sábado, 14 de fevereiro de 2009

Lacan, Escher e eu


Passo pela sua rua e me recordo do desenho do Escher, " O balcão". Me lembro de ter estudado que esta ilustração abordava a questão da topologia para Lacan. Devo muito a Lacan pelos 5 anos em que me ajudou a ver o mundo.
Quando vivemos uma história, nossa perspectiva em relação ao espaço e a vida mudam. No caso do Escher, o Balcão significa a morada, de um ser amado, por exemplo. Para qualquer outra pessoa seria só mais um balcão, mas para ele, aquele balcão tem uma dimensão especial.
Há um tempo atrás, eu passava na sua esquina e ela era a maior do Rio de Janeiro, olhava e via seu carro, e aquele bem material era quase te ver. Hoje passo por lá e seu balcão já não é tão grande. Ainda é maior do que outros, mas infinitamente menor do que já foi. Amanhã, se perder a hora de ir para o trabalho de novo e tiver que ir de táxi, espero me pegar olhando para minha bolsa e quando cair em mim, ter simplesmente passado sem notar.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Eu latto, tu lattes, eles lattem

Hoje fui a praia com minha amiga Gê. Fazia tempo que não dava um mergulho, e às vezes me esqueço de como isso faz bem à alma. Pois bem, depois de ter ido a praia e ter comido uns pasteis no Manuel e Joaquim, voltamos andando e conversando... e eis que chegamos a um realidade fantástica. O Orkut morreu ( não que as duas fizessem grande uso dessa ferramenta de fofoca), mas agora a boa, ao invés de fuxicar o orkut do carinha que você tá a fim, é colocá-lo na plataforma Lattes. Se o paquera tiver bons títulos e alguns artigos publicados, está valendo a paixonite, se não tiver, cai fora porque temos mais o que fazer. Na night a pergunta é só essa: Tem Lattes?! BLINK! É verdade, no entanto, que um cara com um bom lattes não deveria estar na night. Pensando bem, o problema todo é esse, estamos procurando no lugar errado. Vou sugerir ao CNPQ que coloque umas fotos no perfil e no about me, por que aquilo não passa de um aboutme intelectual- e quem sabe uma meia dúzia de comunidades para sabermos quais grupos de estudo frequentar. Só assim teremos chance de sucesso, de podermos -quem sabe?- enviar coraçõezinhos, gelos e até smiles para eles!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Transfusão


"Tira-me a luz dos olhos; continuarei a ver-te.
Tapa-me os ouvidos; continuarei a ouvir-te.
E, mesmo sem pés, posso caminhar para ti.
E, mesmo sem boca, posso chamar por ti.
Arranca-me os braços e tocar-te-ei
Com o meu coração como com uma mão...
Despedaça-me o coração; e o meu cérebro baterá
E, mesmo que faças do meu cérebro uma fogueira
Continuarei a trazer-te no meu sangue"
(No meu sangue)

Rilke

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

TCC

Meu TCC está consumindo minhas energias, de uma forma antes nunca vista. Não sei se é a soma com o trabalho, mas ando sentindo cansaço como há muito tempo não sentia.
Sei do poder do meu sono. Descobri isso quando em um Free Jazz, cansada de esperar o Fat Boy Slim, resolvi tirar um cochilo na arquibancada e só me levantei às 6 da manhã.
Hoje foi a segunda prova. Poucas coisas me deixam tão irritadas como ir ao dentista. Odeio. Acho de mau gosto quem opta por esta profissão e odeio, mais ainda, saber que não posso me livrar dela. Na hora do meu almoço fui curtir uma troca de obturação. Broca vai, broca vem, foi me dando um sono... não resisti e me entreguei aos braços de Morfeu de boca aberta, óculos, babador, algodão, chaminé, luz na cara, touca, a visão do inferno. Morfeu não merecia me levar assim, isso é abdução!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Planos que fogem a cada estação

Recebi o texto abaixo de uma amiga. Bateu feito um acarajé em dia de sol, só que no coração. Eu visualizo tudo isso e nem preciso ter alguém ao meu lado. Êta romantismo exacerbado e fora de época esse. Sofro mais que Werther, só que meu fim não vai ser igual, não.


