quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Shocking fuzz, flesh and bones

i like my body when it is with your
body.  It is so quite new a thing.
Muscles better and nerves more.
i like your body.  i like what it does,
i like its hows.  i like to feel the spine
of your body and its bones, and the trembling
-firm-smoothness and which i will
again and again and again
kiss,  i like kissing this and that of you,
i like, slowly stroking the, shocking fuzz
of your electric fur, and what-is-it comes
over parting flesh… And eyes big love-crumbs,

and possibly i like the thrill

of under me you so quite new





I Like my body when it is with your - e.e. cummings

Ninguém nunca soube

From Ophelia's waters / To the endless sea / It will wash away / Wash away your dreams 
Emmanuelle Seigner anda me fazendo bastante companhia:    A crença na possibilidade também pode deixar saudade.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mulher da Vida versus Mulher da Morte

    Chuva por favor caia e lave aqueles que se sentem sujos como eu.

     Da imensidão indefinida chega um nevoeiro, uma cor violeta já encontrada no caminho de outros lugares, de outros rios, nas monções muito distantes da chuva.

    A mão do homem se ergue, desce e começa a esbofetear. Primeiro docemente depois secamente.
    A mão esbofeteia a comissura dos lábios depois, cada vez mais forte, esbofeteia os dentes. Ela diz que sim, que é isso. Ela levanta o rosto para melhor oferecê-lo aos golpes, ela o torna mais relaxado, mais à disposição da mão dele, mais material.
    Ao fim de uns dez minutos, eles se teriam instalado juntos numa precisão paralela. Ele bate cada vez mais forte.
     A mão desce, golpeia os seios, o corpo. Ela diz que sim, que é isso, sim. Seus olhos choram. A mão bate, golpeia, cada vez mais firme, a ponto de atingir uma velocidade maquinal.
    O rosto está esvaziado de qualquer expressão, aturdido, já não resiste a nada, mole move-se à vontade em torno do pescoço como coisa morta.
    Vejo que assim também o corpo se deixa espancar, que está abandonado, alheio a toda dor.
    Que o homem xinga e bate. E depois de repente os gritos, o medo.
    E depois vejo que essas pessoas foram submersas pelo silêncio.

    Vejo que chega a cor violeta, que ela atinge a embocadura do rio, que o céu está encoberto, que ele estancou no seu lento percurso rumo à imensidão. Vejo que outras pessoas olham, outras mulheres, que outras mulheres agora mortas olharam assim também se comporem e se decomporem as monções de verão diante de rios margeados por arrozais escuros, em face de embocaduras vastas e profundas. Vejo que da cor violeta chega uma tempestade de verão.
     Vejo que o homem chora deitado sobre a mulher. Dela não vejo nada além da imobilidade. Eu desconheço, eu não sei nada, eu não sei se ela dorme.

Marguerite Duras - O homem sentado no corredor.


A cor violeta externalizada - Foto de: Beaute Sauvage





domingo, 28 de agosto de 2011

I'm NOT afraid

Somos uma nação de medrosos? Creio que sim, mas não faço parte, e nem ela.
Vi todos os personagens que me assombram, de todas as histórias das quais participei, em menos de 20h, e todos fugiram de mim. Minto. Ela me fitou como se me conhecesse, e eu sorri, em retribuição, porque sim, nos conhecemos. Para ela, ao menos, eu tive a oportunidade de dizer o que estava engasgado desde a subida àquele terraço malfadado de sábado à noite (o que aconteceu no alto daquele edificio com vista para prédios é uma história, a nossa é outra bem diferente). Eu disse para ela, enquanto nos olhavamos, tentando nos reconhecer: "Eu não posso mais. Eu sou mais do que isso." E ela respondeu: "Te entendo. Por que você acha que eu fui embora, também?"

"Yes, and the morning
Has me looking in your eyes
And seeing mine warning me
To read the signs more carefully.

Now that I smile,
Now that I'm laughing even deeper inside.
Now that I see,
Now that I finally found the one thing I denied
It's now I know do I stay or do I go
And it is finally I decide
That I'll be leaving
In the fairest of the seasons" *
Louise Bourgeois - I' m afraid, 2009.


* letra de "The Fairest of the Seasons" (Nico)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Em sendo Cher

Eu quero um Nicolas Cage - passional, malucão, perturbado e, acima de tudo, apaixonado.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

sábado, 20 de agosto de 2011

Dedicatórias e epígrafes

O Grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald 

" Uma vez mais para Zelda"

" Then wear the gold hat, if that will move her; If you can bounce high, bounce for her too, Till she cry 'Lover, gold- hatted, high-boucing lover, I must have you!'" - Thomas Parke d'Invilliers


Do livro que eu não lançarei

"De mim, para você"

" Um pouco de tudo já fiz nesta vida: silêncios longos experimentei e grandes sonhos projetei. Nos momentos em que eu achava que me faltava criatividade, gritei seu nome.Você para sempre será minha melhor invenção".

Foto de: beautesauvage.tumblr.com

quinta-feira, 18 de agosto de 2011