí ficam, sem se deslocar. Parece-me, no entanto, que a preguiça nas palavras - e coloco-lhe esta questão, senhor Breton - , que a preguiça não será tanto uma questão de imobilidade da palavra em sim, mas sim algo mais grave: o não fazer se mover quem a lê, é essa a palavra indolente. Preguiça no verso é, pois, não fazer o leitor trabalhar.
Há versos cobertos de suor e esforço que só provocam no leitor uma leve compaixão, um oferecer de um lenço azul-claro para secar a cansada testa das palavras.
Se as palavras chegam já fatigadas ao leitor, este só fará delas algo se for muito bonzinho, de bom coração, leitor de bons sentimentos. Ora parece-me, e talvez concorde com tal afirmação, senhor Breton, parece-me, dizia ( e o senhor Breton endireitou-se na cadeira e fez um ar sério), que leitores de bom coração não existem, isto supondo que os humanos são os únicos com o destino voltado para a literatura. Nunca vi um homem de bom coração a não ser nos versos maus, mas isto é apenas uma opinião, eventualmente amarga ou irônica, mas o que mais importa é saber exatamente onde começa um verso. Ou seja: será que o verso começa na primeira letra da primeira palavra desse verso? Não me parece.
• • •
São as perguntas que complicam a realidade. Sem perguntas, a realidade seria simples - pensava o senhor Breton.
Mas a realidade não bastava, faltava a outra metade: a reflexão.
(O senhor Breton e a entrevista - Gonçalo Tavares - Ed. Casa da Palavra)
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