Quero acordar do seu lado num domingo de manhã e saber que não temos hora para sair da cama. E, depois, ir tomar café na padaria e ler o jornal com você. Quero ouvir você me contar sobre o trabalho e falar detalhadamente de pessoas que não conheço, e nem vou conhecer, como se fossem meus velhos amigos. Quero ver você me olhar entre um gole de café e outro, sem nada para dizer, e apenas sorrir antes de voltar a folhear o caderno de cultura. Quero a sua mão no meu cabelo, dentro do carro, a caminho do seu apartamento. Quero deitar no sofá e ver você cuidar das plantas, escolher a playlist no ipod e dobrar, daquele seu jeito metódico e perfeccionista, as roupas esquecidas em cima da cama. E que, sem mais nem menos, você desista da arrumação, me jogue sobre a bagunça, me beije e me abrace como nunca fez antes com outra pessoa. E que pergunte se quero ver um DVD mais tarde. Quero tomar uma taça de vinho no fim do dia e deitar do seu lado na rede, olhando a lua e ouvindo você me contar histórias do passado. Quero escutar você falar do futuro e sonhar com minha imagem nele, mesmo sabendo que eu provavelmente não estarei lá. Quero que você ignore a improbabilidade da nossa jornada e fale da casa que teremos no campo. Quero que você a descreva em detalhes, que fale do jardim que construiremos, e dos cachorros que compraremos. E que faça tudo isso enquanto passa a mão nas minhas costas e me beija o rosto. Quero que você nunca perca de vista a música da sua existência, e que me prometa ter entendido que a felicidade não é um destino, mas a viagem. E que, por isso, teremos sido felizes pelos vários domingos na cama e pelos sonhos que compartilhamos enquanto olhávamos a lua. Que você acredite que não me deve nada simplesmente porque os amores mais puros não entendem dívida, nem mágoa, nem arrependimento. Então, que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo o que vivemos. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos. Que termine com a sensação de ter me degustado por completo, mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado um pouco mais. E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida. E que uma parte de você acredite que ela foi, de fato, a mais bela história de amor da sua vida. Que você nunca mais deixe de pensar em mim quando for a Londres, escutar Dream' Bout Me ou ler Nick Hornby. E, por fim, que você continue a dançar na sala. Para sempre. Mesmo quando eu não estiver mais olhando.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Coisas do dia a dia sem hífen


Andando por Copacabana vi que um centro de depilação faz 1/2 região pubiana. Fiquei pensando o que deve ser meia região pubiana.. Cheguei à conclusão que devem dividir o púbis em meridianos e trópicos: Depilação Equador - Norte e Sul, Depilação Greenwich - Oriente e Ocidente, e depilação Câncer e Capricórnio.
Estou amando a nova novela das oito! afinal, ela se passa na Índia. Diálogos improváveis, enredo pobrinho e muito dinheiro gasto em figurino que é a parte que interessa. Não adianta, sou fã da Glória Perez e acho os núcleos dela tudo de bom, assim como os cenários.
A posse do Obama foi ontem e eu só espero que o dólar baixe para que possa viajar. Mentira. Espero outras coisas, mas de todo o evento como uma boa fashion victim, amei as luvas verdes de Michelle Obama.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Beleza Pura!



TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Ferreira Gullar

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Xote coladinho

Ontem cheguei em casa feliz. Depois de receber boas noticias, comprei flores para minha Guadalupita e li meu livro para fazer um bom artigo. Lá pelas tantas baixou um espirito forrozeiro e coloquei aquele cd do Zé Ramalho, e xoteei sozinha durante um bom tempo. Em seguida Dj Bebel Xeléleu foi de Alceu. Tudo belezinha, já tava suada, xexelenta, faltava só uma xiboquinha para completar o cenário. Até que Zé soltou a frase bombástica: Se eu calei foi de tristeza, você cala por calar. Ok. O disco arranhou e voltei para Ética Romântica.